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População relata insegurança diante do esvaziamento de postos policiais

posto policial
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Mesmo repaginado, posto policial do Grama tem presença esporádica de policiais e não registra ocorrências (Foto: Leonardo Costa)
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No lugar de policiais, poeira. Com o sucessivo fechamento dos postos da Polícia Militar em Juiz de Fora nos últimos anos – seguindo diretrizes do Estado de Minas Gerais – as estruturas físicas que antes abrigavam militares a cada turno, dando sensação de segurança em muitos bairros, foram sendo demolidas, repaginadas ou, simplesmente, ainda sofrem com a ação do tempo. Para a população, acostumada a pedir socorro e buscar por ajuda nesses espaços, ficou um misto de desamparo, medo e dificuldade, já que apenas as companhias da PM, localizadas nas sete regiões da cidade, e uma base de segurança comunitária instalada na Praça do Alto dos Passos, na Zona Sul, estão aptas a realizar os Registros de Evento de Defesa Social (Reds), os antigos boletins de ocorrência (BOs), de acordo com a 4ª Região da PM.

Até o Centro de Registro de Ocorrências Policiais (Crop), que funcionava no segundo piso do Santa Cruz Shopping, dando auxílio às pessoas em pleno Centro do município, encerrou as atividades em junho deste ano. A justificativa da PM, na época, foi que o atendimento à população não seria interrompido, mas ampliado e descentralizado, “garantindo maior capilaridade e facilidade no registro de ocorrências em diferentes pontos da cidade”. No entanto, nenhum ponto para registro ficou disponível na região central, já que até a 30ª Companhia, que chegou a funcionar na Praça da Estação até 2017, mudou para as dependências do 2º Batalhão, em Santa Terezinha, Zona Nordeste, a cerca de quatro quilômetros da antiga sede.

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Para entender o impacto dessas alterações na comunidade, a Tribuna percorreu alguns bairros e conversou com moradores e trabalhadores. A maioria percebeu uma grande baixa no efetivo da PM presente nas ruas nos últimos anos, começando com o fechamento dos postos policiais, que foram dando lugar às bases de segurança comunitária, as quais também foram desaparecendo com o tempo. Só entre 2017, quando foram criadas, e 2019, essas estruturas caíram pela metade, passando de 16 para oito. Até nos casos em que os antigos postos permaneceram como suporte para os policiais, como no trevo do Bairro Grama, região Nordeste, a inconstância de militares no espaço preocupa.

“Costuma ter viatura parada na parte da manhã ou de tarde, mas para mim parece mais enfeite”, dispara uma balconista, de 40 anos, que preferiu não se identificar. “Daria segurança se ficasse 24h aberto, mas só costumam passar por aqui. Dessa forma, não dá sensação de segurança. Os moradores reclamam muito, porque se acontece uma briga, até que vem a viatura, a pessoa já está morta e esticada no chão.”

Uma vendedora, 29, conta que há cerca de três meses foi agredida com um tapa na mão por um cliente e precisou ser levada pela patroa até a companhia da PM que fica no Bairro Bom Clima, pois era o local mais próximo para registrar ocorrência. “Ele conseguiu fugir, mas se tivesse polícia aqui, ele poderia ter sido preso. À noite também saímos com medo da loja.” Uma moradora daquela região, 47, foi agredida verbalmente pelo ex-companheiro e também precisou se deslocar até o Bom Clima na época. “Era 2018, e o posto já tinha virado só um ponto de apoio. Dificultou muito ir até o outro bairro, porque minha mãe é acamada, mas eu precisava fazer um BO.”

Sem policiais, posto do Bairro Benfica passou a ser ocupado pela Prefeitura (Foto: Leonardo Costa)

Na Zona Norte, a população faz relatos semelhantes diante do fechamento de postos, principalmente do que funcionava na Praça Jeremias Garcia, em Benfica. O espaço onde antes ficavam policiais foi ocupado pelo Departamento de Informação Geral e Atendimento (Diga), da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), como aconteceu com o posto policial do São Mateus, Zona Sul, desativado em meados de 2022 e que abriga agora, além do Diga, a Guarda Municipal (153) e o Centro de Monitoramento e Operações (CMO).

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“O posto da Praça de Benfica chegou a ficar abandonado, e moradores em situação de rua dormiam lá. Então com o Diga melhorou bastante, mas em relação à segurança ficou muito ruim, porque antes tinha polícia aqui, com fácil acesso”, observa uma vendedora, 26, que trabalha no entorno do espaço público. “A polícia passa de viatura de vez em quando, mas e se acontecer alguma coisa? Para registrar ocorrência temos que ir até o 27º Batalhão, e fica muito longe para a gente.”

Uma atendente de telemarketing, 45, revela que há mais de um ano, quando teve seu Instagram clonado, conseguiu fazer o BO no Crop do Santa Cruz Shopping, que também deixou de existir. “Eu morava em Nova Benfica, mas aqui na praça não tinha mais posto. Tive que pegar transporte por aplicativo para ir lá e voltar, porque já era noite, e eu estava há pouco tempo na cidade. Sou de Coronel Pacheco e fiquei perdida.”

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Da Zona Norte à Zona Sul

Moradores em situação de rua também estariam ocupando o posto policial desativado e descaracterizado que ficava no trevo entre os bairros Cascatinha e Teixeiras, na Zona Sul. A Tribuna flagrou um carrinho com roupas e outros materiais no local, onde também havia janela com vidro quebrado, refletindo o abandono daquele que já foi referência de segurança na região, situado próximo a uma das principais vias de entrada e saída da cidade. Nesta segunda-feira (24), a estrutura, inclusive, estava demolida.

No Bairro Manoel Honório, Zona Leste, a poeira tomou conta tanto do posto de observação e vigilância (POV), que funcionava na esquina entre as avenidas Brasil e Rio Branco, quanto do posto policial da Rua Eugênio Fontainha. Este último, no entanto, continua sendo usado esporadicamente por PMs, conforme moradores e comerciantes.

“A sensação de segurança antes era muito melhor, porque por aqui passam muitos usuários de droga e moradores em situação de rua”, comenta Lívia Cal, 39, que já presenciou pequenos furtos. Para registrar BO, a comunidade é orientada a comparecer à Cia do Bairu. O comerciante Geraldo Luiz, 59, lembra que o posto foi construído há cerca de 20 anos. “Na época, foi importante para a segurança, mas hoje entendemos que não tem efetivo. A polícia tem boa vontade, mas não consegue ocupar os espaços.”

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A Tribuna questionou a PM de Minas sobre as estratégias de segurança para suprir o fechamento dos postos e para recompor o efetivo nas ruas, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Já a 4ª Região da PM confirmou os endereços aptos a registrar ocorrências. Confira:

Alguns tipos de ocorrências também podem ser registrados on-line, por meio da Delegacia Virtual de Minas Gerais:

 

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