A transição da gestão do Hospital Universitário da UFJF tem ocorrido de forma tumultuada. A administração da instituição está deixando de ser feita pela Fundação de Apoio ao Hospital Universitário (Fundação HU) e passa para a gerência da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Além disso, a unidade enfrenta uma greve dos funcionários terceirizados. Este quadro tem levado à ociosidade dos leitos, enquanto sobram pacientes de Juiz de Fora e região à espera de vaga na rede pública. Na noite de ontem, por exemplo, dos nove leitos de UTI do HU, apenas cinco estavam ocupados, conforme a coordenadora da Central de Regulação de Vagas Hospitalares, Maria das Graças Carrão. A situação agrava a superlotação nas unidades de pronto atendimento (UPAs), onde pacientes ficam à espera de vagas para internação.
Segundo sindicatos da cidade, o número de pessoas contratadas pela nova gestora não está sendo suficiente para suprir os cargos desocupados. “A transição para a entrada da Ebserh está toda errada. O problema atinge principalmente o setor de enfermagem. A Fundação mandou embora enfermeiros, principalmente técnicos, e pessoas do setor administrativo, e a Ebserh está contratando engenheiro do trabalho – que não tinha na unidade -, médicos, psicólogos, assistentes sociais, mas chamou poucos enfermeiros. A assistência ao usuário está comprometida”, alega o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Juiz de Fora (Serv Saúde), Anderson Stehling. “Tem leitos ociosos no HU porque a unidade não está tendo como internar pacientes, já que não tem pessoal para tratá-los”, complementa o presidente do Sindicato dos Técnicos e Auxiliares em Radiologia de Juiz de Fora, Isaías Lopes. Apesar das reclamações, o percentual de leitos ociosos não foi divulgado e nem os setores que estariam mais vulneráveis com as mudanças.
O superintendente do hospital, Dimas Araújo, admite que há leitos parados, mas que são situações pontuais. “Estamos monitorando diariamente. Onde detectamos algum problema na transição, reduzimos a ocupação. Mas já era previsto isso. Com uma transição de volume grande como essa, não tem como o HU funcionar com carga total.” Conforme a coordenadora da Central de Regulação, a vaga é solicitada, e cabe ao hospital aceitar ou negar a internação, necessitando justificar as negativas. “O HU tem alegado que está passando por uma reestruturação administrativa. Como o pessoal está em greve, eles estão sem suporte da enfermagem e da limpeza. A gente não pode submeter o paciente a risco de desassistência, forçando uma internação. O diretor-clínico precisa se comprometer com a internação. Se eles justificam que não têm suporte, não temos como encaminhar os pacientes.”
Novas convocações
Segundo a assessoria da Fundação HU, até o momento, 160 contratos de trabalho foram rescindidos, restando 220 funcionários provenientes da instituição. Já a Ebserh convocou 153 concursados, mas apenas 130 assumiram as vagas, conforme Dimas. Desta forma, 30 cargos estariam vagos. O superintendente reforça que, em janeiro, serão realizadas novas convocações e, até março, todos os 353 funcionários da Fundação HU terão sido substituídos pelos concursados. A Fundação HU disse que possui um acordo com o Ministério Público para que as próximas rescisões sejam feitas em fevereiro e março. O contrato da Fundação com a unidade hospitalar encerra-se em abril.
70% dos terceirizados em greve
Cerca de 70% dos trabalhadores terceirizados, contratados pela Fundação HU, estão em greve devido ao não pagamento do salário referente ao mês de outubro. O percentual representa cerca de 150 pessoas paradas. “No setor de imagem, são 12 funcionários, sendo sete da Fundação HU. Todos os sete estão em greve. O setor está funcionando com menos da metade da equipe. Assim, acaba atrasando o diagnóstico dos pacientes e, consequentemente, o médico demora para conseguir iniciar o tratamento”, afirma o presidente do Sindicato dos Técnicos e Auxiliares em Radiologia, Isaías Lopes.
A Fundação HU informou que o pagamento dos profissionais não foi efetuado por conta de atrasos em repasses financeiros do Hospital Universitário, necessários para a operação. “Deste modo, a Fundação fica impossibilitada de determinar quando o acerto será feito. É importante ressaltar que o pagamento dos funcionários das outras unidades gerenciadas pela fundação, cujos repasses são originados de outros parceiros, já foram realizados”, diz a nota.
Conforme o presidente do Sindicato dos Médicos, Gilson Salomão, os trabalhadores que foram demitidos também estão apreensivos em relação às rescisões. “Ontem (segunda-feira), estivemos no Ministério do Trabalho e estamos avaliando as medidas que vamos tomar já que a Fundação alegou não ter dinheiro para nada.”
O superintendente do hospital, Dimas Araújo, afirma que, no dia 30 de outubro, foram repassados para a Fundação em torno de R$ 1 milhão para a folha de pagamento dos funcionários. “Os recursos referentes às rescisões também estão garantidos pelo MEC (Ministério da Educação) e serão repassados na primeira semana de dezembro.”
