O início da operação de um conjunto semafórico ontem, na entrada do Pórtico Norte da UFJF, transformou o trânsito na região em um verdadeiro caos durante todo o dia, provocando a revolta de motoristas. Com o tempo de abertura e fechamento das vias não suficiente para atender a demanda de veículos, as retenções foram inevitáveis, principalmente dentro do campus, onde até um acidente envolvendo um ônibus e um carro chegou a ser registrado pela PM no início da tarde. A situação ficou mais grave em horários considerados de pico, como o início da manhã, a hora do almoço e o fim da tarde. Por volta de 14h, os transtornos fizeram a Settra reavaliar a situação e optar por desligar os equipamentos, deixando-os em modo intermitente. No fim da tarde, porém, houve nova tentativa de ligar os semáforos. No entanto, mesmo com modificações nos tempos de abertura e fechamento, ainda era possível observar engarrafamentos. Por volta de 19h, os sinais foram desligados e cones improvisaram uma rotatória (como a que existia antes). Dessa forma, o trânsito voltou a fluir de forma mais rápida.
Quem acompanhava o andamento do fluxo ontem, no início da noite, era o subsecretário de Mobilidade Urbana, Carlos Eduardo Meurer. Segundo ele, a instalação dos semáforos é apenas parte do projeto que está sendo implantado na região da Avenida Costa e Silva e, para funcionar adequadamente, ainda é necessário realizar algumas mudanças. Uma delas seria a abertura das pistas na entrada e saída do Pórtico Norte, de forma que passem dois veículos por vez. "Hoje foi um teste, e não deu certo. Para nós, não foi surpresa, sabemos que precisamos de ajustes, o que leva alguns dias. Pretendemos nos reunir com a UFJF amanhã (hoje) para viabilizarmos a implantação de novas pistas, pois necessitamos da autorização da reitoria", informou.
Em nota, a instituição informou que "a implantação (do conjunto de semáforos) não foi discutida previamente com a universidade", mas "consciente de que o fluxo de veículos no anel viário do campus aumentou nos últimos anos, a UFJF elaborou esboço de projeto para duplicar a pista de saída, no interior do campus, no trecho próximo ao pórtico Norte." Ainda de acordo com a assessoria de imprensa da instituição, "a sugestão da criação da segunda faixa próxima ao pórtico será levada para avaliação do Conselho Superior da Universidade (Consu), em reunião que ainda será marcada." O órgão é composto pelo reitor, pró-reitores, diretores de faculdades e de institutos e representantes de professores, técnicos e alunos.
Mudança polêmica
Na opinião do engenheiro especialista em trânsito José Alberto Castanõn, a utilização de semáforos em cruzamentos só deve ser adotada quando não há mais condição de fornecer fluidez. "Em caso de fluxo que consegue se organizar, a rotatória é a melhor solução. O dispositivo controlava a via antes. Claro que tinha alguns problemas, mas funcionava."
Para Castañon, o que piorou a fluidez ontem foi a falta de educação de alguns condutores, que não aguardavam o tráfego no lado direito e tentavam entrar na pista próxima ao pórtico, causando retenções em todo o campus. "É preciso, além destas mudanças, organizar o fluxo dentro do campus de modo que não permita este tipo de ultrapassagem."
De acordo com a assessoria de imprensa da UFJF, outra proposta seria transformar as avenidas Presidente Costa e Silva e José Lourenço Kelmer em mão única no sentido Bairro/Centro. Já o fluxo de chegada seria transferido para a Avenida Pedro Henrique Krambeck, ao lado da rodovia BR-440. Segundo o pró-reitor de Infraestrutura, Paschoal Tonelli, a proposta não foi aceita pela Settra.
Motoristas revoltados com situação
A Tribuna esteve na entrada do Pórtico Norte ontem em duas ocasiões distintas, pela manhã e no fim da tarde. Foi constatado que, para atravessar o campus no horário do rush, condutores chegaram a gastar 40 minutos. A fila de carros dentro da instituição ia do Pórtico Sul ao Norte, provocando indignação e impaciência entre os motoristas e a comunidade acadêmica.
"A situação é absurda. Antes, a fila de carros existia, mas era muito menor. Hoje (ontem) ela não anda. Demorei 20 minutos para vencer um trajeto que, normalmente, levaria menos de cinco", disse o taxista Silvano Fernandes, 47 anos. Outro condutor, o operador de estação elétrica Luiz Cláudio, 55, foi além e disse que estava aguardando para cruzar o campus a mais de 40 minutos. "Eles terão que rever esta situação, isso não pode estar certo."
Como a fila de veículos impactou a pista da esquerda do anel, utilizada para quem pretende permanecer no campus, diversos abusos foram flagrados. Alguns motoristas, sobretudo de ônibus, que precisavam continuar na UFJF, se arriscavam passando pela ciclovia.
"Isso é um absurdo, essa mudança estragou o trânsito. Eles conseguiram piorar uma situação que já era ruim", bradou o estudante Paulo Navarro, 19, enquanto aguardava a abertura do semáforo.
