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Duas tentativas de homicídio e tráfico no Jardim Natal

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Tentativa de homicídio em plena luz do dia mobilizou policiais e atraiu curiosos ontem
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Tentativa de homicídio em plena luz do dia mobilizou policiais e atraiu curiosos ontem

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Um mês após 150 homens da Polícia Militar ocuparem, por quatro dias, as ruas dos bairros Jardim Natal e Jóquei Clube, na Zona Norte, duas pessoas foram baleadas na região. Os crimes aconteceram no Jardim Natal, ontem e quinta-feira, em um intervalo de menos de 15 horas. A ocorrência mais grave foi registrada em via pública e à luz do dia, no final da manhã de ontem, atraindo a atenção de moradores, inclusive crianças. Pouco antes do meio-dia, um jovem de 22 anos foi atingido com tiros nas costas e no abdômen, na Rua Trajano Braz de Oliveira. Até o fechamento da edição, ele permanecia em estado grave no Hospital de Pronto Socorro (HPS), onde passou por cirurgia. A ocorrência mobilizou viaturas da Rotam, Samu e Corpo de Bombeiros.

Momentos antes de ser alvejado, o rapaz havia acabado de almoçar e teria sido chamado em casa, na mesma rua. Quando já estava na via, ele foi surpreendido pelos disparos, efetuados por dois menores de idade. Depois de receber informações sobre os suspeitos, a PM realizou buscas na região, mas eles não foram localizados.

"O crime foi motivado por um furto anterior, feito pela vítima. Ela teria furtado um par de tênis de um dos autores. Ontem, quando foi questionada sobre o furto, acabou sendo alvejada", explicou o titular da 3ª Delegacia Distrital, Rodolfo Rolli. O delegado pretende ouvir os adolescentes na segunda-feira. O comandante da 173ª Companhia da PM, tenente Luciano Fontainha, também avalia que o crime não teve ligação com a rivalidade entre grupos rivais, até porque os envolvidos moram no mesmo bairro, embora "tanto a vítima quanto o suspeito tenham histórico de brigas de gangue". Segundo a assessoria da 4ª Região da PM, o rapaz baleado cumpria liberdade provisória.

 

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Tiro no braço

Já na noite de quinta-feira, tiros foram disparados contra um pedreiro, 34, na Rua Ottávio Schettino, também no Jardim Natal. Ele relatou que estava no local, por volta das 21h30, quando desconhecidos teriam passado e atirado em sua direção.Uma das balas acertou o antebraço esquerdo da vítima. Ela foi levada à Policlínica de Benfica, onde recebeu os primeiros atendimentos, e foi transferida para o HPS, sendo medicada e liberada. Ninguém foi preso. O caso também será investigado pela Polícia Civil.

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Tráfico

Ainda ontem, quatro pessoas foram presas no Jardim Natal por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas. As prisões foram realizadas pela equipe da 3ª Delegacia de Polícia Civil, que cumpriu mandados judiciais. Os três rapazes de 18, 20 e 21 anos estariam em liberdade condicional, segundo o delegado Rodolfo Rolli. Uma jovem de 18 anos também foi presa. Junto com eles, na Rua Geraldo Scaldini Machado, foram localizados quatro pedras de crack e 150 gramas de maconha. Eles foram autuados por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Os homens foram encaminhados para o Ceresp, e a mulher, para a Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires. Um quinto traficante, que estaria com a maior parte da droga, fugiu no momento da abordagem policial.

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Avaliações após um mês de ocupação

Os dois crimes envolvendo vítimas baleadas e a prisão de traficantes no Jardim Natal reacendem a discussão sobre a violência no bairro, que, entre os dia 19 e 23 de julho, foi ocupado por 150 militares da 3ª Companhia de Missões Especiais (CME). A unidade chegou a transferir simbolicamente a sede, que fica no 2º Batalhão, em Santa Terezinha, para o terreno da caixa d’água no final da Rua Geraldo Vilella, no alto da divisa entre o Jardim Natal e o Jóquei Clube. Bandeiras foram hasteadas para simbolizar a ocupação, batizada de "Impacto seguro". Na época, os militares percorreram as ruas, promovendo policiamento preventivo e repressivo para catalogar possíveis integrantes de gangues e apreender armas.

Um mês depois da operação, a Tribuna retornou ao local e conversou com moradores, que avaliaram de forma diferente a segurança no bairro. "Não adianta a polícia ficar quatro dias e ir embora. Precisavam colocar uma base com policiais fixos noite e dia", sugere o aposentado Sebastião Erotides Martins, 65 anos. Outro morador, que pediu para não ser identificado, cobra mais policiamento para diminuir o tráfico. "Muitos adolescentes estão envolvidos. A situação não está fácil e nada melhorou após a saída da PM."Por outro lado, há quem vislumbre um novo cenário. "Hoje já vi viaturas da PM passando quatro vezes. A polícia aqui impôs muito respeito", avalia a dona de casa Ana Maria Pereira Martins, 65.

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O comandante da 173ª Companhia da PM, tenente Luciano Fontainha, informou que, até quinta-feira, o setor III da Zona Norte, que inclui o Jardim Natal e o Jóquei Clube, ficou sem registrar crimes violentos por 17 dias. "Isso é uma marca", avalia, reconhecendo a complexidade do policiamento na Zona Norte, uma região com 84 bairros e 12 distritos rurais, população de 150 mil habitantes e extensão de até 40 km de uma ponta a outra.

"Há um policial responsável para cada um dos três setores de policiamento na Zona Norte. Para cada área também existem viaturas preventivas, de atendimento de emergência policial, além dos táticos móveis atuando em horários apontados como os mais críticos pelas estatísticas. Também há atuação da patrulha rural e da de prevenção ao homicídio, que tenta quebrar o ciclo de revanchismos."

Conforme a 4ª Região da PM, "além dos esforços da própria unidade, as localidades são diuturnamente atendidas pela 3ª Companhia de Missões Especiais (CME), seja pela Rotam, Canil, Choque e Gate. Ações educativas, como o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) e o Jovens Construindo a Cidadania (JCC) também contemplam o 3º setor, na Zona Norte."

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