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Projeto avalia destreza linguística infantil

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Com apenas 1 ano e 2 meses de idade, Letícia observa a televisão com imagens aleatórias, enquanto ouve uma gravação com frases em português, cuidadosamente escolhidas por um grupo de pesquisadores da UFJF. A mãe, Mariana Schuchter Soares, acompanha a menina no atípico laboratório – com cara de brinquedoteca -, munida de fones de ouvido, para não influenciar as reações da filha. Mesmo tão nova, Letícia contribui para um dos 16 projetos desenvolvidos pelo Núcleo de Estudos em Aquisição da Linguagem e Psicolinguística (Nealp), do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Faculdade de Letras. Para que cada atividade de pesquisa possa ser validada, é preciso que, pelo menos, 20 pequenos voluntários e seus responsáveis disponibilizem cerca de 20 minutos em favor da ciência.

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Mestranda em linguística, Mariana entende a importância da participação de Letícia no projeto, que avalia a capacidade da criança em perceber certos padrões da língua portuguesa, como a existência dos gêneros masculino e feminino, por exemplo, mesmo antes de falar. Além de achar interessante, como mãe, observar as reações dela frente aos estímulos do estudo, acho válida essa contribuição com a pesquisa científica e o intercâmbio entre universidade e sociedade, comenta. A diretora do Nealp, Cristina Name, ressalta que não há caráter de avaliação individual ou intenção de diagnóstico na iniciativa. O benefício para os voluntários é indireto, pois a pesquisa a qual eles são fundamentais contribui para estudos em português, que são poucos, capazes de basear trabalhos aplicados, seja para avaliar o desenvolvimento de populações especiais ou fazer acompanhamento de alunos em escolas e creches, exemplifica.

Cristina explica que, na pesquisa em andamento atualmente, crianças entre 6 e 18 meses de idade ouvem combinações certas e erradas de artigos e palavras masculinas e femininas, por exemplo. Para avaliar se conseguem identificar que existe variação, é medido o tempo de atenção ao som a que são submetidas, já que, nesta idade, tendem a prestar atenção ao novo. A técnica foi trazida para o Brasil no início do ano por Cristina, depois de experiência semelhante durante um estágio no Canadá, em 2010. Crianças de 11 meses, que tinham o francês ou inglês como primeira língua, foram expostas por curto período ao português para que avaliássemos se elas conseguiriam perceber os padrões da nossa língua. E conseguiram. Agora, queremos saber se crianças brasileiras, expostas ao português por muito mais tempo, desenvolvem essa capacidade mais cedo ou não, comenta.

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Misturando teoria com atividades experimentais, a fim de identificar não só às características da língua, mas também aos fatores que interferem na percepção da linguagem, os pesquisadores do Nealp entendem o processo de aquisição da linguagem como algo contínuo, que perdura no adulto por meio do uso do português. Como percebemos o sentido das palavras e identificamos se trata-se de um verbo, adjetivo ou substantivo? Que pistas a língua nos dá para que, rapidamente, consigamos identificar a classe de uma palavra nova? A pesquisa supõe que seja o contorno melódico da língua. É desse ponto que o bebê, que não tem vocabulário ainda, começa, pois possui uma habilidade sutil para perceber nuances da melodia da língua, coloca Cristina. Responsáveis interessados em inscrever seus filhos em projetos do Nealp podem entrar em contato pelo e-mail nealp.ufjf@gmail.com ou pelo telefone 2102-3135.

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UFJF reúne especialistas em Congresso

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Pela primeira vez, Juiz de Fora recebe, em outubro, evento internacional sobre processos estudados pelo Nealp. O VIII Encontro Nacional sobre Aquisição da Linguagem e o II Encontro Internacional sobre Aquisição da Linguagem acontecem no campus da UFJF, entre 17 e 19 de outubro, com a participação de pesquisadores renomados da França, Canadá, Estados Unidos e Brasil. Segundo a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Linguística da universidade e diretora do Nealp, Cristina Name, serão discutidos os processos de aquisição de língua materna, língua estrangeira, linguagem de sinais, escrita e desvios de linguagem, entre outros.

Voltado para pesquisadores, professores, alunos e profissionais das áreas de linguística, psicolinguística, letras, educação, psicologia, fonoaudiologia e afins, o congresso mantém inscrições abertas até outubro. Até hoje, a taxa de participação varia entre R$ 30 e R$ 150. De amanhã a 16 de setembro, o valor varia de R$ 50 a R$ 200, e depois, de R$ 80 a R$ 250. O formulário de cadastro, programação e demais informações sobre o encontro estão disponíveis no site www.ufjf.br/enal.

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