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Automedicação pode mascarar doenças

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A aposentada N. tem 77 anos e mantém um hábito comum em muitos lares brasileiros: a "farmácia caseira". Vitaminas, antibióticos, anti-inflamatórios e medicamentos paliativos preenchem uma gaveta na cabeceira da cama. Entre todos os fármacos, alguns não podem faltar. "Buscopan, Novalgina e Epocler sempre tem. Além daqueles que compramos com receita médica e acabam sobrando, como os antibióticos." Levantamento realizado pela Tribuna em uma rede de drogarias instalada em Juiz de Fora mostra que os antigripais, analgésicos, antitérmicos, vitaminas e anti-inflamatórios são os medicamentos mais vendidos sem receita médica (ver quadro).

A responsável pelo setor de Assistência Farmacêutica da Secretaria de Saúde, Maria Jussara Tavares de Oliveira, conta que as pessoas com hábito de guardar remédios em casa precisam ter muito cuidado, principalmente com relação à validade e armazenamento dos produtos. "Podem ocorrer mudanças na química do remédio, levando a uma intoxicação no paciente." Sobre o hábito de algumas pessoas de receitá-los a terceiros, a farmacêutica diz que esta prática pode, inclusive, colaborar para piorar o estado de saúde do paciente. "Um antibiótico que foi útil para você pode não ser para outros. A bactéria pode acabar ficando até mais resistente e, quando a pessoa realmente precisar deste remédio, a dosagem deverá ser maior."

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Esta informação é reiterada pelo clínico geral Clorivaldo Rocha. Ele lembra que, desde novembro do ano passado, os estabelecimentos são obrigados a exigir receita médica ao vender antibióticos. "A Anvisa e o Ministério da Saúde têm fechado o cerco contra a prática indiscriminada de venda de remédios. Isso é positivo porque, em muitos casos, os próprios balconistas, preocupados com a comissão de venda, indicavam este ou aquele fármaco."

N. tem o costume de indicar seus medicamentos favoritos aos amigos. "Tem um novo para gases que recomendo para todo mundo. Sem contar que as pessoas já me procuram perguntando o que é bom para dor de cabeça ou resfriado." Esta atitude, de acordo com a farmacêutica, pode esconder doenças ainda mais graves, prejudicando a avaliação dos especialistas. "Algumas doentes têm alívio nos sintomas se tomam antigripais, por exemplo. Porém, eles podem estar com pneumonia."

 

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