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Falhas potencializam riscos na Avenida Brasil

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Falta faixa de pedestre na região sudeste
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Falta faixa de pedestre na região sudeste

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Porta de entrada da cidade e um corredor de tráfego importante, a Avenida Brasil oferece riscos a motoristas e pedestres. A via, que passa por cinco regiões distintas, cortando mais de dez bairros, apresenta sinalização falha e falta de padronização do seu trânsito, o que colabora para o aumento dos gargalos, sobretudo em horários de pico. Tudo isso, somado à imprudência de condutores, resulta em acidentes, desde pequenos choques mecânicos até a atropelamentos com vítimas. Durante uma semana, a Tribuna percorreu, em cinco ocasiões distintas, os 13,6 quilômetros de extensão da via, entre o Bairro de Lourdes, na Zona Sudeste, e o Bairro Cerâmica, na região Norte. Neste período, foi possível identificar diversos pontos críticos, causados, principalmente, pelo desrespeito às regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Embora a Avenida Brasil tenha um único nome, seu trânsito tem características distintas ao longo de todo o percurso, que altera desde o número de faixas, entre uma e quatro, até os sentidos de circulação: ora com mão única, ora dupla. Em muitos dos casos, como entre as pontes da Rua Halfeld e do Ladeira, na região central, o afunilamento ocorre devido ao estacionamento de automóveis. "Nos horários de pico é complicado porque o trânsito fica bastante lento. Se todas as faixas estivessem livres, o tempo de viagem seria bem menor", comentou o autônomo Ricardo Oliveira Paixão, 34 anos.

Na opinião do engenheiro especialista em trânsito Luiz Antônio Moreira, as diferenças apresentadas nos vários trechos da avenida impedem o tratamento unificado, tanto em relação a projeto de tráfego quanto de fiscalização da utilização. "Há uma melhor sinalização e fiscalização nos trechos mais carregados, onde a via opera com mão única de direção, e faltam sinalização e fiscalização mais rígida nos trechos operados em mão dupla, com áreas de estacionamento irregulares e ausência de indicação para áreas de travessia de pedestres", informou.

Para o mestre em engenharia de transportes José Luiz Britto Bastos, especialista em mobilidade urbana, estas falhas ocorrem porque a avenida foi sendo construída aos poucos, e as adequações feitas de acordo com a necessidade momentânea de cada segmento. "Podemos dizer que o trecho que hoje se encontra em funcionamento mais se parece com uma ‘colcha de retalhos’. Ou seja, a via foi sendo criada, porém se esqueceram de dar forma adequada a ela. A Avenida Brasil sempre quis ter a pretensão de funcionar como uma ‘via de trânsito rápido’ (de trânsito livre, sem interseções, semáforos e travessias de pedestres), mas absolutamente não é, e jamais poderia ser. Hoje a Avenida Brasil é, na verdade, uma ‘via arterial’ (com semáforos, interseções e acesso às vias secundárias)."

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Falta segurança para pedestres

A ausência da padronização em toda a extensão da Avenida Brasil abre margem para as imprudências cometidas pelos condutores, deixando os transeuntes em risco. Tal situação pode ser observada, por exemplo, na Zona Norte. Entre os bairros São Dimas e Cerâmica, dezenas de veículos param em fila dupla nas calçadas, obrigando as pessoas a andarem sobre o asfalto, em um trecho onde a velocidade dos automóveis ultrapassa os 60 km/h.

Na outra ponta da avenida, na região Sudeste, o risco torna-se evidente para quem segue a pé. Entre o início da via, no Bairro de Lourdes, até a Ponte Nelson Silva, altura do Poço Rico, não existem faixas de travessia para pedestres, embora haja quatro pontos de ônibus, em cada lado, instalados nesta área. "Aqui não tem radar, e os carros abusam. Atravessar é sempre um perigo", disse a aposentada Arlete Silva, 62, moradora do Bairro Santo Antônio.

Neste mesmo trecho, em frente à Regional Leste, onde acidentes de trânsito ocorrem com frequência, a imprudência dos motoristas pode ser observada a todo o momento. Condutores que seguem em direção à ponte não respeitam a fila de carros e caminhões que esperam a oportunidade para passar pela estrutura. O resultado é um nó no trânsito, que prejudica a fluidez na avenida.

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Em outros pontos, a velocidade acima do permitido e trocas de faixas de circulação em áreas proibidas são situações facilmente identificadas. Além disso, tanto na Zona Norte, como na região central, a concentração de carros parados, até mesmo em pontos de ônibus, atraídos, principalmente, pela presença de oficinas mecânicas, atrapalha o tráfego e coloca os usuários do transporte coletivo em risco.

Conforme o mestre em engenharia de transportes José Luiz Britto Bastos, especialista em mobilidade urbana, a avenida é mal sinalizada, inacabada e sem calçadas adequadas. "É uma via que praticamente não tem proteção para o trânsito de pedestres e bicicletas. Pior ainda, não é devidamente fiscalizada. É uma via de grande capacidade que deveria ter a vocação para absorver fluxos infinitamente superiores aos que se dispõe a atender na atualidade."

De acordo com a subsecretária operacional de Transporte e Trânsito, Iza Machado, como a via é extensa, a infraestrutura urbana encontrada ao longo do caminho é diferenciada e, por isso, o trânsito é distinto. Sobre a falta de fiscalização, Iza explicou que o atual contingente, com cerca de 40 agentes de trânsito, impede fiscalizações regulares ou contínuas nas vias da cidade, embora o trabalho seja feito quando solicitado.

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Intervenções

Atualmente a Avenida Brasil passa por obras de recapeamento do asfalto, realizada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura do Transporte (Dnit). No entanto, alterações de trânsito devem ocorrer apenas com a finalização das duas pontes, em fase de obras: em frente ao Terreirão do Samba e na altura do Clube Tupynambás.

 

Binário

Ambos os especialistas ouvidos pela Tribuna defendem que a Avenida Brasil se transforme em um binário, entre as duas extremidades. Segundo Luiz Antônio, existe um projeto na Settra sobre este assunto, direcionando cada margem do Rio Paraibuna para um sentido de direção para o tráfego. "Com reforço da sinalização de regulamentação do tráfego e maior fiscalização por parte do Poder Público, a operação desta importante via seria mais eficiente."

Segundo a subsecretária operacional de Transporte e Trânsito, Iza Machado, o projeto do binário existe, "mas depende da execução de várias pontes". A previsão da Settra é que duas delas (Praça dos Poderes e próximo ao Tupynambás) estejam prontas até o fim do ano, possibilitando a implantação única neste trecho, em ambos os lados. Iza informou que este projeto já está sendo elaborado e prevê o aumento da fluidez na avenida, aumentando também o volume de veículos.

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