
A trégua na greve dos caminhoneiros anunciada pelo Governo federal, na noite desta quinta-feira (24), após sete horas de reunião com representantes do movimento, ainda não refletiu na desmobilização dos motoristas. Em Juiz de Fora, a paralisação segue no km 780 da BR-040, próximo ao entroncamento com a BR-267, onde os caminhoneiros se concentram desde segunda-feira. De acordo com os motoristas, eles não irão se desmobilizar enquanto suas pautas não forem atendidas. No local, foi montada uma tenda onde são preparados alimentos. Há ainda um banheiro químico.
“Está tudo igual. Esses presidentes de sindicatos não nos representam. Porque aqui nós não temos sindicato. Aqui é uma greve independente. Os nossos verdadeiros representantes que foram negociar com o governo não foram recebidos. O que foi dito lá ontem não atendeu em nada o que a gente queria”, relatou à Tribuna o caminhoneiro Fabiano da Silva.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que, às 9h30, 60 pontos de estradas federais em Minas ainda permaneciam com paralisação de caminhoneiros, com restrição de circulação apenas dos veículos de carga. Na BR-040, além de Juiz de Fora, há mobilização em Matias Barbosa (km 807), Barbacena (km 699), Carandaí (km 668), Conselheiro Lafaiete (km 627), Congonhas (kms 602 e 618), Ribeirão das Neves (kms 510 e 511), Caetanópolis (km 448) e João Pinheiro (km 145).
Carga viva, hospitalar e remédios são liberados
Segundo Fabiano da Silva, no ponto de bloqueio montado em Juiz de Fora, os manifestantes liberam caminhões que transportam carga viva, remédios e materiais hospitalares, mediante a apresentação de notas fiscais da carga. Em conversa com alguns motoristas que trafegavam com esse tipo de produto pela BR-040, na manhã desta sexta-feira, a reportagem constatou que realmente há a liberação dos veículos.
O motorista Cleiton Silva estava transportando remédios e insumos hospitalares, de Cataguases para Lima Duarte e Carmo de Minas. Ele garantiu que, devido ao tipo de carga que transporta, não sofre qualquer tipo de impedimento.
Bagageiros de ônibus são fiscalizados
No ponto de concentração de motoristas no Km 778 da BR-040, altura da entrada do Distrito Industrial, Zona Norte, os caminhoneiros estão vistoriando os bagageiros de todos os ônibus de viagem que passam pelo local nos dois sentidos da rodovia. Segundo os manifestantes, há a informação de que os ônibus estariam carregando cargas para mercados e outros setores, inclusive alguns deles teria abastecido um atacadista de Juiz de Fora. Os caminhoneiros disseram que aqueles que forem flagrados, serão parados e impedidos de seguir viagem.
Motoristas de van escolares prestam solidariedade
A movimentação em favor da greve dos caminhoneiros começou cedo em Juiz de Fora. Desde as 7h desta sexta-feira, cerca de 50 vans escolares se reuniram no Terreirão do Samba, região Central. Mais de cem pessoas ficaram concentradas no local, de onde saíram por volta das 9h em direção à BR-040. Os manifestantes realizam uma carreata pelas avenidas Rio Branco e Itamar Franco até a rodovia. O objetivo é entregar mantimentos aos caminhoneiros grevistas.
Segundo o presidente do Sindicato de Transporte Escolar de Juiz de Fora (Sintejur), José Murilo Giotti, a mobilização foi mantida mesmo após a proposta de trégua da greve por parte do Governo Federal. Eles defendem que a redução no preço do combustível atinja também outros produtos “Não existe isso de trégua, o movimento vai continuar. O governo só mexeu no diesel, mas e os outros combustíveis, como etanol e gasolina?”, questiona.
Para a motorista de transporte escolar Carla Costa, a mobilização é uma das formas de pressionar o governo a mudar a política de preços dos combustíveis. Segundo ela, a nova precificação provoca riscos de prejuízo para os transportadores escolares. “É desesperador. Quando você firma um contrato, você não pode alterar. Antigamente o preço mudava duas vezes, agora é quase que semanalmente. Enquanto a bomba vive subindo, o contrato segue o mesmo. Não sei até quando vou conseguir trabalhar.”
Mobilizações seguem nas estradas federais em MG
Na BR-050, os caminhoneiros seguem mobilizados em Araguari, Delta, Uberlândia e Uberaba. A BR-116 apresenta manifestações na altura de Cachoeira de Pajeú, Teófilo Otoni, Governador Valadares, Inhapim, Manhuaçu, Muriaé, Leopoldina e Além Paraíba. Na BR-153, as interdições acontecem em Frutal e Prata.
A BR-251 tem pontos de aglomeração de caminhoneiros em Montes Claros. O mesmo acontece na BR-262, na altura de Reduto, Juatuba, Igaratinga, Luz, Ibiá e Araxá. Na BR-365, os pontos afetados são em Montes Claros, Patrocínio, Monte Alegre de Minas, Ituiutaba e Santa Vitória. Na BR-356, há retenção apenas no município de Muriaé.
Já a Fernão Dias (BR-381), que liga Belo Horizonte a São Paulo, é uma das que mais apresenta pontos de paralisação dos caminhoneiros: Belo Oriente, Ipatinga, João Monlevade, Betim, Igarapé, Oliveira, Perdões, Lavras, Carmo da Cachoeira, Três Corações, São Gonçalo do Sapucaí, Pouso Alegre e Itapeva.

