Políticas públicas aplicadas no combate às drogas, além de temas relacionados a saúde, educação, segurança e métodos de prevenção serão abordados no IV Congresso Internacional Sobre Drogas, que acontece em Juiz de Fora na segunda e na terça-feira da próxima semana. Com a temática Diálogos interdisciplinares em álcool e outras drogas, o evento será realizado no anfiteatro do Instituto de Ciências Humanas (ICH) da UFJF, por meio do Centro de Pesquisa, Intervenção e Avaliação em Álcool e outras Drogas (Crepeia) da instituição. Temas da atualidade entrarão em discussão, como crack, internação compulsória e prevenção de recaídas. De acordo com a assessoria da UFJF, as inscrições já estão esgotadas, mas a organização do evento disponibilizou uma lista de espera para o preenchimento de interessados, caso haja desistência.
As discussões serão confrontadas por professores, pesquisadores e palestrantes de universidades brasileiras, como Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal de Viçosa (UFV) e UFJF, e também internacionais, representadas pela University of Washington e pela University of Kansas, ambas norte-americanas. Entre os principais nomes que vão marcar presença no congresso está a pesquisadora Sarah Bowen, da Washington University, uma das mais importantes cientistas na área de álcool e outras drogas. Em entrevista à Tribuna, Sarah contou um pouco sobre o trabalho desenvolvido por meio de terapia cognitivo-comportamental (Mindfulness-based Relapse Prevention – MBRP), que se baseia em práticas voltadas para a dependência química extraídas da psicologia ocidental tradicional e oriental. Existe hoje, em muitas culturas, uma crescente ênfase nos tratamentos médicos e punições ao lidar com o vício, mas é perigoso ignorar a forte evidência da eficácia sustentada pelo tratamento psicossocial, defende.
Em sua pesquisa, desenvolvida com base em abordagens psicoeducacionais, Sarah explica que pacientes submetidos à terapia MBRP por oito semanas respondiam de forma diferente aos sintomas depressivos. Quando a depressão era sentida, ela não era seguida por uma resposta de ansiedade. Contudo, segundo ela, aqueles que participavam do processo de recuperação tradicional mantiveram os sintomas da depressão e da ansiedade intimamente ligados. O que os resultados deste estudo sugerem é que, enquanto a tristeza e a depressão ainda podem ocorrer, o treinamento da plena consciência pode ajudar esses indivíduos a quebrarem a resposta habitual de desejo por álcool e drogas para avaliar os sintomas, explica.
