
Os delegados disseram apostar no fim das atividades ilícitas do grupo
A Polícia Civil de Juiz de Fora decretou ontem o fim da quadrilha conhecida como "Bonde do Scooby", que aterrorizava moradores da região do Bairro Santa Cruz, na Zona Norte. Durante uma operação policial naquela área, seis homens foram presos e dois adolescentes, de 16 e 17 anos, apreendidos. Eles são suspeitos de integrar o bando que, há cerca de cinco anos, tem envolvimento com crimes de homicídio, tentativas de homicídio, tráfico de drogas, assaltos e arrastões em estabelecimentos comerciais. Só de assassinatos existem, pelo menos, quatro inquéritos, que investigam o envolvimento de suspeitos do grupo.
Na apresentação dos jovens à imprensa ontem, também estavam outros cinco envolvidos na quadrilha que já haviam sido presos anteriormente e se encontram acautelados no sistema prisional da cidade. O delegado Carlos Eduardo Rodrigues, responsável pela investigação, afirmou que, com essas prisões, o grupo foi desarticulado: "Isso vai representar a volta da tranquilidade para aquela comunidade, que, há tempos, sofria com a ação desses criminosos." A ação foi batizada com o nome de "Ponto final 733", em referência à última parada da linha do coletivo do Santa Cruz onde o bonde se reunia. Trinta policiais da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil participaram da operação, capitaneada pela 3ª Delegacia, responsável pela apuração de crimes na Zona Norte. Foram cumpridos oito mandados de prisão e 11 de busca e apreensão expedidos pelo juiz José Armando Pinheiro da Silveira.
Além dos delitos já citados, os seis homens presos e os adolescentes apreendidos são suspeitos de participação no homicídio de Asley Cristian dos Reis, 28, espancado e ferido na cabeça, no dia 21 de fevereiro deste ano, durante o carnaval, no Bairro São Damião, também na região Norte. Ele foi encontrado pela Polícia Militar, caído em via pública, com trauma cranioencefálico grave. A vítima ficou internada no HPS e morreu em 2 de março. O laudo de necropsia de Asley apontou que sua morte se deu em função de politraumatismo. Conforme Carlos Eduardo, os suspeitos vão responder por crime de homicídio e foram conduzidos para o Ceresp, para cumprir prisão temporária. Já os adolescentes foram ouvidos e liberados. Um deles, entretanto, teria confessado seu envolvimento no homicídio, o que pode resultar no pedido de seu acautelamento à Vara da Infância e Juventude.
Um dos suspeitos, para o qual havia mandado de prisão em aberto, não foi localizado. No entanto, na casa dele, apreenderam uma porção de maconha e nove munições de calibre 380. A polícia ainda vai tentar localizar uma arma de fogo, que seria utilizada pelo grupo. Conforme o delegado Carlos Eduardo, apesar de a polícia já trabalhar há algum tempo para desarticular o bonde, as investigações que culminaram com as prisões de ontem tiveram início há 30 dias. Durante este tempo, os policiais tiveram acesso ao material utilizado pelos jovens na internet, para fazer apologia ao crime e às ações do Bonde do Scooby. São vídeos postados nas redes sociais, com os suspeitos portando armas e incitando a violência. "As imagens eram utilizadas com a finalidade de aterrorizar a comunidade, incentivar rixas e mostrar o poder, que eles supunham ter, para as outras galeras", ressaltou a delegada Ângela Fellet, que também comandou as ações. "Graças ao juiz José Armando da Silveira e ao promotor Otônio Ribeiro Furtado, que trabalharam para dar celeridade aos pedidos de liberação de mandados de prisão e de busca e apreensão, tivemos êxito em dar fim a este grupo. Com certeza, a sociedade, sem a ameaça que a existência dessa quadrilha representava, vai se sentir mais segura", concluiu o delegado Carlos Eduardo, destacando que outras gangues que atuam na Zona Norte já foram identificadas e vão estar na mira de novas ações policiais.
Ações violentas se arrastaram por anos
As ações do Bonde do Scooby têm sido noticiadas pela Tribuna ao longo dos anos. Em maio de 2011, proprietários, funcionários e clientes do comércio, no Bairro Santa Cruz, denunciaram o medo dos arrastões que eram promovidos na Avenida Doutor Simeão de Faria, inclusive com ocorrência de disparos de arma de fogo. De acordo com lojistas, a ação dos infratores não tinha dia e nem hora determinados para acontecer, assustando a população, que era surpreendida com ameaças, agressões e assaltos. Já em setembro de 2010, o espancamento de um jovem, de 18 anos, nas dependências de uma instituição de ensino, chocou a comunidade.
A vítima foi agredida, pisoteada e apedrejada por rapazes que seriam integrantes do bonde. Segundo a ocorrência registrada pela Polícia Militar, o jovem, morador do São Judas Tadeu, jogava bola na quadra de esporte, quando foi surpreendido e cercado por um grupo rival formado por moradores do São Damião. Ele desmaiou após ser atingido por uma pedrada na cabeça e receber pisões na face, além de socos e chutes.

