
Na Santo Antônio, blocos intertravados estão sendo colocados no trecho entre a Marechal Deodoro e a
A retirada das pedras portuguesas das calçadas da Rua Santo Antônio ainda causa polêmica. Desta vez, leitores da Tribuna questionam o destino deste calçamento, que está sendo trocado pelos blocos intertravados, com concreto antiderrapante e piso tátil. Algumas pessoas sugerem que as pedras sejam colocadas em outros locais públicos, onde o piso está em condições precárias.
Na Praça Jarbas de Lery Santos, do Bairro São Mateus, por exemplo, no trecho ao lado da Rua Manoel Bernardino, há mais de dez buracos ocasionados pelo descolamento das pedras. A população reclama da manutenção precária e teme acidentes no local. "Tenho visto pessoas idosas e mulheres com carrinhos de bebês com dificuldade de passar por aqui. A calçada está desnivelada, e as pedras também estão irregulares", disse o professor André Rocha. Na parte alta da Rua Halfeld, no Centro, algumas pedras também estão soltas, sendo alvo para tombos de pedestres.
Um morador do Poço Rico, que preferiu não se identificar, denuncia o descarte irregular desses materiais. "Conversei com os funcionários que trabalhavam na Santo Antônio, e eles me contaram que o material estaria sendo jogado fora. E que, se eu quisesse uns seis sacos, eles me arrumavam." O homem questiona o não reaproveitamento das pedras em praças e ruas da cidade. No entanto, a assessoria de comunicação da Secretaria de Obras garante que as pedras portuguesas retiradas das calçadas da Santo Antônio, que têm condições de serem reaproveitadas, estão sendo guardadas em um depósito da pasta e serão reutilizadas em outros pontos onde já há este tipo de calçamento, refazendo trechos onde há falhas no piso, como na Praça de São Mateus. A respeito da denúncia de repasse dos materiais a populares, a assessoria afirmou que a ação não é permitida e que a fiscalização do órgão irá entrar em contato com a empresa responsável pela execução do serviço para apurar os fatos.
Recursos
A obra está sendo realizada com recursos da Prefeitura, mas alguns proprietários de imóveis da rua tiveram que contribuir com os trabalhos. A assessoria de comunicação da Secretaria de Atividades Urbanas (SAU) informou que, como a responsabilidade de manutenção e conservação das calçadas é dos donos dos imóveis, nas edificações onde o calçamento necessitava de recomposição parcial ou total, foi negociado um contrato com os responsáveis para a melhoria, com a contrapartida de 30% do valor do serviço naquele trecho. Nos locais onde as calçadas estavam intactas, o valor gasto foi incluído no custo geral da obra de remodelação. O Hotel Constantino, que fica na Rua Santo Antônio, teve a calçada modificada na semana passada, com a contribuição do próprio estabelecimento. "Valeu o investimento, foi excelente. Aquele visual antigo já era", declara o gerente Antônio Carlos Steinbach.
Material escorregadio
A calçada portuguesa, como o nome indica, surgiu em Portugal, em meados do século XIX. No Brasil, o uso teve início em projetos paisagísticos, como o calçadão da Praia de Copacabana. O arquiteto e urbanista Bruno Sarmento afirma que, em Juiz de Fora, há predomínio do uso das pedras portuguesas. Mas, segundo ele, como a topografia da cidade é acentuada e o material é escorregadio, a utilização pode ser um fator de risco. Ele afirma que, em algumas regiões do município, houve, inclusive, a substituição destas pedras por conta da inclinação do terreno, como na Rua Espírito Santo esquina com a Avenida Rio Branco. Bruno aponta outro problema para o uso deste tipo de calçamento. "A pedra é cara e, cada vez mais, difícil de ser encontrada, principalmente a branca." Para ele, o novo piso da calçada da Santo Antônio traz benefícios, por ser antiderrapante, mais fácil de ser encontrado e, ainda, pela facilidade de manutenção. "Apesar de esteticamente agradar mais, as pedras portuguesas requerem uma mão de obra mais específica para os serviços de conservação", diz Bruno.

