
Pedestres se sentem inseguros na travessia
As mudanças no trânsito da Avenida Rio Branco, que fazem parte da reestruturação urbanoviária da via, continuam a trazer insegurança para pedestres e motoristas. A implantação, no início do mês, de quatro semáforos no cruzamento com a Rua Afonso Pinto da Mota, para permitir a conversão dos ônibus que seguem sentido Manoel Honório/Bom Pastor para a Avenida Getúlio Vargas, é um dos pontos criticados. As pessoas que querem atravessar a avenida neste trecho, precisam acompanhar cuidadosamente o temporizador para pedestre implantado no local, onde existem três faixas de ônibus – uma seguindo no sentido Centro/bairro e duas na direção bairro/Centro, sendo uma delas destinada aos coletivos que vão fazer a conversão para a Afonso Pinto da Mota. "Se a gente bobear, não vê que, apesar de um ônibus estar parado, na faixa logo atrás os coletivos estão seguindo normalmente. Corremos risco de atropelamento", afirmou a estudante Cátia Alves.
Representantes do Sindicato do Trabalhadores do Transporte Coletivo confirmam a situação de insegurança. "Com essa mudança, piorou muito. Passamos debaixo do sinal já com o pé no freio", disse o motorista Eloir Cláudio Lopes. Os trabalhadores alegam também que estão com visibilidade prejudicada ao fazerem a conversão em direção à Getúlio Vargas. "A curva é muito fechada, e fica difícil desviar do pedestre, ainda desatento neste trecho. Se morrer alguém, a culpa ainda é do condutor que fica com a ficha suja", comentou o motorista Carlos Alves. A categoria reclama ainda que o trecho onde foram implantadas três pistas é muito estreito, e os veículos têm, inclusive, encostado nos novos canteiros. A Tribuna verificou marcas de pneus na estrutura, que também tinha pedaços quebrados.
O presidente da Associação dos Usuários de Transporte Coletivo Francisco Anísio argumenta que as mudanças apenas transferiram os problemas de lugar. "Quando fecharam a entrada da Getúlio e "arrastaram" o ponto da Halfeld mais para perto da Afonso Pinto da Mota, apenas mudaram o gargalo do trânsito. E ainda tem o problema das ruas centrais serem estreitas, dificultando ainda mais a situação", declarou .
A assessoria de comunicação da Settra informou que acompanha, nesses primeiros dias, o funcionamento dos semáforos neste cruzamento, fazendo os ajustes necessários. A pasta informa ainda que as mudanças visam a aumentar a fluidez dos ônibus na Rio Branco, o que deve ocorrer de forma progressiva. A lógica de distribuição do espaço utilizada neste ponto foi a mesma observada em outros trechos da avenida, onde já circulavam três ônibus paralelamente. Outra observação refere-se à presença dos temporizadores para pedestres, que devem ser respeitados. Ainda de acordo com a Settra, antes das mudanças, foram realizados testes, inclusive para checar o raio de conversão dos ônibus da Rio Branco para a Afonso Pinto da Mota. A secretaria declara ainda que desconhecia as reclamações do Sindicato do Trabalhadores do Transporte Coletivo, já que não recebeu nenhum questionamento oficial da classe.

