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JF enfrenta pior surto de dengue

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Juiz de Fora enfrenta a maior epidemia de dengue de sua história. Se os números por si só já assustam, quando comparados com anos anteriores é possível verificar a gravidade da situação. O número de casos nos dois primeiros meses deste ano é 19 vezes maior que os notificados no mesmo período de 2010, quando houve a última grande epidemia. Em 26 de fevereiro de 2010, havia 125 casos notificados e nenhuma morte. Neste ano, já são 2.553 casos e oito óbitos, sendo um ainda em investigação (ver quadro abaixo; clique para ampliar). A explosão de casos em fevereiro foge do padrão histórico, quando o pico costuma ocorrer em abril. Conforme o subsecretário de Vigilância em Saúde, Rodrigo Almeida, “a incidência começou agora, mas o pico ainda não veio”.

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A professora de virologia do Departamento de Parasitologia, Microbiologia e Imunologia da UFJF, Betania Drumond, explica que, observando o histórico de surtos da doença, sempre que há uma epidemia, o número de casos cai nos anos seguintes e volta a subir. “O que acontece quando pegamos gráficos do Ministério da Saúde de 1990 para cá é que esse intervalo entre epidemias era maior. Demorava mais tempo para a epidemia voltar. Agora, os intervalos estão mais curtos. Também é observado que a epidemia volta sempre maior que a última.” Ela acredita que a situação pode ser atribuída à redução no combate ao vetor, o mosquito Aedes aegypti. “Anteriormente, poderia ser uma diminuição de campanhas, o que não acontece mais já que as campanhas são recorrentes. Mas as pessoas quando não veem óbitos ou pessoas próximas contraindo a doença relaxam no cuidado.”

[Relaciondas_post]Junto com um grupo de pesquisadores, a docente irá estudar os vírus da dengue em circulação na cidade. “Vamos pegar amostras de pacientes graves, ver o vírus que vem causando a infecção, verificar se houve mudança ou mutação no genótipo e testar laboratorialmente para ver se são mais virulentos.”

 

Mudanças no inseticida

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Questionado sobre possíveis falhas no combate ao mosquito no decorrer do ano passado para esse ano, o subsecretário Rodrigo Almeida afirma que o trabalho de campo foi feito devidamente. No entanto, pode ter ocorrido falha no inseticida, que foi trocado pelo Ministério da Saúde em todo país. “Essa troca é normal e decorre da questão de resistência do vetor. No entanto, os inseticidas anteriores eram mais potentes e matavam as larvas. Agora não mata, mas gera uma deficiência biológica no mosquito. Outra questão é a forma de tratamento. Antes o inseticida podia ser usado como preventivo. Agora, apenas pode ser aplicado em locais com possíveis focos. É importante esclarecer que o Município não detém autorização para aquisição dos produtos. Utilizamos o que é preconizado pelo Ministério da Saúde.”

Sobre as mortes, o subsecretário enfatiza que ocorreram, em sua maioria, em idosas, que já possuem outras doenças que influenciam na evolução da dengue e dificultam o tratamento. Almeida ainda lembra que há duas novas doenças, que não existiam em anos anteriores. “Todas as autoridades estão verificando um volume grande de zika vírus na população, que só tem a investigação aprofundada em grávidas, em decorrência da microcefalia. Em período de alta transmissão, como estamos, tratamos todas as doenças como dengue porque é a pior.”

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Necessidade de manter estoque de plaquetas

O aumento no número de notificações de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti e a confirmação de sete mortes por dengue grave e uma sob investigação na cidade têm levantado questões sobre a doação de plaquetas, célula do sangue responsável por impedir a continuidade de um sangramento no organismo. A presença delas nos hemocentros está intimamente ligada à doação de sangue, ou seja, se há baixa no estoque de sangue, há redução em todos os hemocomponentes: plaquetas, hemácias, plasma e crioprecipitado. Até ontem, o estoque de sangue na unidade do Hemominas em Juiz de Fora operava 30% abaixo do ideal para grupos negativos, enquanto o dos positivos se aproximava do nível ideal.
“Isto não quer dizer que as pessoas não precisam mais doar, pois, como trabalhamos em rede em todo o estado, nosso estoque muda frequentemente”, alerta a chefe do Setor de Captação do Hemominas, Lidiane Laroca. Ela conta que os casos de dengue, sobretudo na modalidade grave da doença, têm motivado as pessoas a fazerem a sua doação, mas o comparecimento à unidade não está nem perto do ideal. “Para manter nosso estoque em funcionamento, independente da demanda, precisamos de 160 comparecimentos diários. Hoje, não chegamos a 130. A população precisa se conscientizar sobre a doação de sangue e entender que ela é um ato de cidadania. As pessoas só começam a doar quando alguém próximo a elas necessita.”

Conforme explica a médica hematologista e gerente técnica do Hemominas de Juiz de Fora, Andrea Nicolato, a transfusão de plaquetas em paciente com dengue grave só ocorre quando ele apresenta baixa de plaquetas associada a sangramento ativo, seja pelo nariz, pelo tubo gástrico ou pelo sistema nervoso central. “Não é indicada de forma profilática, pois a dengue pode causar duas reações no organismo. A primeira é a coagulação intravascular disseminada (CIVD), devido ao consumo das plaquetas no corpo, e a segunda é a autoimune, quando o próprio organismo cria anticorpos para combater as plaquetas.”

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A médica ressalta que, em virtude da epidemia de dengue na cidade, boa parte dos potenciais doadores pode estar com a doença. “Isto também impacta em nosso estoque, pois, além de atender aos casos de dengue grave, as plaquetas são destinadas a pacientes transplantados, com leucemia e que se recuperam de cirurgias cardíacas.” Quem for diagnosticado com dengue clássica, deve aguardar 30 dias para realizar uma doação no Hemominas. Já para a dengue grave, o período de espera é de seis meses.

Doação

A doação de plaquetas no Hemominas acontece por meio de três mecanismos: a doação comum (randômica), o pool de plaquetas e o plaquetaférese. O pool de plaquetas consiste em reunir plaquetas de cinco doadores do mesmo grupo sanguíneo, provenientes da doação comum, e encaminhar ao paciente que necessita. Já em casos de plaquetaférese, o procedimento é diferente. Apenas um é suficiente e, no momento da doação, os outros hemocomponentes são devolvidos ao voluntário.

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Para este procedimento, é necessário agendamento prévio pelo telefone 3257-3172. Para realizar a doação pela modalidade aférese, além de atender aos requisitos para a doação comum, o candidato ainda precisa se ater a outras especificidades, como ser do sexo masculino e já ter realizado uma doação (sangue ou plaqueta), em qualquer unidade do Hemominas, no período de um ano. A preferência por homens, neste caso, se dá para evitar a Trali (Lesão Aguda Pulmonar Relacionada à Transfusão), uma reação transfusional grave no paciente que recebe a doação. Isso pode ocorrer pois a Trali seria a presença de anticorpos no plasma do doador e doadoras do sexo feminino.

 

 

 

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