A readequação da malha aérea, em decorrência do encerramento das operações da Voepass – suspensa pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) após o grave acidente no ano passado -, pode, de fato, ter contribuído para a redução no fluxo de passageiros no Aeroporto Regional Presidente Itamar Franco, mas espera-se que, a partir de maio, quando a Latam retomará seus voos, a situação volte aos patamares anteriores. Em 2025, como apurou a repórter Sandra Zanella, houve uma queda de 30% no fluxo de passageiros.
De acordo com a concessionária do terminal aéreo, entre as cidades de Goianá e Rio Novo, entre janeiro e dezembro de 2025, foram realizados 1.652 voos comerciais. O número ficou 47,9% abaixo das 3.172 frequências da aviação em 2024. É necessário destacar que a empresa Voepass respondia por 39% dessa oferta.
Idealizado pelo ex-presidente Itamar Franco e construído na primeira gestão do governador Aécio Neves, o aeroporto fez parte de dois projetos cujo objetivo era incentivar o desenvolvimento da Zona da Mata. O outro foi o Expominas, também concluído na gestão tucana. O centro de convenções ainda é um desafio para o Estado, por questão de gestão. As várias tentativas não deram certo, embora as apostas para o seu incremento estejam à mesa. Precisa, porém, de um acesso sem a utilização da BR-040, por mera questão de segurança.
O aeroporto é uma realidade, mas ainda carece de ações que podem melhorar ainda mais o seu desempenho. A classificação de terminal industrial está sob discussão há anos, mas o acesso é um dos entraves. A MG-353 precisa de profunda reforma, a fim de facilitar a passagem em segurança de veículos de grande porte. Hoje, além dos inúmeros, e necessários, quebra-molas, não tem áreas de escape e precisa de duplicação. O programa de recuperação de rodovias criado pelo Governo de Minas ainda não a contemplou.
Em maio de 2025, por iniciativa da Prefeitura Municipal, Juiz de Fora sediou o primeiro encontro de lideranças da Zona da Mata, que teve o aeroporto como pauta principal. Ficou decidido que uma comissão iria trabalhar diretamente com o Governo estadual para a implementação de medidas para o acesso. O resultado ainda não veio, e seria interessante que os participantes desse grupo apresentassem um relatório do que foi feito e o que ainda é possível fazer.
A prefeita Margarida Salomão (PT), por seu turno, abriu nas próprias empresas aéreas uma discussão sobre a retomada da linha com Belo Horizonte, que já foi operada no aeroporto e com lotação garantida. A despeito dos esperados investimentos na BR-040, agora sob nova concessão, uma viagem para BH pelo modal aéreo certamente teria demanda.

