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Buracos se agravaram nas ruas após chuvas do final do ano

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As fortes chuvas que caíram sobre a cidade, nos últimos dias de dezembro, deixaram estragos que ainda atormentam os juiz-foranos. De Leste a Oeste e de Norte a Sul, ruas com buracos são encontradas em todas as regiões do município. São crateras que testam a habilidade e a paciência dos motoristas e pedestres a fim de transpô-las. Ruídos nos veículos, seja na suspensão, carroceria ou descarga e defeitos nas suspensões dianteira e traseira, no balanceamento e alinhamento, rodas empenadas e pneus cortados estão entre prejuízos que mais chegam para reparos nas oficinas da cidade devido à irregularidade da massa asfáltica.

Com ideias inusitadas, moradores alertam condutores para perigo na pista, na Rua Américo Luz, no Manoel Honório, na Zona Leste (Foto: Olavo Prazeres)

Na tentativa de amenizar o impacto dos veículos, em algumas ruas, os moradores preenchem o buraco com restos de material de construção e outros tipos de sobras. A medida ajuda, mas nada resolve já que o próprio peso dos automóveis, caminhões e ônibus retira o entulho depositado com o passar do tempo, deixando o buraco exposto novamente. Em outros locais, a alternativa tem sido alertar os condutores com galhos de árvores, pneus, pedaços de pau com tecido pendurados e até carrinho de bebê velho, como foi flagrado pela Tribuna, na Rua Américo Luz, no Bairro Manoel Honório, na Zona Nordeste.

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“Pagamos nossos impostos na expectativa de ter um asfalto digno para trafegar. Mas, infelizmente, isso está cada vez mais difícil em Juiz de Fora. A Rua Américo Luz tem um fluxo grande de veículos e é vergonhoso estar desse jeito”, indigna-se o morador Pablo Vieira, 37 anos.

Em outro ponto da cidade, no Vitorino Braga, na região Leste, uma das mais afetadas com as chuvas do dia 24 de dezembro, quando foram registradas 74 ocorrências pela Defesa Civil, o morador Jadir José Frizeiro, 60, comentou sobre a cratera na frente da sua garagem, na Rua Vitorino Braga, que o obrigou a deixar seus carros na rua por vários dias. “Eu tenho três veículos, e eles precisaram ficar na rua, porque não dava para entrar na garagem. A situação é grave, pois há o risco de desabar o resto de asfalto”, lamenta, afirmando: “Quando passa ônibus e caminhões por aqui, toda a minha casa treme, porque está uma calamidade este asfalto.”

No Linhares, na mesma região, onde diversas vias ficaram intransitáveis por conta da concentração de lama e entulho e residências e estabelecimentos comerciais foram invadidos pelas águas, em decorrência da chuva da véspera de Natal, um buraco ainda podia ser visto este mês na esquina da Rua Joaquim Loures da Silva com Doutor Moacyr Castro Xavier. Um cabo de madeira com um pano vermelho alertava motoristas sobre a existência da abertura na via. “Os residentes já encheram de entulho numa tentativa de solucionar, mas nada resolve”, afirma José das Graças dos Santos, que mora no local há 26 anos. “Nunca vi nosso bairro em uma situação tão precária. É triste ver o abandono”, lamenta.

Buraco desafia motoristas, na Rua Barão de São Marcelino. no bairro Alto dos Passos, na Zona Sul (Foto: Olavo Prazeres)

Na Zona Sudeste, uma cratera foi encontrada pela reportagem na Rua Henrique Novais, no Bairro de Lourdes. Ela ocupava quase um dos lados da pista, obrigando os veículos a trafegarem na contramão. “É um buraco profundo. Se a roda de um automóvel cair ali, vai dar trabalho para tirar, sem falar no prejuízo que vai ser”, enfatiza o residente Sandro Alves, 31. Na Zona Norte, ao longo da extensão da Avenida Vereador Raymundo Hargreaves, que dá acesso ao Bairro Fontesville e a diversas granjas, vários pontos necessitavam de reparos. “Depois dessas últimas chuvas, a situação piorou. Alguns buracos já estão aqui há mais de três meses. É um desafio e um risco para os condutores. A Prefeitura esteve aqui há pouco tempo, e alguns buracos foram tapados, mas outros foram deixados para trás. Precisamos de atenção das autoridades”, diz o morador Laerte de Oliveira.

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Alternativa é colocar o pé no freio

Veículos têm que trafegar na contramão, na Rua Melo Franco, no santa cecília, Zona Sul (Foto: Olavo Prazeres)

Cerca de 70% dos motoristas que procuram a Oficina Redentor reclamam de ruídos em seus veículos, seja na suspensão, carroceria ou descarga. De acordo com o mecânico e um dos proprietários do estabelecimento, Eduardo Terr, esses problemas podem ser oriundos das falhas nas vias da cidade. “Quando colocamos o carro no elevador e realizamos vistoria, verificamos que o carro está cheio de vestígios por baixo, seja de esbarrada ou amassado. Por isso, afirmamos que a maioria desses defeitos são provenientes do piso irregular ou dos buracos”, explica. “Juiz de Fora já tem pisos danificados no asfalto há muito tempo, mas, com essas chuvas de final de ano, o assunto ficou um pouco mais sério.”

De acordo com Terr, defeitos nas suspensões dianteira e traseira, no balanceamento e alinhamento, rodas empenadas e pneus cortados estão entre os problemas mais comuns nos veículos por conta do piso irregular. “Não são apenas os buracos que ocasionam problemas no carro. Os remendos que são feitos viram verdadeiros quebra-molas.” Os custos de restauração das falhas apontadas variam de veículo a veículo, bem como da dificuldade para o conserto, que pode demorar até três dias.

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Segundo o mecânico, ao se deparar com obstáculos nas vias, a tendência natural do motorista é frear bruscamente. No entanto, tal ação pode acarretar em mais complicações, já que o impacto na suspensão do automóvel é maior. “A dica que eu posso dar é que as pessoas diminuam a velocidade dentro da cidade. Se andar acima de 40 ou 50 km/h, está correndo o risco de cair dentro de um buraco e quebrar seu carro”, afirma. Ainda conforme Terr, ao passar por uma situação inesperada, “o ideal é segurar bem o volante e deixar o carro pular, porque, com certeza, o impacto vai ser menor.”

Especialista diz que falha em drenagem leva à formação de buracos

Se a rede de drenagem das vias estiver subdimensionada ou entupida, a água proveniente das chuvas fica sem um “caminho correto” para seguir, infiltrando e alterando a estrutura do pavimento. Com isso, devido à remoção das camadas que se encontram abaixo do asfalto, surgem os buracos nas vias, de acordo com Cézar Barra, engenheiro e coordenador do Núcleo de Análise Geoambiental (Nagea) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Para o especialista, os problemas de cavidades nas vias de Juiz de Fora, em quase sua totalidade, são ocasionados por falha no sistema de drenagem e apenas “tapar os buracos” não resolveria a questão.

“A correção é recuperar as camadas que ficam abaixo do revestimento e tornar a drenagem eficiente, redimensionar o sistema ou desentupir para recuperar o fluxo.”

Conforme Barra, este problema também se relaciona com a falta de base de dados unificada e atualizada de redes estruturais, não só de água e esgoto, como também de telefonia e energia elétrica. Desta forma, se um determinado órgão realiza alguma intervenção nas vias, pode estar danificando pontos relacionados a outros e, além disso, o pavimento pode não ser recuperado adequadamente. “Às vezes, ocorre uma intervenção que acaba estourando uma rede ou cortando uma fiação”, exemplifica.

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Anel rodoviário

Outra questão apontada pelo especialista, que diminui a vida útil do pavimento das ruas, é o tráfego de veículos pesados na área urbana. De acordo com Barra, isto ocorre pela falta de um anel rodoviário no entorno do município. “Você tem caminhões e carretas passando hoje por vias urbanas, o que é incorreto. Eles estão, às vezes, com peso que é acima daquele para o qual as vias foram dimensionadas.” Assim, os veículos acabam comprometendo a estrutura dos asfaltos, que foram previstos para o tráfego urbano, como carros de passeios e ônibus.

Gasto seria milionário para refazer antiga rede subterrânea

O diretor-técnico da Empav, Renê Vieira, pontua que Juiz de Fora é um município de 168 anos e de pavimentação antiga, que data de 30 a 40 anos atrás. Por conta disso, não houve um planejamento das redes de água e esgoto. Elas passam pelo eixo das vias, e não em passeios como é comum em cidades com loteamentos mais novos. Desta forma, intervenções relacionadas a essas questões são mais complexas. Para exemplificar, o diretor-técnico compara a instalação do pavimento no perímetro urbano com as estradas, onde é possível realizar desvios no tráfego de veículos. “Mesmo que o trânsito seja jogado para outra rua, o morador vai ficar sem acesso e grande tempo sem água e esgoto”, explica.

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Na Rua José Teixeira da Silva, no Bairro Cidade do Sol, na Zona Norte, cratereas se estendem ocupando quase totalidade da via pública ( Foto: Olavo Prazeres)

Ainda segundo Vieira, obras diretas nas redes se tornam inviáveis não só do ponto de vista prático, como também econômico. “Há, por parte da Cesama, na grande maioria da cidade, uma rede antiga de manilhas de barro, de algumas tubulações de adição de água de ferro fundido”, afirma. “Para trocar todo esse pavimento e essa rede de esgoto, pode-se falar em algo que supera bilhões de reais. Temos um levantamento anterior, de 2013, que, só para recapear – jogar uma capa por cima para dar um reforço e dar uma sobrevida ao pavimento – , gastava-se mais de R$ 600 milhões. Hoje eu não sei, mas deve ser muito maior. Então é inviável do ponto de vista econômico, pois o orçamento do município não suportaria.”

Também por conta da falta de repasse do Estado, várias ações de manutenção foram prejudicadas, de acordo com o diretor-técnico da Empav. No entanto, a administração municipal tem feito o possível para restaurar os danos nas ruas, contando com o trabalho conjunto de diferentes pastas, como a Secretaria de Obras, que tem fornecido material para diminuir o valor e manter os serviços até que a situação financeira volte a se normalizar e os serviços possam ser ampliados. “Apesar da grande crise, o prefeito tem trabalhado, e estamos conseguindo verbas junto ao BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais) e ao Ministério das Cidades, que, além das obras viárias como viaduto, devemos, a partir de fevereiro, iniciar o recapeamento de várias ruas que são vias de ligação. Não tem como atender hoje, financeiramente, um bairro inteiro. Mas procuramos recapear e melhorar as ruas que fazem a ligação desse bairro, porque assim é possível beneficiar todos aqueles que usam o transporte coletivo e também seu veículo para chegar até sua casa”.

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