Assunto obrigatório nas rodas de bate-papo nos últimos dias, o forte calor tem afetado diretamente a vida do juiz-forano. Na última quarta-feira, os termômetros oficiais registraram 34,1 graus no dia mais quente do ano na cidade. Nas ruas, o asfalto e o adensamento urbano deixam as temperaturas ainda maiores. E o corpo naturalmente sente os efeitos. O incômodo pode vir acompanhado de dor de cabeça, moleza e ressecamento da boca, olhos e das vias aéreas. Se não hidratado de forma adequada, o corpo pode apresentar ainda hipofluxo cerebral, aumento da frequência cardíaca, problemas respiratórios e retenção de água pelos rins, o que pode ocasionar cálculos. Já a pele, se não protegida dos raios solares, fica mais suscetível às queimaduras e ao desenvolvimento de câncer. “Nossa temperatura interna é de 36,5 graus. E nós trocamos esse calor com o meio ambiente. Acima dessa temperatura e abaixo dos 20 graus, nosso organismo já começa a sentir os efeitos”, explica o clínico geral Ricardo Maurício Botelho.
A tolerância ao calor depende de fatores que vão além da própria temperatura, como o vento e a umidade. “Normalmente toleramos melhor os 40 graus na beira do mar do que no Centro de Juiz de Fora”, exemplifica. Conforme o médico, a temperatura ideal para manter o corpo humano é entre 23 e 25 graus.
Crianças e idosos devem receber atenção especial nesta época do ano. “As crianças têm, em média, 75% da superfície corporal composta de água. Nos adultos, essa concentração varia de 40% nas mulheres a 50% nos homens. À medida que vamos envelhecendo, essa taxa cai para algo em torno de 35%, 40%. Por isso, os dois extremos necessitam muito de líquido: as crianças, porque perdem muita água, e os idosos, porque já tem pouca.”
Por isso, nos períodos de calor intenso, a recomendação é beber mais do que os três litros de água normalmente já aconselhados pelos médicos. “A vasodilatação provocada pelo calor faz com que as células percam mais água para os vasos sanguíneos e depois para a pele, onde perdemos líquido através da transpiração.”
O ar-condicionado abaixa a temperatura externa a um patamar mais agradável para o organismo, mas pode ressecar as vias aéreas. “Por isso, a importância de uma hidratação rigorosa, sendo recomendado também usar soro fisiológico nas narinas.” Conforme o médico, a hidratação deve ser feita com água e outros líquidos, como a água de coco e os isotônicos, que contêm eletrólitos, tais como sódio e potássio. O calor também requer cuidados especiais com os alimentos, que podem estragar mais facilmente a altas temperaturas, causando diarreias, vômito e gastroenterites.
