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Trio invade residência, rouba R$ 50 mil e aterroriza família

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O ex-vereador e comerciante Juraci Scheffer de 48 anos e duas filhas, de 13 e 19, viveram momentos de terror ao terem a casa invadida por três bandidos armados, na noite de terça-feira (22), no Bairro Bosque do Imperador, na Cidade Alta. Apesar de a Polícia Militar ter conseguido deter em flagrante dois suspeitos, de 17 e 19, o crime extremamente violento deixou a família traumatizada e atemorizada depois de permanecer refém dos assaltantes por cerca de duas horas. O adolescente apreendido também é suspeito de ter participado de outro assalto a residência na Cidade Alta, que culminou na morte do empresário Francisco José de Carvalho Carapinha, 48, baleado no tórax, em abril desse ano.

No caso do ex-vereador, segundo o boletim de ocorrência, a filha mais velha estava sozinha na residência quando foi rendida e ameaçada de morte. Mesmo com a chegada do pai e da irmã ao local, a mulher não foi poupada e, junto com a irmã caçula, ainda foi torturada com tapas no rosto. A família também foi ordenada a ficar de joelhos e teve as armas engatilhadas apontadas pelos criminosos contra suas cabeças. Os ladrões roubaram mais de R$ 50 mil, joias, notebook, câmera fotográfica e celulares.

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O crime aconteceu por volta das 19h, na Rua Mário Crispim. Depois de acessarem o terreno por um matagal, pulando um muro, os assaltantes teriam entrado pela porta da cozinha, surpreendendo a jovem, que teria ido até o cômodo após ouvir um forte barulho. O adolescente apreendido estava armado com uma espingarda calibre 12, e os outros dois envolvidos, munidos com revólveres. Com os rostos encobertos por panos e um deles com capacete, os criminosos mantiveram a vítima sob a mira das armas e a conduziram até o segundo andar da casa. O trio começou a questionar a moradora sobre a suposta existência de um cofre e, diante das respostas negativas, iniciaram a sessão de tortura com ameaças e xingamentos.

Os ladrões exigiram que ela abrisse o closet do quarto de seus pais e, como não havia chave, a obrigaram a desmontar a fechadura, mas ela não conseguiu. Enquanto a mantinham refém, os bandidos afirmaram que haveriam dois comparsas, em moto e carro, dando cobertura ao assalto do lado de fora do imóvel, mas a participação deles não foi confirmada.

Cerca de uma hora após a invasão, por volta das 20h, Juraci e a caçula chegaram ao local e foram rendidos por dois dos criminosos. Sem terem contato com a jovem, que permaneceu refém do terceiro assaltante, com o revólver apontado contra a cabeça, o pai e a filha mais nova receberam ordens a gritos para se ajoelharem no chão da sala. A dupla revistou os bolsos do ex-vereador, arrecadando mais de R$ 2 mil, e insistiu: "Onde está o ouro? Cadê o cofre?".

 

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‘Escolhe uma pra morrer’

Momentos depois, a família foi reunida, sendo as jovens agredidas com tapas no rosto, e o comerciante com socos no rosto e chutes na perna. No momento em que todos foram colocados de joelhos, e os assaltantes, pelas suas costas, engatilharam as armas, o trio afirmou: "Somos do PCC, vamos matar todo mundo", referindo-se à facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital. Eles ainda ameaçaram o comerciante: "Se não mostrar onde está o cofre, vamos matar suas filhas. Escolhe uma pra morrer."

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O trio acabou arrombando a porta do closet, onde acreditava existir um cofre, e revirou o local, roubando joias e talões de cheque. Antes da fuga, os ladrões arrancaram os brincos da orelha da adolescente de 13 anos, a aliança do ex-vereador e as joias que a jovem usava. Eles ainda encontraram no térreo uma pasta com cerca de R$ 50 mil, que foram sacados pelo morador em um banco naquele dia. As vítimas foram amarradas no closet, mas conseguiram se soltar, e a PM foi acionada depois das 21h.

 

 

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Jovem nega crime, mas adolescente confessa

Os dois rapazes detidos em rastreamento foram levados para a 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil. O jovem de 19 anos negou participação no crime. Já o adolescente apreendido confessou o roubo e o envolvimento do comparsa preso e de outro adolescente. Todos são moradores de bairros da Cidade Alta. O homem foi encaminhado ao Ceresp, e o mais jovem apresentado à Vara da Infância e Juventude. O adolescente confirmou ter obrigado a jovem de 19 anos a ficar apenas de roupas íntimas e a agredido, junto com a irmã, a tapas, alegando que era "apenas para assustá-las e aterrorizá-las". Ele ainda disse à polícia estar arrependido, afirmando que sua filha nasceu há sete dias e não teria como sustentá-la, decidindo participar do crime após ser chamado pelos comparsas. A Polícia Civil também confirmou a participação do adolescente no crime que resultou na morte do empresário Francisco José de Carvalho Carapinha, em 16 de abril. Naquela ocasião, o adolescente foi acautelado pela Vara da Infância e Juventude. Contudo, as autoridades não informaram o período em que o jovem permaneceu sob acautelamento e nem qual teria sido a participação dele no latrocínio. O coordenador do Comissariado de Menores da Vara da Infância e Juventude, Maurício Gonçalves Alvim, informou que adolescente apreendido foi apresentado à Vara e encaminhado nesta quarta-feira para acautelamento no Centro Socioeducativo.

Em entrevista à TV Alterosa, na manhã desta quarta, na delegacia, Juraci Scheffer narrou, entre lágrimas, os momentos de tensão vividos com a família. "Minha filha foi torturada. Depois todos nós fomos rendidos com revólver na cabeça, com escopeta. Ameaçando, eles tentaram estuprar a minha filha. Esse jovem de 17 anos, violento, arrancou a aliança da minha mão, meu relógio, me agrediu." O ex-vereador ainda relatou que, durante a ação, o grupo se mostrou certo de que não seria punido. De acordo a vítima, o adolescente teria dito que iria fazer o que quisesse, porque iria ficar impune, uma vez que era menor de 18 anos. "Nós temos que ter mais policiamento, mais segurança, mais estrutura nas polícias, principalmente na Polícia Civil, pois estamos aqui há praticamente quase dez horas, para fazer essa ocorrência, para sermos ouvidos. Acho que é um desrespeito com o cidadão. É claro que a polícia está reivindicando seus direitos com justiça, porque infelizmente o Estado não cumpre com sua obrigação, que é garantir a segurança ao cidadão, investir na polícia, no policial. Eles estão passando dificuldades, e nós somos as vítimas. Eu estou indignado de ver a estrutura de poder e de segurança em nossa cidade", desabafou.

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