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Cerol e linha chilena são preocupações nas férias

epoca e propicia as brincadeiras com pipas leonardo costa13 07 16

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Época é propícia às brincadeiras com pipas (Leonardo Costa/13-07-16)
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Época é propícia às brincadeiras com pipas (Leonardo Costa/13-07-16)

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Nas férias escolares, uma brincadeira típica de crianças e jovens pode se tornar perigosa. Soltar pipas e papagaios deixou de ser apenas lúdico, trazendo uma série de riscos. A preocupação está no uso das linhas cortantes, sendo as mais comuns o cerol, uma mistura de vidro moído e cola, ou a linha chilena. Esta última semelhante ao cerol, mas industrializada e ainda mais perigosa. Uma das últimas vítimas, na cidade, foi o motoboy Erasmo Abranches, 24 anos. Na semana passada, ele descia em sua motocicleta da UFJF em direção à Zona Sul quando sentiu algo errado. “Percebi minha mão queimando, parei a moto e vi a linha chilena. Cortou toda a frente da moto. Eu estava com antena, caso contrário, teria me ferido.”

O caso do motoboy não pode ser considerado isolado. Tanto que, segundo ele, outros amigos já foram atingidos pela linha. Em um dos casos, o fio enroscou no pé do condutor, cortando toda a pele até o osso. “Nós que somos motoboys ficamos muito preocupados. Em Juiz de Fora, ficamos atentos ao passar por algumas áreas onde há muitas pipas e papagaios, como nos bairros Dom Bosco, Monte Castelo, São Pedro e Linhares. São áreas que precisamos andar atentos e com a antena mais alta possível.”

Na semana passada, o advogado e triatleta amador Marcelo Pasquini, 37, foi surpreendido com uma linha de cerol na Via São Pedro, enquanto treinava em sua bicicleta. “Era domingo, próximo ao horário do almoço, e eu estava em uma bicicleta conhecida como contra relógio, na qual o cotovelo é apoiado no guidão e a cabeça fica mais inclinada para baixo. Quando passei próximo à UPA de São Pedro, levantei a cabeça para visualizar se não tinha algum perigo, como carros estacionados, pedestres ou corredores. Ao levantar o pescoço, há 20 metros da minha frente, vi uma linha pendurada em minha frente, na altura do pescoço. Consegui abaixar e passei, voltando para arrebentar. Percebi que estava com cerol e podia ter me ferido. Depois disso, alertei a todos os grupos de corretores e atletas sobre este risco.”

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Legislação

A legislação proíbe a comercialização das linhas cortantes. Na cidade, isso é previsto na Lei municipal 13.308, de 5 de fevereiro deste ano, com possibilidade de multa de R$ 500. No entanto, de acordo com a Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), ainda não houve qualquer apreensão. Existe ainda a Lei estadual 43.858, de 2003, que também impede a venda destes produtos. Apesar das restrições, o comércio de linha chilena existe, principalmente na internet, por meio de sites de classificados ou lojas especializadas em pipas e papagaios. No caso do cerol, a produção tende a ser caseira. Também há relatos de vendas na feira da Avenida Brasil, aos domingos.

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Na tarde da última quarta-feira, a Tribuna esteve em uma área no alto do Bairro Santo Antônio, Zona Sudeste, comumente utilizada por jovens e adultos para soltar pipas e papagaios. Quem estava no local não quis falar diretamente com a reportagem, mas alguns admitiram fazer uso das linhas cortantes. Em um dos flagrantes, é possível observar um rapaz empinando um papagaio com uma linha vermelha, semelhante à chilena.

Proerd faz prevenção nas escolas

Conforme o major Marcellus Machado, assessor de comunicação da 4ª Região de Polícia Militar, a brincadeira é perigosa e é uma preocupação. “Temos um grupo do Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas) no qual os policiais vão às escolas trabalhar a prevenção, não só com relação aos entorpecentes, mas também para passar outras informações, como o perigo do uso das linhas cortantes. Também orientamos os policiais que estão nas ruas para informar aos pais e aos jovens dos perigos do uso da linha chilena ou o cerol. Aos motociclistas, explicamos a importância de utilizar as antenas para evitar o corte, principalmente no pescoço”, explicando. O oficial acrescentou, ainda, que, nesta época do ano, aumentam as desavenças por causa dos cortes dos papagaios uns dos outros. “Importante orientar que não haja reação agressiva e, mesmo ocorrendo a situação, procure comprar uma nova pipa. Temos casos recentes de pessoas que forem agredidas, até mesmo vítimas de arma de fogo, por causa deste tipo de atrito.”

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Pipa causa interrupção de energia

Apenas este ano, entre janeiro e junho, a Cemig registrou 75 interrupções de fornecimento de energia elétrica por causa de pipas e papagaios em Juiz de Fora. Na Zona da Mata, considerando os cinco primeiros meses, foram 107 desligamentos, causando prejuízos para cerca de 29 mil clientes. Em Minas, foram 851 ocorrências na área de abrangência da concessionária, atingindo 280 mil ligações. Para o técnico do Sistema Elétrico da Cemig, Marco Aurélio da Silva, o ápice no número de casos ocorre nos meses de janeiro e julho. Portanto, os números já registrados tendem a aumentar e o uso das linhas cortantes é uma preocupação a mais: “As pipas e as linhas enroladas nos fios podem causar desde a interrupção da energia até o rompimento dos condutores, caindo ao solo e causando choque elétrico na pessoa”, afirmou, dizendo que a situação torna-se mais grave com cerol ou linha chilena, já que tais itens podem ser produzidos com materiais que potencializam a possibilidade de choques. “O simples fato de a linha encostar-se à fiação já é perigoso. E ainda existe a chance de o fio ir serrando os cabos ao longo do tempo, vindo a parti-lo.”

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Nem os calçados podem proteger, conforme o técnico. “Tênis com solas de borracha e chinelos de dedos não isolam a tensão que temos nas redes. Na rede de média tensão, por exemplo, passa de 13 mil a 23.100 kilowatts. Para se ter ideia, 110 ou 220 kilowatts já pode matar. Por isso, se a pipa prender na rede ou o fio enroscar, não tente tirar de maneira alguma.” Em caso de rompimento, a Cemig pode ser comunicada por meio do telefone 116.

Mesmo com a gravidade, Juiz de Fora não registrou acidentes envolvendo pipas na rede elétrica nos últimos anos. No último, em 2013, uma criança, moradora do Eldorado, Zona Nordeste, recebeu descarga e veio a óbito após tentar tirar a pipa usando o trilho de uma cortina.

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