
Quarta-feira com céu encoberto, chuva fina e frio em Juiz de Fora
Atualizada às 21h30
A menor temperatura do ano, em Juiz de Fora, foi registrada nesta quarta-feira (24). De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os termômetros atingiram 8,1 graus no início da manhã, com sensação térmica de 2 graus negativos. Esta situação foi observada por volta das 7h, quando a umidade estava elevada e as rajadas de ventos atingiram 31 km/h. Mas estes valores recordes não foram os únicos identificados ao longo da quarta-feira. Isso porque a temperatura máxima teve o menor valor dos últimos anos, não ultrapassando os 13,2 graus. Este patamar, no entanto, foi atingindo durante a madrugada, quando grande parte da população ainda não havia saído de casa. Ao longo do dia, entre 5h e 20h, os termômetros oscilaram apenas entre 8,4 e 9,8 graus.
Segundo a climatologista da UFJF Cássia Ferreira, a queda brusca nas temperaturas, tanto da máxima quanto da mínima, ocorreu devido ao deslocamento de uma massa de ar polar do Sul do país em direção à linha do Equador, associada à presença de uma frente fria na região. Tais fenômenos climatológicos, em atuação na cidade desde a terça-feira, provocam o frio, o alto índice de umidade e os ventos, que influenciam na sensação térmica. "Esta massa em atuação não é atípica. Temos de dois a três eventos como esse todos os anos na região. O incomum, até agora, é ela estar atrelada à grande umidade, que causa este desconforto."
Ainda conforme Cássia, a tendência é que o frio continue nos próximos dias, mas em menor grau ao observado quarta. "Ontem) foi o ápice, assim como ocorreu no Sul, onde até nevou. A massa vai continuar em atuação, mas a frente fria começa a perder força. A partir daí, a previsão é de diminuição da nebulosidade, que pode contribuir para aquecer um pouco durante o dia.
Segundo o Inmet, a previsão para esta quinta é de céu encoberto com chuvas ocasionais. A mínima deve ser de 8 graus, enquanto a máxima não deverá ultrapassar os 15 graus.
Frio concentrado
Diferente do que ocorre habitualmente, cidades da região que tendem a atingir temperaturas mais baixas que Juiz de Fora tiveram a quarta-feira com o tempo mais ameno. Em Barbacena, por exemplo, a oscilação ficou entre 11,2 e 14,6 graus. Já em São João del-Rei, 14,3 e 19,7 graus. De acordo com o meteorologista do 5º distrito do Inmet Claudemir Azevedo, esta frente fria atuou com mais força na Zona da Mata, já que a massa de ar polar se deslocava entre o Sul de Minas e o Vale do Paraíba, região entre o Leste do Estado de São Paulo e o Sul do Rio de Janeiro. "Em Belo Horizonte, por exemplo, o dia foi até quente, oscilando de 18,6 a 27,2 graus.
População de rua tenta resistir ao frio
"Terça-feira foi difícil dormir, hoje vai ser ainda pior. Estou sem cobertor e tento me proteger com um pedaço de capa de chuva. É o que tenho", disse um gaúcho de 46 anos, que está há cinco nas ruas de Juiz de Fora, após se separar da esposa. Segundo ele, que vive da coleta de materiais recicláveis, o frio e a chuva prejudicam não só seu descanso, como também o trabalho. "Fica muito difícil coletar papelão com o tempo desse jeito. O pouco de dinheiro que ganhei hoje eu deixei no próprio depósito (de materiais recicláveis) para poder pagar a pensão das minhas duas filhas. Apesar de estar na rua, não deixo de contribuir com R$ 80 por mês e fornecer uma cesta básica."
O morador de rua foi encontrado pela Tribuna, na noite de quarta, no Bairro Poço Rico, onde outros dois homens tentavam se aquecer, embora estivessem no chão frio da calçada de uma igreja. Ao seu lado estava um desempregado, 58. Há 15 anos sem um lar, ele afirmou que cobertor não faltava e disse já estar habituado com as épocas de frio. "Eu me viro com o que tenho."
Em comum nas duas história estava o fato de eles preferirem a rua aos abrigos do município. "Quem vai para lá não trabalha como nós. São pessoas envolvidas com drogas. Prefiro nem chegar perto", afirmou o gaúcho.
O coordenador do Núcleo do Cidadão de Rua, Cristian Alexandre da Silva, diz que a situação é outra, já que o local dá acesso prioritário a idosos, mulheres e pessoas que comprovem estar trabalhando. Mas, segundo ele, muitos preferem permanecer nas ruas a cumprir as regras da unidade de acolhimento.
A Tribuna esteve no núcleo por volta das 19h de quarta e constatou que o movimento já era grande. "Esta noite devemos chegar ao limite. Temos capacidade para abrigar até 150 pessoas, fora aquelas que só vêm para tomar banho e jantar, que são aproximadamente 30", explicou o coordenador.
De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Social, os trabalhos nos equipamentos do município estão sendo reforçados desde o início do inverno. Além do núcleo, a população de rua é atendida por meio do Centro Pop, aberto durante o dia para distribuição de refeições, acompanhamento psicossocial e oficinas artísticas, e a Casa da Cidadania, que acolhe pessoas em vulnerabilidade social.

