
Tempo seco favorece queimadas. Um dos registros ocorreu na Rua Machado de Assis, na Vila Ideal
A forte massa de ar seco, que mantém o tempo com poucas nuvens no estado, provoca queda significativa na qualidade do ar. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em Juiz de Fora, o índice de umidade do ar tem atingido entre 30% e 40% no período da tarde. Abaixo de 30% já é considerado estado de atenção, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). No município, onde normalmente este patamar está acima de 70%, a queda brusca resulta em problemas respiratórios e, consequentemente, aumento na procura de médicos especialistas. A situação é agravada pela amplitude térmica, pois, em cinco dias, a variação registrada foi de 15,8 graus, saltando de 8,8 graus (a menor do ano), na última quinta-feira (19) para 24,6 graus na terça-feira (24).
Conforme o Corpo de Bombeiros, o tempo mais seco também resulta em aumento no número de ocorrências de incêndio em vegetação. Apenas até 16h desta terça, foram seis chamados. Em um deles, um bambuzal pegou fogo ao lado de um galpão com materiais inflamáveis, como colchões e tintas, além de uma madeireira, na Rua Machado de Assis, Bairro Vila Ideal, região Sudeste. Quatro militares atuaram no controle das chamas por aproximadamente uma hora e meia. Segundo moradores, incêndios no lote são frequentes, principalmente neste período.
De acordo com o capitão Marcos Moreira Santiago, assessor de comunicação do 4º Batalhão de Bombeiros Militar, a tendência é de aumento no número de chamados nos próximos meses. "É uma época complicada. O mato está seco, e o fogo se alastra com facilidade." Por este motivo, a indicação dada é que as pessoas evitem jogar pontas de cigarros ou palitos de fósforos em vegetação. Também não é recomendado atear fogo para limpar terreno ou queimar lixo.
Problemas respiratórios
De acordo com o clínico geral José Sabe Musse, a procura por atendimentos já aumentou esta semana, quando a umidade relativa do ar caiu bruscamente. Conforme o especialista, as principais vítimas desta situação são crianças até 6 anos e os idosos. "O ar ruim pode favorecer o surgimento de processos infecciosos na garganta, no nariz e no ouvido. Também notamos aumento nos casos de pneumonia. A indicação é que, a qualquer sintoma de irregularidade no corpo, a pessoa procure um médico porque o tratamento tende a ser mais rápido se for iniciado nos primeiros dias."
Ainda segundo o médico, o corpo começa a sentir os primeiros sintomas quando a umidade está em 40%. "Pessoas que não estão habituadas com estas condições já são prejudicadas. Claro que abaixo de 30% é danoso, mas não quer dizer que um pouco acima seja saudável. A sensibilidade é individual".

