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Completando 80 anos, a Sopa dos Pobres promove jantar beneficente

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Trabalho Social teve início em 1931 e hoje é uma das ações sociais mais conhecidas da cidade
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Trabalho Social teve início em 1931 e hoje é uma das ações sociais mais conhecidas da cidade

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Um prato de sopa quentinha e muito carinho no preparo. Essa é a receita da Sociedade Beneficente Sopa dos Pobres, que acaba de completar 80 anos proporcionando esse conforto a quem, muitas vezes, não faria nenhuma refeição no dia. De segunda a sexta-feira, das 11h ao meio-dia, entre 180 e 200 pessoas que procuram diariamente a entidade têm a fome saciada. A tradição começou no dia 5 de junho de 1931, quando, ao meio-dia, aconteceu a primeira distribuição de sopa. Os cartões foram entregues às famílias das crianças que já frequentavam os jantares comemorativos de aniversário promovidos por Ludgero e Alcides Moreira, em homenagem à filha do casal: Dulce. O que começou como uma festa de aniversário é hoje uma das mais conhecidas ações beneficentes de Juiz de Fora.

Para que a sopa esteja pronta às 11h, o trabalho começa por volta das 8h. Ao todo, 24 pessoas, entre funcionários, pessoas em cumprimento de penas alternativas e voluntários se revezam ao longo da semana para garantir que o alimento chegue com qualidade ao prato de quem precisa. Gente como uma aposentada de 50 anos que preferiu não se identificar. Ela conta que, nos últimos quatro anos, dedica um dia da semana ao trabalho voluntário na instituição, onde faz de tudo um pouco: prepara a refeição, ajuda a servir, lava as vasilhas e contribui com a limpeza do imóvel. "É muito bom, porque a gente se autoajuda e para de pensar em si como uma coitadinha. Todos que vêm aqui me emocionam. Acho lindo esse trabalho," orgulha-se.

Doações

Todos os ingredientes usados no preparo das refeições são oriundos de doações e passam pelo crivo de nutricionistas. "Temos uma conta corrente na qual os doadores podem depositar dinheiro. Alguns são cadastrados, mas outros doam e nós nem ficamos sabendo quem são", conta a auxiliar de escritório e espécie de "faz-tudo" da Sopa dos Pobres, Roselaine Ribeiro Assunção. "Temos casos como o de uma doadora, que ficamos sabendo depois, a mãe dela levava a sopa para casa, quando ainda era distribuída em latas. Como o mundo dá voltas, hoje ela é quem nos ajuda."

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A presidente da instituição, Vanda Fonseca Coelho, conta que muitas vezes é questionada se o que o grupo faz não é ‘assistencialismo’, ao invés de ‘assistência social’. "Nós gostaríamos muito de poder inserir os atendidos no projeto de uma forma mais ampla, mas hoje, pela estrutura física e financeira que temos, não é possível ampliar este atendimento. Mas aí, eu digo que nós estamos preocupados, sim, em matar a fome deles."

Jantar beneficente

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No dia 28 de julho, a Sociedade Beneficente Sopa dos Pobres receberá o Título de Entidade Benemérita, na Câmara Municipal. Na mesma data, promove uma festa beneficente, com o objetivo de arrecadar fundos para a reforma do telhado da instituição. A obra está orçada em cerca de R$ 40 mil. Ao todo, são esperados 800 convidados.

Em 2005, o prédio recebeu a última reforma, que modernizou a cozinha e o salão onde são recebidos os frequentadores. Foi neste ano que aconteceu a primeira festa beneficente. "Tentamos promover uma festa junina. Choveu tanto que a comemoração quase terminou antes mesmo de começar! Mesmo assim, foi bom. Desde então, estou sempre aqui", diz o empresário Roberto Cândido, que organiza agora a festa beneficente de 80 anos da entidade.

Em cada prato servido, uma história

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Cada prato servido pela Sociedade Beneficente Sopa dos Pobres conta um pouco da história da vida de quem ajuda a prepará-lo e também de quem consome. A pensionista Conceição Maria de Jesus Tirapani conta que frequenta os almoços na instituição há cerca de 10 anos, desde que começou a fazer tratamento para controle da pressão arterial. "Eles até sentem falta de mim. Uma vez, fiquei internada uns dez dias e não pude vir, mas toda vez que tenho médico, eu venho, porque a sopa é boa, eles servem bem e tem as doações que eles fazem," afirma referindo-se aos alimentos, roupas, cobertores e até mantimentos que são repassados aos assistidos. Atualmente, cerca de 150 estão cadastrados como usuários frequentes, que comparecem quase todos os dias. "Já o grupo daqueles que vêm esporadicamente é muito heterogêneo. Tem gente que vem buscar atendimento nos serviços da cidade, desempregados e pessoas rejeitadas pela família," conta a presidente da instituição Vanda Fonseca Coelho.

Para cada história de tristeza, há outra de superação e amor relacionada ao trabalho da Sopa dos Pobres. "Eu praticamente fui criada aqui. Minha avó foi cozinheira e meu avô foi zelador. Antes de o prédio ser transformado da forma como é hoje, minha família morava aqui. Lembro dos quartos do meu avô, das minhas tias. A minha mãe saiu daqui para se casar e depois voltou para ajudar. O mesmo aconteceu comigo, que casei e agora já trabalho aqui há 11 anos", relembra a auxiliar de escritório Roselaine Ribeiro Assunção.

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