Médicos de Juiz de Fora irão aderir às ações pelo Dia Nacional de Advertência aos Planos de Saúde, marcadas para esta quarta-feira (25), em todo o Brasil. Porém, diferente do que ocorreu nos dois protestos realizados no ano passado, dessa vez não haverá suspensão de consultas e procedimentos eletivos oferecidos por operadoras de saúde na cidade. Um ato público será realizado às 11h, na Sociedade de Medicina e Cirurgia – Rua Braz Bernardino 59, Centro -, para explicar à população os motivos da manifestação. O movimento reivindica reajustes de honorários, regularização dos contratos entre operadoras e médicos – o que depende diretamente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) – e o fim da interferência antiética na relação entre os profissionais e seus pacientes.
Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora, Gilson Salomão, a remuneração paga pelos convênios por consulta, por exemplo, varia entre R$30 e R$50, quando, considerando-se os reajustes feitos por planos e seguradoras nos últimos dez anos, não poderia ser inferior a R$80. Queremos que os contratos firmados entre operadoras e médicos assegurem não só a reposição inflacionária, mas, também, a reposição das perdas acumuladas desde 2003. Os valores de consultas e demais procedimento não podem ficar, como tem ocorrido, mais de cinco anos sem serem discutidos. Esperamos que, com essa advertência, as operadoras se mostrem dispostas a negociar com a classe médica.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) afirma, em comunicado, que, desde 2000, os reajustes dos planos chegaram a 150%, enquanto os honorários médicos não somaram aumento de 50% no período. Ainda segundo a entidade, o faturamento das operadoras em 2010 chegou a R$ 72,7 bilhões, sem suficiente contrapartida em termos de valorização do trabalho médico e oferta de cobertura às demandas dos pacientes, conforme consta em nota.
Outro objetivo do movimento é limitar a influência dos planos e seguradoras no trabalho do médico, já que profissionais reclamam que as operadoras interferem nos diagnósticos e nos tratamentos dos pacientes. CFM, Associação Médica Brasileira e Federação Nacional dos Médicos, responsáveis pela articulação do protesto, destacam a preocupação dos médicos com os riscos de desassistência gerados pelas operadoras de planos de saúde ao recusarem o diálogo e estagnarem os entendimentos com os profissionais.
