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Acumulado de chuva em 24 horas em Juiz de Fora é o maior em 31 anos

Total de chuvas em 24 horas em Juiz de Fora é o maior desde 1995

Deslizamento de terra no Morro do Cristo (Foto: Leonardo Costa)

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Das 9h01 de segunda-feira (23) às 9h desta terça-feira (24), Juiz de Fora acumulou 138,6 milímetros de chuva, segundo medições da estação convencional do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no município. O volume é o maior registrado em 31 anos na cidade e só fica abaixo do acumulado observado em fevereiro de 1995, quando foram contabilizados 138,7 milímetros.

Os volumes mais recentes de magnitude semelhante foram registrados em março de 2001, com 147,4 milímetros, e em novembro de 2006, com 105 milímetros. Os dados foram repassados à Tribuna pela meteorologista do Inmet, Anete Fernandes.

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Rio Paraibuna não saída da calha desde década de 40

De acordo com o decreto de estado de calamidade pública da Prefeitura de Juiz de Fora, o total de chuva para o mês de fevereiro deste ano era de 584 mm, até às 0h desta terça. O volume supera a média histórica, de 170,3 mm, em 242,9%.

A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), afirmou, em entrevista à Globo News, que o Rio Paraibuna não saía da calha desde a década de 1940.

 Segundo Anete, a situação que a Zona da Mata está enfrentando decorre de um mês de fevereiro mais chuvoso que o normal, com chuvas recorrentes desde a última quarta-feira (18). 

A situação tende a persistir, pelo menos, até sexta-feira (27), porque essa condição atmosférica vai se manter: “Nós temos uma condição em superfície de baixa pressão nas imediações do litoral da região sudeste, que está mantendo o escoamento voltado para cá, e em altitudes, em altos níveis da atmosfera, nós temos o que chamamos de circulação de verão, que favorece a atividade convectiva devido ao aquecimento diurno. Então, a combinação desses fatores está mantendo não só a Zona da Mata, mas toda a Região Sudeste, Centro-oeste, parte da Região Norte e Nordeste”.

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Tragédia se assemelha a de Petrópolis, em 2022

Dessa forma, o solo fica saturado, favorecendo o deslizamento de encostas, e os rios, que têm o volume acentuado, acabam transbordando. Por isso, a situação enfrentada pela região serrana do Rio de Janeiro, em 2022 – quando choveu, em um momento, 240 mm em duas horas –, é semelhante à que a Zona da Mata vive agora. Ambas as regiões têm um relevo acentuado.

Já fazendo o comparativo com o quadro enfrentado pelo Rio Grande do Sul, em 2024, a situação é diferente, explica Anete: “Ali, nós tivemos um bloqueio atmosférico que manteve o escoamento para aquela região. E nós tivemos volumes acentuados diários e por dias consecutivos. Então, nós tínhamos acima de 100 milímetros por vários dias consecutivos em uma região muito plana, que não favorecia o escoamento da água”.

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O professor Cezar Barra Rocha, da Faculdade de Engenharia da UFJF, explica que o Rio Grande do Sul reúne características que agravam esse tipo de ocorrência. “É uma grande planície com várias lagoas — a Lagoa dos Patos aparece com destaque no próprio mapa do Estado. Para piorar, foram sendo feitos grandes aterros e sistemas de diques para ampliar as áreas ocupáveis em cidades como Porto Alegre. Tudo escoa para essas lagoas, que desaguam no mar, mas a diferença de nível é muito pequena”, afirma.

Segundo ele, com as chuvas atípicas e concentradas, o sistema entrou em colapso. “As bombas falharam, os diques não funcionaram e as lagoas não deram conta. A água ficou acima da cota de inundação por vários dias. Teve caso em que parou de chover, conseguiram bombear e as pessoas voltaram para casa. Depois, voltou a chover e alagou tudo de novo”, relata.

Para o professor, o quadro resulta da combinação entre áreas de planície — como os pampas gaúchos — e episódios de chuva intensa e concentrada, que ele associa ao avanço das mudanças climáticas.

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