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Ganhando a vida na bola

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Dois juiz-foranos das categorias de base de grandes clubes brasileiros começaram o ano de 2013 com motivos de sobra para comemorar. O atacante Igor, 16 anos, que atua no Cruzeiro, foi convocado para a Seleção Brasileira Sub-17 no dia 8 de fevereiro e se apresentou na última segunda-feira ao técnico Alexandre Gallo na Granja Comary. Já o zagueiro Wendel, também de 16 anos, venceu o torneio Al Kass Internacional Cup, disputado em Doha, no Catar, uma espécie de Mundial Interclubes da faixa etária, já que reuniu, além do Tricolor, equipes como Paris Saint-Germain, Real Madrid e Inter de Milão.

Curtindo seus últimos dias de férias, os dois visitaram o Centro de Futebol Zico (CFZ) e o professor Leonardo Beire, técnico responsável pelas primeiras oportunidades de ambos em suas carreiras. Durante a visita, Igor e Wendel falaram sobre o bom momento que vivem e o que pretendem de suas carreiras daqui para a frente.

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Convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira, Igor Ferreira Neto de Oliveira, atacante veloz de 1,74m e que também se aventura como meia e ponta, se destacou individualmente, apesar de a Raposa não ter conseguido conquistas nas principais competições que disputou em 2012. "Jogamos o Campeonato Mineiro, a BF Cup – em Juiz de Fora – e a Copa Brasil Sub-17, no Espírito Santo. Cada vez que entrei em campo, procurei me esforçar ao máximo. Deu certo, me destaquei, e eles me chamaram", conta o atleta que caiu nas semifinais do Estadual, foi vice-campeão da BF Cup e eliminado nas quartas de final da Copa Brasil com o time celeste.

Na Seleção Sub-17, o juiz-forano, junto com outros 27 companheiros, está em período de treinamentos até a próxima terça. As atividades vão servir para o técnico Alexandre Gallo, recém-contratado pela CBF, conhecer e formar a base do grupo que disputará o Campeonato Sul-Americano da categoria, previsto para os meses de março e abril – ainda sem data e país definidos -, defendendo o título do Brasil, conquistado em 2011. Igor sabe que tem que impressionar o novo comandante. "Não quero dar mole para ninguém. Pretendo agarrar essa chance na Seleção para disputar o Sul-Americano", afirma Igor.

 

Taça internacional na bagagem

O zagueiro Wendel Lomar da Cruz, de 1,82m, não pode reclamar de sua primeira viagem internacional, já que voltou com um item não tributável na alfândega, mas de valor incalculável para sua carreira. Na disputa da Al Kass Internacional Cup, o defensor do Fluminense ergueu a taça e retornou com uma miniatura da mesma na mala de campeão.

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"A competição foi uma experiência incrível, em um país diferente. O calor até que estava suportável, era inverno, fazia cerca de 27, 30 graus. Jogávamos da tarde para a noite. Não entrei na estreia, na qual perdemos para os campeões de 2012, o Paris Saint-Germain, mas acabei sendo titular a partir da segunda rodada. Deu certo e batemos o Real Madrid (1 a 1 no tempo normal e 4 a 3 para os brasileiros nos pênaltis)", lembra.

O defensor, que admite se arriscar mais à frente quando a oportunidade permite, fez um dos gols de sua equipe na semifinal, contra a Inter de Milão, na vitória por 3 a 1. "Abri o placar aos 6 minutos do primeiro tempo. Foi uma falta na lateral-direita de nosso ataque. O atacante Kenedy cruzou, e eu entrei cabeceando para o fundo do gol. Gosto de arriscar bastante. Costumo subir mais nas bolas aéreas e fazer meus golzinhos. Mas às vezes dá para vir de trás com a bola dominada", contou Wendel.

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Na volta para o clube, o zagueiro espera seguir em direção a seus sonhos. "A vida vai ser diferente. Vamos ter um pouco mais de moral e ser muito mais visados. Agora é foco total e trabalho firme. Pretendo dar meu melhor para, quem sabe, estar também nas seleções de base, como o Igor. Se Deus quiser, vou ter uma oportunidade. Também busco me projetar para ter uma chance com os profissionais", deseja o juiz-forano.

 

Diferentes histórias de sucesso

A relação de ambos os jogadores com o CFZ é bem diferente. Enquanto um foi criado dentro da franquia da escola em Juiz de Fora, o outro vestiu a camisa da mesma apenas uma vez, mas é agenciado pela empresa que tem parceria com o centro na administração de carreiras das revelações locais, a Vital, que conta com o patrocínio da Gemacon Tech. "O Igor está conosco desde muito cedo, das categorias iniciantes. Demonstrou talento e, aos 14 anos, se transferiu de vez para o Cruzeiro. Já o Wendel foi fazer, há uns três anos, um jogo conosco contra o Botafogo, em Guarani, e na semana seguinte nos ligaram na Vital para saber se não tínhamos um zagueiro canhoto para fazer um teste no Fluminense. Indicamos o garoto e deu certo", conta o técnico e coordenador do CFZ local, Leonardo Beire.

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Ambos os atletas se lembram das dificuldades em trocar de casa para ganhar a vida na bola, mas sabem que o sacrifício está valendo a pena. "Cheguei ao CFZ com 9 anos, disputei vários campeonatos e fui destaque na maioria, desde pequeno. Me transferi para o Cruzeiro, comecei bem, passei por algumas dificuldades de adaptação, mas depois superei e me firmei. Hoje estou colhendo frutos de uma boa temporada", diz Igor.

Já Wendel conta que "em Juiz de Fora, jogava mais por diversão". Então, surgiu a oportunidade no Fluminense. "A partir daí, resolvi levar a sério a carreira. A adaptação não foi fácil, mas aos poucos fui conquistando meu espaço, evoluindo minha técnica e ganhando respeito dos dirigentes e a confiança dos treinadores", lembra Wendel.

Para Beire, os dois atletas têm características fundamentais para quem quer vencer no futebol. "Os dois jogam muita bola. Mas o que mais nos deixa confiantes de que se darão bem na carreira é a aplicação e a perseverança. Porque muita gente até tem a habilidade e os dons necessários para jogar, mas se perde no caminho sem essas qualidades deles."

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