
Momento da captura do animal na tarde desta quinta
A história do bugio preto que circulava entre imóveis no Bairro Granbery, região central, caminha para um final feliz. O macaco foi localizado, na tarde desta quinta-feira (23) na Igreja do Rosário, na esquina das ruas Antônio Dias e Santos Dumont. Debilitada, a fêmea foi encaminhada ao Ibama para ser avaliada por veterinários e biólogos. Agora ela receberá acompanhamento e quando estiver bem, deve ser reintroduzida ao meio ambiente.
Com a captura, também ficou esclarecido como o animal chegou à área urbana. A suspeita era de que tivesse fugido de algum cativeiro ou deixado uma mata próxima, em razão do desmatamento da região. No entanto, a macaca, que ainda não tem nome, foi atropelada, em dezembro, na BR-267, na altura do Bairro Floresta. Bem machucada, ela foi salva por um professor, 34 anos, que a levou para uma clínica veterinária, de onde fugiu no fim do ano passado. A partir de então, passou a perambular pelo Granbery à procura de alimentos.
Na tarde desta quinta, o professor estava na Rua Barão de Santa Helena à procura do animal. "Com a matéria da Tribuna, vi que estava por aqui e vim tentar encontrá-la." Ao chefe substituto da base avançada do Ibama em Juiz de Fora, José de Souza, ele explicou que o encaminhamento à clínica teve como intenção protegê-la. José estava no bairro para levantar informações preliminares junto aos moradores antes de iniciar a operação de captura. No entanto, durante esse levantamento, o animal foi localizado na igreja.
"Tem uns 15 dias que está por aqui, vai e volta. Está com muita fome. Hoje cedo ficou por aqui e não saiu", contou a secretária Terezinha Alves. O ajudante de pedreiro Wesley dos Reis Ferreira, que trabalha na obra na paróquia, é quem alimentava o macaco. "Só hoje (quinta) de manhã, ele comeu quatro bananas. Já veio no nosso colo, é muito mansinho."
Segundo o chefe do Ibama qualquer animal silvestre encontrado, ferido ou não, deve ser encaminhado ao Ibama ou ao Instituto Estadual de Florestas (IEF) que agora também é responsável pela fauna. O contato é 0800 61 8080, e denúncias sobre animais mantidos em cativeiro também podem ser feitas pelo 181, o Disque Denúncia Unificado.
O caso do bugio levantou a discussão sobre a necessidade de sinalização de animais silvestres na rodovia BR-267 e na Alameda Ilva Mello Reis, próximo ao Retiro. A área é considerada corredor da fauna entre a reserva do Poço D’Anta e o Floresta. "O ideal era que o local tivesse placa alertando os motoristas sobre a travessia de animais ou fios e redes aéreas que permitissem a passagem dos bichos", destacou o professor.
A Tribuna procurou a clínica veterinária que estaria cuidando do animal após o atropelado em dezembro, mas não teve retorno.

