Atualizada às 21h02
A marcha das mulheres reuniu centenas de manifestantes nesta segunda-feira (23), no início da noite, nas ruas da região central. Abordando temas como o machismo, a violência e o assédio sexual, a desigualdade e o aborto, o grupo saiu do Parque Halfeld, por volta das 18h45, e seguiu em direção à Praça Antônio Carlos, em um percurso de aproximadamente 40 minutos. A pista da Avenida Rio Branco, em direção ao Bairro Manoel Honório, entre o Parque Halfeld e a Rua Marechal Deodoro, chegou a ficar fechada por cerca de dez minutos, assim como toda a Avenida Getúlio Vargas, ocupada por cerca de 20 minutos. A principal bandeira levantada pelas feministas era o pedido de saída do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). Isso porque o parlamentar é autor do Projeto de Lei (PL) 5.069, que tornam mais duras as regras contra o aborto. Algumas organizadoras estimaram o público presente em aproximadamente 450 mulheres, enquanto a Polícia Militar contabilizou cerca de 200 pessoas.
[Relaciondas_post] Debaixo de chuva durante todo o trajeto, as manifestantes, formadas por coletivos feministas, organizações estudantis e outras entidades, gritavam frases como “Fora Cunha”, “É pela vida das mulheres” e “O Estado laico não pode ser machista”. Antes, enquanto estavam concentradas no Parque Halfeld, lembraram de outros temas que ficaram em evidência este ano, como a não aprovação, na Câmara, do Plano Municipal de Políticas para as Mulheres.
Na opinião da estudante Priscila Alves, 23 anos, uma das organizadoras do evento, a marcha ganhou mais força este ano. “As redes sociais nos ajudam muito. Com isso, percebo, desde 2013, crescimento das nossas marchas. Sem contar que aumentou a conscientização das mulheres sobre os seus direitos.” A também estudante e organizadora Ana Emília Carvalho, 19, falou da intenção de o coro juiz-forano chegar a Brasília. “Queremos a retirada do Cunha e do seu projeto de lei.” A PL 5.069 prevê, entre outras medidas, tornar crime induzir ou auxiliar a gestante ao aborto. No caso do estupro, quando o aborto é permitido, a vítima teria que se submeter ao exame de corpo de delito e comunicar uma autoridade policial para conseguir passar pelo procedimento. Atualmente, basta informar ao médico.

