
Dos 28 partidos que lançaram candidatos a vereador em Juiz de Fora nestas eleições, apenas sete não declararam apoio a Bruno Siqueira (PMDB) ou a Margarida Salomão (PT), seja por terem optado pela neutralidade ou por ainda não terem decidido com quem caminhar, mesmo faltando menos de uma semana para o segundo turno. Desse grupo, cinco estão neutros. O movimento mais natural nesse sentido foi feito pelas siglas mais à esquerda – PCB, PSOL e PSTU -, que não se sentem contempladas pelos projetos de nenhum dos dois concorrentes remanescentes na briga pela Prefeitura. O PSL do ex-prefeito Alberto Bejani, legenda que não se coligou com ninguém no primeiro turno, nem na disputa majoritária nem na proporcional, também preferiu manter-se à parte. "Por enquanto estamos neutros", declarou o presidente do PSL, José Carlos Araújo. Já o PDT, partido do atual vice-prefeito Eduardo Freitas e que reelegeu seus dois vereadores – Ana das Graças Rossignoli e José Fiorilo -, determinou que não apoiará nenhum dos dois candidatos à PJF depois do mal-estar provocado pela declaração de Bruno, que rechaçou o partido em função da relação tensa entre os servidores municipais e o atual secretário de Administração e Recursos Humanos, Vítor Valverde, presidente da agremiação na cidade.
Quase todas as siglas que apoiaram o prefeito Custódio Mattos (PSDB) no primeiro turno manifestaram apoio a Bruno. As exceções, além do PDT, são PPL e o PTB, que também não declararam voto a Margarida. "Somos um partido pequeno e ainda vamos nos reunir nesta semana. Há uma tendência, mas ainda vai ser oficializada", ressaltou o presidente do PPL, Wilhans Lopes de Moraes, negando-se a revelar para que lado pende a balança. Entre os petebistas, porém, a aliança com o PMDB é tida como certa, ainda que o martelo não tenha sido batido. "Ainda não definimos, pois vamos nos reunir nesta semana, mas a tendência natural é apoiar a candidatura do Bruno", afirmou o dirigente municipal Ricardo Francisco. Do antigo chapão pró-Custódio, só a situação do próprio PSDB é um pouco mais delicada. Depois da manifestação do governador Antonio Anastasia e do senador Aécio Neves, que efetivamente entraram na campanha de Bruno, o presidente tucano no estado, deputado Marcus Pestana, chegou a cobrar uma posição do diretório municipal no fim da última semana. O presidente da legenda em Juiz de Fora, vereador José Laerte (PSDB), já declarou seu engajamento pessoal – tendo, inclusive, participado da marcha "brunista" no Calçadão no último sábado – e afirmou que há uma parcela considerável do tucanato local caminhando com o peemedebista.
Entretanto, alguns dos dirigentes do PSDB de Juiz de Fora criticaram a forma como as articulações foram conduzidas. A principal crítica envolve o fato de a proximidade de Bruno com Aécio e Anastasia ter sido trabalhada alheia ao conhecimento do atual prefeito. Além disso, há o fato de que a argumentação dos dois candidatos foi construída num discurso antagônico à atual gestão. "É um desconforto muito grande, pelo menos para mim, apoiar qualquer um dos dois candidatos, porque eles basearam suas campanhas em críticas muito duras à nossa Administração, à Administração da qual fazemos parte", justificou o vereador Rodrigo Mattos (PSDB), deixando claro tratar-se de uma posição pessoal. A declaração de Bruno quanto à sua proposta de, em um eventual mandato, não aproveitar nenhum dos atuais secretários municipais também causou desagrado entre tucanos e membros do primeiro escalão do Governo. Apesar do clima ruim, como a maioria dos partidos da atual base governista acabou migrando para a campanha de Bruno, o candidato do PMDB conta com uma confortável vantagem na Câmara Municipal (13 de 19 parlamentares), caso seja eleito. Margarida, por sua vez, seguiu oficialmente com o mesmo número de aliados do primeiro turno, embora rumores apontem que parte do PRB pulou para o colo do peemedebista. O candidato com a votação mais expressiva da sigla e atual presidente da Câmara, Carlos Bonifácio (PRB), não confirmou o boato. De qualquer forma, a petista conta com o apoio de três vereadores para a próxima legislatura. Os outros três que não apoiam Bruno são Rodrigo e os dois pedetistas.
Fora do 2º turno
O ex-candidato à PJF Marcos Paschoalin (PRP) foi o único dos quatro concorrentes fora do segundo turno a declarar apoio a um dos remanescente no páreo. Tão logo se encerraram as votações no dia 7 de outubro, ele revelou que caminharia com Bruno Siqueira e não com Margarida Salomão, como era de se esperar depois de ter apontado boa parte de sua munição para a petista durante a campanha. Mesmo com sua votação ainda não contabilizada, por concorrer sub judice, Paschoalin ficou em último lugar na disputa. A candidata Victória Mello (PSTU), com a quarta melhor votação, defendeu o voto nulo no segundo turno. O PCB de Laerte Braga, quinto colocado, informou por meio de nota não apoiar nem Margarida e nem Bruno, sem fazer nenhuma menção a voto nulo, branco ou mesmo abstenção. "Não enxergamos em nenhum dos dois candidatos que disputam o segundo turno compromissos claros com o nosso programa e nem com nossos ideais e postulados marxistas leninistas", diz o documento. "Por essa razão, o Partido Comunista Brasileiro se mantém fiel a esses compromissos e não manifesta apoio nem a um e nem a outro, consciente que ambos representam o mesmo do mesmo com nuances de marketing que apenas disfarçam essa semelhança."

