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Maior renda, menos filhos, diz IBGE

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As informações mais recentes divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico 2010, revelam importantes mudanças no perfil das famílias e das mulheres. No que diz respeito à fecundidade, os números indicam que, a cada medição censitária, elas têm menos filhos. No Brasil, a taxa de fecundidade – que aponta o número médio de filhos nascidos vivos que uma mulher teria ao final do período fértil (dos 15 aos 49 anos) – foi reduzida de 2,38 em 2000 para 1,9 em 2010. Em Minas Gerais a taxa caiu de 2,22 para 1,77 nos dez anos. Isso significa que o número médio de filhos por mulher está cada vez mais próximo de um. Mas uma das relações mais interessantes contidas no último pacote de informações estatísticas confirma que questões sociais estão diretamente relacionadas ao número de filhos. Quanto maior a renda e a escolaridade das mulheres, por exemplo, menor a quantidade de bebês.

A região de moradia também interfere. Enquanto nas regiões urbanas de Minas a taxa é de 1,71, na Zona Rural sobe para 2,29. As negras e as pardas também têm mais filhos conforme o levantamento (ver quadro), mas a diferença mais nítida ocorre quando são traçados comparativos com o grau de instrução e o rendimento domiciliar. Se a média de filhos das mineiras sem instrução ou com ensino fundamental incompleto é de 2,78, o índice cai para 1,16 levando em consideração as que têm o ensino superior completo.

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Quando o critério de análise é o rendimento domiciliar per capita das mineiras, a discrepância torna-se ainda maior. Se a taxa é de 4,08 filhos por mulher que tem renda familiar de até um quarto do salário mínimo por pessoa, passa a ser de 1,01 quando a renda é de mais de cinco salários mínimos.

De acordo com o doutor em demografia e professor do Departamento de Estatística da UFJF Luiz Cláudio Ribeiro, diversas situações contribuem com o declínio da fecundidade, que é um dos principais responsáveis por alterar a estrutura etária da população. A emancipação da mulher, a inserção no mercado de trabalho e a percepção do custo do filho são alguns dos fatores que interferem na taxa de fecundidade. Isso pode justificar também o fato de São Paulo ser o estado da região Sudeste com a menor taxa (1,67).

Além disso, Luiz Cláudio ressalta que, até a década de 1940, o Brasil era eminentemente rural, e os filhos eram força de trabalho. Com a urbanização, eles também passaram a representar maiores gastos. O doutor em demografia ainda aponta a pílula anticoncepcional e a televisão como outros fatores que podem ter contribuído com a nova realidade. Há pesquisas que defendem que a televisão, em especial as telenovelas, tenha contribuído para difundir novos comportamentos.

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