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Micos fazem das ruas seu habitat

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Uma situação curiosa tem chamado a atenção de moradores do Bairro Santa Helena, região Central. Vários micos têm circulado na fiação elétrica e nos telhados das casas nas ruas Barão de Cataguases, Luiz Perry e Olímpio Reis. Estas vias ficam próximas à mata do Morro do Cristo, onde houve um incêndio de grande proporção no último mês. Na ocasião, o superintendente da Agência de Gestão Ambiental da Prefeitura de Juiz de Fora (AgendaJF), Aristóteles Faria, já havia informado a possibilidade de animais da fauna buscarem refúgio em locais habitados, no entanto, um veterinário, especialista em animais selvagens, acredita que a facilidade em conseguir alimentos é a explicação mais plausível para que os bichos permaneçam na área urbana. Embora aparentemente inofensivos, os micos têm trazido transtornos a moradores, que precisam deixar as janelas dos imóveis fechadas com medo de eles entrarem para roubar comida. Na última semana, um deles foi levado para uma clínica após ter sido encontrado com uma das patas quebradas.

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A leiloeira Ângela Bechara, que mora há 38 anos na Rua Barão de Cataguases, conta que, em todo este tempo vivendo na região, é a primeira vez que os micos aparecem. Acredito que eles estão alojados no forro da minha casa. Também já descobri que estão se alimentando de ovos de passarinhos, porque há muitos ninhos lá em cima. Ângela supõe que os animais estão famintos, e, por isso, foram parar na rua. Já vi três, mas acho que pode ter mais. O único transtorno é ter que deixar toda a casa fechada. Sei que eles podem morder, e não temos informação de como lidar com este problema.

Proprietário de uma residência na Rua Barão de Cataguases, o comerciante Rômulo Gomes confirma que os animais estão pulando de casa em casa, pelos telhados, em busca de alimentos. Até tirei meus passarinhos da frente do imóvel. Disseram que eles poderiam comê-los. Ele conta que já viu quatro micos, e, no primeiro dia, deu banana a eles, mas o hábito não seguiu adiante porque o morador ficou com receio de os bichos continuarem indo no local.

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O veterinário Rômulo Barbosa de Castro é especialista em animais selvagens e recebeu do Ibama um mico que teria se machucado na Rua Barão de Cataguases. Conforme o especialista, os bichos estão surgindo no perímetro urbano devido à facilidade de conseguir alimentos, principalmente porque algumas pessoas fornecem frutas a eles. O morador acha bonito ver o animal comendo. No entanto, se hoje são quatro, amanhã podem ser 16 no telhado do imóvel. A tendência é que eles se multipliquem e façam daquele espaço o seu novo lar.

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Perguntado sobre a possibilidade de eles terem saído da mata do Morro do Cristo após o incêndio, o veterinário diz não acreditar, pois os micos, assim como as pombas, quatis e maritacas, são da fauna sinantrópica, ou seja, se adaptam com facilidade ao convívio com os humanos no perímetro urbano.

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Já o biólogo do Ibama André Santos Neves avalia que a fuga da mata é uma possibilidade. Mas, segundo ele, se os animais não encontrarem alimentos nas ruas, logo voltam a seu habitat natural. Neves também esclareceu que o Ibama apenas recolhe os bichos das ruas se eles estiverem muito feridos, caso contrário, os micos não são retirados.

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