Um jovem, de 24 anos, conseguiu acionar a Polícia Militar enquanto era vítima de tortura por um suposto “tribunal do crime”, na noite dessa quarta-feira (22), em um apartamento no Bairro Santa Luzia, Zona Sul de Juiz de Fora. Segundo a corporação, ele ligou para o 190 relatando que estava sendo agredido e ameaçado por homens que se apresentaram como integrantes da facção criminosa Comando Vermelho ao invadirem a residência de sua namorada. Uma equipe seguiu até o local e conseguiu prender dois suspeitos, de 24 e 34 anos. Um terceiro, de 37, também foi identificado, mas conseguiu escapar junto com um comparsa. Uma adolescente e quatro crianças também estavam na casa.
Segundo a PM, a namorada da vítima chegou a receber os policiais na entrada, mas não retornou, mas os militares entraram no imóvel, diante da denúncia recebida. O próprio jovem que estaria sendo alvo de tortura não se apresentou, e a PM precisou ligar para o celular de onde havia partido o chamado para identificá-lo, enquanto ele temia os criminosos.
“Até aquele momento, na presença dos demais ocupantes da residência, a vítima e os outros envolvidos negavam que estivesse ocorrendo qualquer alteração, agressão ou ameaça no local”, detalhou a corporação no boletim de ocorrência.
Diante da situação, o jovem foi retirado do cômodo onde estavam os demais e conduzido até o andar inferior, próximo à entrada do imóvel. Na oportunidade, ele agradeceu a presença da polícia e confirmou ter realizado o pedido de socorro. A vítima contou aos militares que a invasão teve finalidade de submetê-lo a um castigo, determinado pela facção criminosa, relacionado a um antigo relacionamento que manteve com uma mulher. Um dos suspeitos que conseguiu fugir teria se identificado como “disciplina” do grupo e desferido tapas em seu rosto, enquanto os comparsas o ameaçavam de morte.
“A vítima acrescentou que, antes dos fatos, teria recebido diversas ligações telefônicas, nas quais pessoas determinavam que ele se apresentasse ao Comando Vermelho para resolver a situação“, relatou a PM. O jovem ainda afirmou que se recusou a comparecer, alegando que estava trabalhando e que não havia praticado qualquer ato ilícito ou agressão contra sua ex-companheira.
Durante a possível tortura no apartamento, dois dos bandidos teriam realizado videochamadas com outros indivíduos que, segundo a vítima, seriam integrantes da facção e estariam presos. Por meio das ligações, esses homens também teriam proferido ameaças de morte.
“Ressalta-se que as informações referentes às videochamadas, à identidade dos interlocutores, à suposta condição de privados de liberdade e às ameaças proferidas durante as conversas foram relatadas pela própria vítima, não tendo as referidas videochamadas sido presenciadas diretamente pelos militares que atenderam à ocorrência”, destacou a PM.
Os dois homens presos negaram os crimes, alegando que eram conhecidos da família, e foram encaminhados ao plantão da 1ª Delegacia Regional, em Santa Terezinha. O caso será investigado pela Polícia Civil.

