Ícone do site Tribuna de Minas

Sódio reduzido nos alimentos

PUBLICIDADE

Durante as compras, mesmo atento a dados como calorias, gorduras e colesterol, muitos consumidores deixam de conferir um fator importante no rótulo: o teor de sódio. O consumo desbalanceado da substância pode causar hipertensão, doenças cardíacas, derrame e insuficiência renal. Para conter o consumo excessivo do componente, o Governo e a indústria de alimentos firmaram, no final de agosto, o terceiro acordo buscando reduzir a concentração de sódio na dieta do brasileiro.

Esta etapa pretende mudar a composição das margarinas, dos cereais matinais e dos temperos prontos usados no preparo de comida (ver quadro). No ano passado, dois tratados semelhantes foram assinados em relação a massas instantâneas (pão francês, pão de forma, bisnaga, mistura para bolos, salgadinhos de milho, batata frita e maionese). Com a medida, que faz parte do Plano Nacional de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, o Governo espera reduzir o consumo diário de sódio do brasileiro de 12 gramas para cinco, índice recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Até 2020, a expectativa é que 8,8 mil toneladas da substância sejam eliminadas do mercado.

PUBLICIDADE

Para o cardiologista do Hospital Universitário da UFJF (HU-UFJF) José Dondici Filho, a iniciativa terá grande impacto, pois pode permitir a redução de até quatro milímetros de mercúrio na pressão arterial da população. "Pode parecer pouco, mas isso já reduz em cerca de 20% os riscos de infarto e derrame, o que representa um grande salto em termos de saúde pública." Ainda segundo o especialista, o consumo desenfreado do sódio pode, muitas vezes, vir da falta de informação em relação ao componente alimentar. "Muitas pessoas se esquecem que o sal (cloreto de sódio) está presente nos alimentos, mesmo antes de serem temperados. Ao acrescentar o produto à comida, é fácil ultrapassar o consumo diário recomendado, equivalente a uma colher de chá em uma refeição."

Na opinião de Dondici, uma simples mudança na nomenclatura dos rótulos poderia ajudar a conter a ingestão do produto. "Muita gente sabe que o consumo em excesso de sal faz mal à saúde, mas não conhece o sal como cloreto de sódio. Por isso, a substituição do termo cloreto de sódio por sal nos rótulos ajudaria a orientar muitos consumidores."

 

 

PUBLICIDADE

Substituições simples podem fazer a diferença

Apesar de seu consumo excessivo ser nocivo à saúde, o sódio é um nutriente importante para o organismo. Além de ser um conservante, também confere sabor aos alimentos e contribui para regulação osmótica de fluidos, ajuda na condução de estímulos nervosos e na contração muscular. Segundo o médico do HU José Dondici Filho, os principais problemas relacionados à ingestão da substância acontecem porque para que o sal seja metabolizado, é preciso reter líquido, o que estimula a vasoconstrição, ou seja, a diminuição dos vasos. Com isso, os mecanismos de defesa também se reduzem.

O acordo assinado pelo Governo e a indústria alimentícia atua para diminuir estes efeitos, mas existem medidas simples que podem regular a quantidade de sódio ingerida no dia a dia. Segundo Dondici, uma boa opção é a substituição do sal por outros temperos . "Qualquer tempero natural, como pimenta, alho, cebola e ervas aromáticas, pode ser usado. Há também no mercado um sal com teor reduzido de sódio, mas é preciso ter cuidado para não usar uma quantidade maior do produto."

PUBLICIDADE

 

Hábitos saudáveis

Ainda conforme o médico, produtos como refrigerantes light, congelados e qualquer alimento com conservante devem ser evitados, pois possuem concentração muito elevada do componente. "Os efeitos negativos são ainda maiores nas crianças, que costumam gostar de muitos destes alimentos. Quanto mais anos alguém é exposto a uma substância nociva, mais impacto o consumo terá sobre sua saúde." Dondici alertou, ainda, que uma dieta mais balanceada deve estar associada à prática de exercício físico e a outros hábitos saudáveis. "A redução de sódio é imprescindível para a saúde, mas se o sal é capaz de aumentar em até 10mm a pressão arterial de uma pessoa, a obesidade pode fazer com que ela suba até 40mm, e precisa ser combatida."

PUBLICIDADE
Sair da versão mobile