Uma nova modalidade de golpe foi registrada na cidade e deixa a polícia em alerta. Trata-se de um estelionato em que o criminoso comunica a vítima, por meio do telefone, sobre a protestação de um título e a convence a fazer um pagamento em forma de depósito em uma conta bancária desconhecida. Na imprensa nacional, a enganação é conhecida como golpe da lista telefônica. Uma dentista juiz-forana, de 53 anos, foi alvo destes criminosos. Ela contou que recebeu o telefonema de uma mulher que se identificou como sendo do cartório da cidade de São Paulo, informando-lhe a respeito da existência de quatro boletos, no valor de R$ 239, que ela não havia quitado, para ter seu nome citado em um guia em forma de telelista de médicos e dentistas. O contrato, segundo a interlocutora, havia sido assinado em 2008. Também foi informada que já havia sido enviada em nome dela uma intimação, que chegou a ser recebida pela secretária da vítima. Porém, a dentista desconhecia tal fato. Diante da falta de pagamento, a profissional teria um título protestado caso não realizasse o pagamento no mesmo dia. "A ligação aconteceu por volta das 11h e tinha que efetuar o pagamento até 13h", contou, acrescentando que a pessoa da ligação forneceu o número da conta de uma agência bancária para que fosse feito o depósito no valor de R$ 999.
Porém, quando a vítima estava no banco para fazer a quitação, a atendente da instituição teve dificuldade de encontrar a conta informada e a advertiu sobre a possibilidade de um golpe, uma vez que se tratava de conta em nome de pessoa física, como uma conta salário para movimentação de, no máximo, R$ 1 mil, justamente o valor cobrado pelos golpistas. Após a averiguação do endereço do cartório, do site fornecido pela mulher do telefone e da suposta telelista, que não existiam, a dentista percebeu o golpe e não chegou a realizar o pagamento. Depois disso, ela ficou sabendo de outros profissionais liberais que quase caíram no golpe. Ela ficou assustada com o teor das informações sobre ela fornecidas na ligação. "Isso prova como somos frágeis, principalmente se colocam a nossa honestidade à prova. Fiquei impressionada, já que todas as pessoas que conversaram comigo por telefone em nome do tal cartório apresentavam um português perfeito. Tudo isso leva a gente a acreditar."
Acesso fácil
Para a delegada titular da 7ª Delegacia de Polícia Civil, Ângela Fellet, os golpes via telefone têm se tornado muito comuns e, cada vez mais, incrementados. Segundo ela, com o advento da internet, o acesso a dados pessoais de qualquer cidadão ficou muito fácil. "Assim, os estelionatários estão se aproveitando disso. Com uma conversa baseada nos dados pessoais, fica muito mais fácil enganar as vítimas, pois deixa o diálogo mais verossímil", pontua a delegada. Ela alerta que os golpistas usam dois artifícios para engambelar as vítimas. "O primeiro é, por meio da coação, dizer que a pessoa terá seu nome negativado. O segundo é quando oferece vantagens, que nunca vão aparecer no futuro. Além disso, quando alguém, por meio de telefone, apresenta muitos dados pessoais, é preciso ter cuidado." A delegada orienta a jamais fazer qualquer tipo de depósito ou transferência de valores sem antes checar informações apresentadas pelo interlocutor ou pela instituição da qual afirma ser representante. "Se a pessoa chega a cair no golpe, o ideal é procurar a Polícia Militar para registrar a ocorrência e, depois, procurar a delegacia, para apresentar mais detalhes sobre o golpe, como forma de dar início à investigação."
