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Presenças inevitáveis

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Elas não são apenas grandes atrizes, mas fazem parte de uma experiência cultural que atravessou gerações e ajudou a nos reconhecer diante da tela (Foto: Reprodução/Internet).
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As presenças de Glória Menezes e Laura Cardoso, por décadas, nas casas das famílias brasileiras, fizeram delas atrizes profundamente queridas pelo público, respeitadas por seu talento e pela memória afetiva que ajudaram a construir. Ambas nos deixam uma arte que não morrerá jamais: a lembrança de artistas que fizeram das telas e dos palcos lugares permanentes para a emoção.

Eu, como bom brasileiro, cresci tendo as novelas como espelho da nossa realidade. Foi por meio delas que também aprendemos sobre nosso país, nossa gente, nossa história e nossa cultura. Há quem torça a cara para as novelas, mas é impossível negar sua importância na construção da identidade nacional. E é justamente nesse território tão brasileiro que Glória Menezes e Laura Cardoso se tornaram presenças inevitáveis. Elas não são apenas grandes atrizes, mas fazem parte de uma experiência cultural que atravessou gerações e ajudou a nos reconhecer diante da tela.

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Eu jamais esquecerei Laura Cardoso como Dona Guiomar, em “A Viagem”. Enquanto todos se apavoravam com as cenas de Alexandre, eu, ainda criança, ficava com medo do olhar de Dona Guiomar quando a personagem incorporava o espírito do falecido. Hoje, revendo aquelas cenas, percebo ainda mais a grandeza do trabalho de Laura Cardoso. Ela não precisava de diálogos ou de qualquer outro recurso: bastava uma mudança no olhar para sabermos que o espírito de Alexandre havia baixado. Era a força de uma atriz que conseguia transformar um simples olhar em um acontecimento dramático.  

E o que dizer de Glória Menezes, senão reconhecer sua genialidade e versatilidade como atriz? Ao assistir atualmente à novela “Corpo a Corpo”, disponível no streaming, percebo o quanto Glória impressiona ao interpretar uma vilã atormentada, personagem que não lembra, nem de longe, o perfil das mocinhas que tantas vezes viveu. Ao dar voz e corpo à enfermeira Tereza, ela constrói uma personagem complexa e uma atuação que ocupa lugar de destaque em sua trajetória na televisão.

Também é impossível não lembrar de Glória como Rosa, no clássico “O Pagador de Promessas”, de 1962, dirigido por Anselmo Duarte. No filme, ela interpreta lindamente a esposa fiel e inocente de Zé do Burro, acompanhando-o na longa jornada a pé, carregando uma pesada cruz até uma igreja em Salvador. Quem ainda não viu o filme deveria vê-lo. Além de marcar a estreia de Glória Menezes no cinema, a produção entrou para a história ao conquistar a Palma de Ouro, o prêmio máximo do Festival de Cannes, um feito que permanece único no cinema nacional.

É certo que, atualmente, as novelas já não causam o mesmo impacto de antigamente. Com o advento do streaming, do TikTok e de tantas outras formas de consumo audiovisual, a audiência se pulverizou, tornando mais difícil para novas atrizes alcançarem a projeção que um dia tiveram nomes como Glória Menezes e Laura Cardoso. Ainda assim, esperamos que o legado dessas duas grandes artistas, eternizado nas inúmeras produções de que participaram, sirva de inspiração para o surgimento de novas estrelas capazes de alcançar o mesmo calibre e a mesma grandeza.

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