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Professor é exemplo na UFJF

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A esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa dos neurônios motores, ganhou destaque nas redes sociais nas últimas semanas com a campanha do desafio do balde de gelo, que teve adesão de várias celebridades internacionais e brasileiras. Em Juiz de Fora, o professor colaborador da Faculdade de Medicina da UFJF, Vanderlei Corradini Simões de Lima, é um exemplo de superação da ELA. Por meio dos movimentos dos olhos e com o auxílio da tecnologia, ele participa das aulas de fisiologia médica I, discutindo casos clínicos que presenciou durante os anos em que atuou como médico. Conforme a professora titular da disciplina, Carla Malaguti, o rendimento dos alunos melhorou desde que Vanderlei começou a compartilhar suas experiências com eles.

Convivendo com a doença desde 2010, Vanderlei perdeu todos os movimentos do corpo, ficando restrito à cama. A visão, a audição e a consciência se mantêm preservadas. A ELA, além da locomoção, afeta a fala, a respiração e a deglutição. Um equipamento ligado ao computador permite que o professor continue participando ativamente do mundo. O aparelho garante ao usuário o acesso a todos os comandos e possibilita que ele escreva com o movimento dos olhos. Assim ele responde os alunos e redigiu o livro "Eu e elas", onde relata suas experiência com a música, com a medicina e com a própria doença.

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"Quando vi pelas redes sociais que o doutor Vanderlei postava conselhos para pessoas com problemas, pensei, se ele pode digitar, quem sabe ele pode contribuir com minha disciplina à distância?", diz Carla Malaguti, que resolveu convidá-lo para participar de forma virtual de suas aulas na UFJF. Vanderlei foi médico da família de Carla em São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas, e há três semestres a ajuda a formar mais profissionais na área. "Ele me relatou que os fóruns resgataram nele o gosto pela vida, pois agora ele se sente útil novamente, exercendo sua profissão em outros sentidos." A professora conta também que a experiência para os estudantes está sendo muito positiva. "O rendimento deles melhorou, eles estão mais motivados, o professor aborda os aspectos técnicos do conteúdo e transmite seus valores humanistas. A ligação entre ele e as turmas é crescente, vai além da academia. Essa parceria é um exemplo a ser seguido."

 

Busca de respostas não encontradas nos livros

Segundo a professora Carla Malaguti, os alunos da UFJF falam que as experiências profissionais e pessoais do professor "apimentam" as discussões acadêmicas e os desafiam a buscar respostas muitas vezes não encontradas em livros ou artigos. "Eles foram instigados a olhar os pacientes com outros olhos, abordá-los além das questões físicas e corporais. Atingimos o ápice quando um dos debates foi sobre a ELA. Eles não só adquiriram o aprendizado, mas ganharam novos valores e pensamentos, se emocionaram e deram novos significados às suas relações", avalia a docente.

Sobre o futuro de Vanderlei Lima como professor, Carla conta que ele diz que, enquanto conseguir,quer contribuir e continuar a ser útil para a sociedade. "Ele quer mostrar que, mesmo com as limitações impostas, podemos alcançar muitas coisas em nossas vidas."

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Desafio

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A campanha Ice Bucket Challenge começou no Estados Unidos para arrecadar dinheiro para estudos sobre a cura da ELA. A brincadeira visa a mostrar que ser diagnosticado com ELA é como receber um balde de água fria na cabeça, pois a doença é irreversível. Celebridades como Lady Gaga, Neymar e Gisele Bündchen enviaram vídeos, o que impulsionou o alcance das publicações. Na próxima sexta-feira, os alunos da UFJF estão se organizando para realizar coletivamente o desafio na Praça Cívica da Reitoria da UFJF.

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