
Uma das balas atingiu uma barbearia
O Centro da cidade teve nesta quinta-feira (22) um dia violento, com tiros, esfaqueamento e briga de gangues no meio da rua, o que aumentou a sensação de insegurança de pedestres e comerciantes. Um confronto de jovens com uso de facas e revólver levou comerciantes do Marechal Center a baixarem as portas das lojas durante a tarde. Pela manhã, os disparos de arma ocorreram na Travessa Doutor Prisco, enquanto um esfaqueamento foi registrado dentro de um coletivo na Avenida Rio Branco Os registros chamaram a atenção pela ousadia dos criminosos, que cometeram os delitos em plena luz do dia.
O confronto das galeras que provocou pânico entre lojistas aconteceu por volta das 16h. O tumulto envolveu oito jovens, sendo quatro de cada lado, e tomou conta de algumas vias, como a Avenida Getúlio Vargas e a Rua Mister Moore. Por onde o grupo passava, provocava receio nos lojistas, e alguns tiveram que fechar as portas momentaneamente.
De acordo com comerciantes, os jovens teriam idades entre 15 e 25 anos. Eles começaram a se enfrentar na Getúlio. Empunhando facas, eles seguiram se enfrentando até a Mister Moore, onde entraram no Marechal Center. Seguranças tentaram controlar a situação. Houve correria dos pedestres e clientes do centro comercial. "A impressão que eu tinha era estar em um filme de gladiadores. Eles são ousados e não se importavam com quem estava passando. Todos estavam com facas e desferiam golpes uns contra os outros. Um dos seguranças disse que um deles estava com um revólver na cintura. Foi sorte ninguém se ferir", relatou o síndico do edifício, Cássio Loures. Ele afirmou ainda que as brigas entre grupos rivais na região são frequentes e cobrou mais policiamento.
Uma vendedora, que pediu para não ser identificada, relatou que atendia uma cliente quando a confusão começou. "Corri para fechar as portas. Em outros casos, eles já chegaram a entrar em lojas durante o embate." Em outro comércio, o clima era de temor. "Também fechamos as portas. Alguns clientes entraram dentro dos vestiários. Foi horrível. Minha vontade era continuar com a porta fechada. Aqui a gente nunca sabe quando a confusão pode começar", dispara uma comerciária. A PM foi acionada, porém, quando os militares chegaram, cerca de dez minutos após o chamado, os jovens já haviam fugido.
Tiros
Os tiros disparados pela manhã já tinham deixado assustados comerciantes e pedestres, na esquina da Rua João Pessoa de Rezende e Travessa Doutor Prisco, próximo à Avenida Francisco Bernardino. Estilhaços de bala ainda atingiram um idoso após bater na parede interna de uma barbearia, segundo relato do proprietário e de um funcionário do local. Outro projétil atingiu a porta de aço de um consultório odontológico. De acordo com a PM, o crime estaria relacionado a rixa entre grupos de jovens dos bairros Jardim Esperança e Retiro, ambos na Zona Sudeste.
Por volta das 9h30, dois moradores do Retiro, de 18 e 19 anos, passavam pelo local, quando foram surpreendidos por tiros disparados supostamente por um rapaz do outro bairro. Após o crime, o atirador teria embarcado em um Kadett, onde um comparsa o aguardava, e fugiu. Além de levar medo à população, a ação criminosa demonstrou a ousadia do bandido, que agiu a poucos metros da 30ª Companhia da PM, situada na Praça da Estação.
Militares mobilizados na ocorrência realizaram intenso rastreamento e localizaram o carro que teria sido usado na fuga estacionado no Jardim Esperança. Após consulta a populares, os policiais chegaram ao proprietário, 20, que acabou recebendo voz de prisão em flagrante. Ele alegou à PM que havia dado carona ao suspeito porque desconhecia que ele teria atirado. No Kadett, os militares ainda encontraram três porções de maconha. O homem foi levado para a 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil. Já o atirador não foi localizado, e nenhuma arma foi encontrada. O veículo foi apreendido.
Assustado, o proprietário da barbearia alvejada por um dos tiros, 80, disse nunca ter passado por situação semelhante nos mais de 20 anos que trabalha no mesmo ponto. "Foram três estampidos, mas não sei de onde vieram os tiros. Um deles pegou na parede, ricocheteou e pegou de raspão no braço do senhor que estava sentado. Ele só limpou o machucado, não quis ir para o hospital" contou. "Ainda bem que todo mundo escapou sem gravidade. Foi um perigo."
Também chocado com a violência, um funcionário da barbearia, 70, disse que as cerca de cinco pessoas presentes no estabelecimento ficaram muito assustadas. "Parecia bala perdida, e o estilhaço acabou atingindo o braço do cliente. Foi de repente, não teve briga. Ninguém sabe o porquê. Ainda fomos para a porta, mas não vimos nada." Peritos da Polícia Civil realizaram levantamentos nos estabelecimentos e apreenderam dois projéteis.
O presidente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora, Emerson Beloti, disse que os lojistas ainda não entraram em contato com o órgão para relatar a insegurança. Além disso, avalia que a polícia está atenta às ocorrências e tem realizado policiamento ostensivo na região central. Beloti acredita que os casos dessa quinta são isolados.
Passageiro é golpeado em coletivo
Também no Centro da cidade um jovem de 20 anos foi esfaqueado dentro de um ônibus, no início da manhã de quinta-feira (22), em plena Avenida Rio Branco, na altura da Rua Floriano Peixoto. De acordo com a Polícia Militar, por volta das 6h40, um motorista, 38, informou que um passageiro havia esfaqueado outro no interior do coletivo da Viação Tusmil, linha 522- Teixeiras. A vítima foi socorrida pelo Samu e levada para Hospital de Pronto Socorro (HPS). Ela sofreu ferimento à faca na parte inferior da axila esquerda. Conforme a PM, como não havia cirurgião disponível na unidade, o paciente permaneceu no local aguardando transferência. Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde, o jovem foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Norte e apresentava corte superficial. Ainda de acordo com a pasta, ele estava lúcido e orientado, sendo seu quadro considerado estável.
Segundo a PM, o rapaz ferido disse desconhecer o criminoso e não saber o motivo de ter sido golpeado. O crime assustou passageiros que estavam no ônibus e no ponto da Rio Branco próximo à Rua Floriano Peixoto. O bandido teria aproveitado a parada no local para praticar o crime e conseguiu escapar em seguida. Militares fizeram buscas na região, mas nenhum suspeito foi encontrado.
Policiamento
De acordo com o capitão Marcelo Monteiro de Castro, comandante da 30ª Companhia, responsável pelo policiamento na área central, a corporação realiza trabalhos de inteligência junto com as companhias dos bairros, a fim de evitar que conflitos entre grupos rivais venham a acontecer na região central. Na avaliação dele, as ocorrências registradas quinta não demonstram que o Centro vem se tornando área para o enfrentamento de gangues de bairros rivais da cidade. "O que pode acontecer é estes grupos se encontrarem aqui e acabarem tento algum conflito pontual. Não significa que venham para o Centro para se enfrentar." Ele frisou que a PM lança policiamento ostensivo nas ruas centrais e, quando há ocorrências, a PM deve ser acionada imediatamente pela população. "Onde estes delitos aconteceram haverá monitoramento, e os pontos serão alvo de operações futuras."

