Apesar de a UFJF garantir que o calendário letivo está mantido, há um movimento de universidades federais do estado no sentido de adiar o retorno às aulas em função da greve por tempo indeterminado dos técnico-administrativos. Em Juiz de Fora, além da paralisação da categoria há quase 60 dias, existem dois agravantes: a possibilidade de adesão dos professores ao movimento grevista e a indefinição orçamentária da instituição. A previsão de volta às salas de aula, porém, está mantida para 3 de agosto.
Em Minas Gerais, as universidades federais de Ouro Preto (UFOP) e do Vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) já informaram o adiamento do início das aulas. No caso da UFOP, as aulas estão suspensas por tempo indeterminado devido às greves de professores e técnicos-administrativos, conforme nota publicada em seu site. Já a UFVJM confirmou a suspensão do calendário no campus de Mucuri, pela adesão dos docentes. As atividades dos campi de Diamantina e Janaúba prosseguem normalmente.
Para o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino no Município de Juiz de Fora (Sintufejuf), Paulo Dimas de Castro, a UFJF terá dificuldades para retomar o calendário letivo. Entre os motivos, ele cita a adesão hoje de 70% dos cerca de 1.400 trabalhadores, além da indisponibilidade de equipamentos, como o Restaurante Universitário (RU), os infocentros, as bibliotecas central e setoriais e boa parte das secretarias, dentre outros. Dimas destacou, ainda, o impacto provocado pela falta de insumos – a aquisição é feita por técnico-administrativos -, além da possível paralisação dos professores, em indicativo de greve desde 4 de julho. Por tudo isso, avalia, o comprometimento é inevitável.
Outro agravante é a possível adesão de professores à greve nacional que hoje abrange 39 universidades e dois institutos federais, de acordo com o Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes). Em indicativo de greve desde o início de julho, os professores se reunirão em assembleia no dia 4 de agosto no anfiteatro de ciências sociais para uma nova definição. A Tribuna entrou em contato com alguns alunos para um posicionamento acerca da situação, no entanto, aguarda-se ainda a constituição do Diretório Central dos Estudantes (DCE), cujo processo eleitoral está sendo conduzido pelo Conselhos de Centros Acadêmicos e Diretórios Acadêmicos (Concada). O processo deverá ser retomado somente 48 horas após o retorno dos técnicos-administrativos às suas funções.
Expectativa de nova reunião sobre orçamento
Pela segunda vez em duas semanas, o reitor da UFJF, Júlio Chebli, vai a Brasília para tentar definir, junto ao Ministério da Educação (MEC), o orçamento até dezembro para a universidade, além de pleitear o de 2016. Informações de bastidores dão conta de que o valor apresentado pelo MEC, após o primeiro encontro, teria sido muito inferior ao pleiteado pela instituição. A UFJF, até agora, não falou em cifras, nem sobre o que será mantido e o que ainda precisará ser ajustado até o final do ano em função do contingenciamento adotado pelo Governo federal. Em reunião do Conselho Universitário (Consu) no dia 3 de julho, Chebli chegou a mencionar as dificuldades em relação à indefinição no orçamento, mas não detalhou o impacto local. A expectativa é de que uma nova reunião seja convocada já na próxima semana.
Por meio de nota, o MEC afirmou que o secretário de Educação Superior, Jesualdo Farias, está recebendo todos os reitores das 63 universidades federais. “Foi informado ao reitor da UFJF, assim como aos demais, que, somente após receber todos os 63 reitores e processar as informações, o que deverá ocorrer na primeira semana de agosto de 2015, é que a Secretaria de Educação Superior (Sesu) divulgará as informações.”
Há cerca de um mês, a UFJF foi comunicada sobre o corte em 47% do capital para investimento e de 10% para o custeio pela Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que impacta todas as universidades federais do país. Além disso, a instituição convive com repasse mensal de custeio de 1/18 do orçamento de 2014 (e não 1/12), refletindo o contingenciamento de 30% definido pelo Governo federal desde o início do ano.
Procurada, a UFJF, por meio de sua assessoria, afirmou que o calendário letivo está mantido. “Não existe, neste momento, qualquer avaliação no que diz respeito a isso. As aulas começam em 3 de agosto”, afirmou a instituição, por meio de nota. Sobre a nova visita do reitor a Brasília, que aconteceu ontem, a informação é que um posicionamento será divulgado “tão logo quanto possível”.
