O processo de intervenção nos hospitais psiquiátricos da cidade, que resultou no fechamento do Hospital São Domingos e na transferência da gestão da Casa de Saúde Esperança para o município, foi discutido nesta quinta-feira (23) no seminário Desinstitucionalização: desafios e estratégias para Juiz de Fora e região, promovido pela Secretaria de Saúde. O evento, realizado no auditório da OAB Minas/subseção de Juiz de Fora, teve participação do Coordenador Nacional de Saúde Mental, Roberto Tykanori. Também estavam presentes técnicos da área de saúde mental do órgão federal e do município, o procurador do Ministério Público Federal, Jefferson Dias, além do coordenador regional das Promotorias de Saúde da Região Macrossudeste, Rodrigo Barros.
Conforme o secretário de Saúde de Juiz de Fora, José Laerte Barbosa, o seminário teve a finalidade de promover reflexão. É o momento de a gente pensar um pouco sobre o processo pelo qual estamos passando, de avaliar, conversar e ouvir pessoas de fora para nos incentivar, mas também, se for o caso, nos corrigir, a fim de que a gente não cometa os erros que foram cometidos quando processos tão importantes quanto esse aconteceram. O seminário é também o momento de reafirmar publicamente as parcerias, afirmou, referindo-se ao apoio do Governo federal no processo de desinstitucionalização dos pacientes psiquiátricos da cidade, que hoje somam mais de 300 pessoas.
Para cumprir o acordo firmado com o Ministério Público de extinguir, até setembro de 2014, as duas unidades de internação restantes, Casa de Saúde Aragão Villar e antiga Casa de Saúde Esperança, hoje Hospital Psiquiátrico Municipal, Juiz de Fora precisa de recursos federais. A ideia é que o financiamento viabilize a construção de um modelo eficiente e resolutivo, capaz de substituir esses hospitais e de oferecer tratamento fora de seus muros, com a ampliação de serviços residenciais terapêuticos, entre outras iniciativas. Além da implantação de uma rede substitutiva, o apoio governamental é fundamental para a contratação de leitos psiquiátricos em hospitais gerais, oferecendo suporte para pacientes em crise.
Para o coordenador nacional de saúde mental do Ministério da Saúde, Roberto Tykanori, apesar do atraso na transformação e melhoria do atendimento aos doentes mentais, Juiz de Fora vive um momento importante. A cidade foi um dos pontos de partida da reforma psiquiátrica, mas ficou defasada e acabou sendo uma das regiões com maior concentração de hospitais psiquiátricos em comparação com outros lugares do país. Apesar de ainda termos problemas a serem superados, ao menos iniciamos a transformação onde havia muita resistência nessa última década. Já não era sem tempo, considerou.
A jornalista da Tribuna, Daniela Arbex, estava entre os palestrantes convidados e mostrou que as denúncias realizadas pelo jornal a respeito do tema somam mais de uma década.
