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Mais chuvas em Juiz de Fora: Temporal deixa ruas alagadas e 15 pessoas resgatadas na cidade

Chuvas em JF Vanessa Bhering
Em Santa Luzia, na Zona Sul, córrego saiu da calha (Foto: Vanessa Bhering)
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O temporal registrado na noite de domingo (22) provocou alagamentos, deslizamentos de terra e desabamentos de muros em Juiz de Fora. O 4° Batalhão de Bombeiros Militar de Minas Gerais foi acionado por volta das 19h para atender diversas ocorrências relacionadas à forte chuva. Ao todo, cerca de 15 pessoas foram resgatadas de áreas de risco. Não houve registro de feridos. Segundo a Defesa Civil, ao todo, 53 ocorrências foram registradas na cidade 22 ocorrências na Zona Sul, 20 ocorrências na Zona Norte e 11 no centro.

Ruas ficaram alagadas e moradores, motoristas e passageiros de ônibus ficaram ilhados em diferentes pontos da cidade. Três ocorrências de alagamento com pessoas ilhadas foram registradas nos bairros Cerâmica, Monte Castelo e Democrata. As equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais realizaram os resgates e conduziram as vítimas para locais seguros.

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No Bairro Democrata, na Rua Benjamim Guimarães, um ônibus foi surpreendido pelo volume de água e ficou ilhado com quatro ocupantes. Todos foram retirados em segurança.

No Mariano Procópio, moradores sofreram prejuízos após água invadir residências (Foto: Sandra Farinelli)

No Bairro Vale do Ipê, na Rua Sizenando de Almeida Cruzeiro, um barranco cedeu e deslizou sobre um córrego, causando o represamento da água e risco de queda do muro de uma residência próxima. A guarnição avaliou o local e, diante do risco estrutural, acionou a Defesa Civil da Prefeitura de Juiz de Fora para vistoria técnica e adoção das providências cabíveis.

Outra ocorrência foi registrada no Bairro Previdenciários, na Rua Antônio Bento de Vasconcelos, onde um muro desabou sobre uma residência, deixando dois imóveis adjacentes em situação de risco. Diante da possibilidade de novos deslizamentos e desabamentos, os moradores foram orientados a deixar os imóveis preventivamente. A área foi isolada e a Defesa Civil acionada para emissão de parecer técnico.

A Zona Norte também registrou ocorrências, incluindo deslizamentos. A Tribuna esteve em pontos da região na manhã desta segunda e registrou a situação.

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A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) mantém alerta para risco de deslizamentos de terra, com aviso de chuva válido até terça-feira (24). Segundo o órgão, a sequência de dias chuvosos deixa o solo encharcado e saturado, o que aumenta a possibilidade de deslizamentos. O Inmet, entretanto, estende o alerta até sexta-feira. Pode chover até 100 mm por dia.

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A orientação é que moradores fiquem atentos a sinais como estalos no solo, rachaduras em paredes, muros ou no chão e movimentações diferentes no terreno. Em caso de indícios de deslizamento iminente, a recomendação é evacuar imediatamente a área e acionar a Defesa Civil pelo telefone 199. Vistorias e monitoramento em áreas atingidas tem ocorrido durante todo o ano, segundo o órgão, que informou a intensificação do carácter preventivo.

Cratera no Acesso Norte

Cratera se abriu na Avenida Garcia Rodrigues Paes, no Acesso Norte, após o asfalto ceder e dividir a pista ao meio na última quinta-feira (Foto: Felipe Couri)

A tempestade registrada no domingo agravou os impactos já provocados pelas chuvas na cidade e aumentou os transtornos para quem precisa passar pela Avenida Garcia Rodrigues Paes, no Acesso Norte. Na semana passada, uma cratera se abriu na via, que ficou parcialmente interditada após o asfalto ceder e dividir a pista ao meio. Com o bloqueio, linhas de ônibus tiveram os itinerários alterados, o que ampliou o tempo de deslocamento de passageiros e motoristas que utilizam o trecho como rota alternativa à Avenida Juscelino Kubitschek. Em nota, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) orientou que a população evite trafegar pelo local.

Chuvas aumentam o transtorno no trecho (Foto: Felipe Couri)

Na manhã desta segunda-feira (23), a Tribuna esteve no endereço e constatou que ainda não havia intervenção direta na pista. Um engenheiro da PJF avaliava a situação próximo à cratera. Segundo ele, desde sexta-feira – um dia após o aprofundamento do asfalto – estão sendo realizadas vistorias técnicas no trecho.

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Morador do Jardim Santa Isabel, o aposentado Sérgio Luiz Gonzaga, 53 anos, afirma que utiliza a via como alternativa para deslocamentos e também para a prática de atividades físicas com outros corredores. Com a interrupção parcial do caminho, ele relata que será necessário aguardar a liberação do trecho para retomar a rotina. Gonzaga destaca ainda que a avenida é utilizada diariamente por trabalhadores, em uma região com concentração de empresas, o que intensifica os prejuízos para quem depende do trajeto.

Questionada sobre o início das obras, prazo para conclusão e medidas provisórias para reduzir os impactos à população, a PJF não informou datas ou previsões. Em nota, o Executivo afirmou que atua no trecho do córrego onde houve o colapso do bueiro, com limpeza mecanizada, retirada de materiais e desobstrução do canal. A Prefeitura informou ainda que a intervenção é necessária para conter o processo erosivo e reduzir riscos. “Paralelamente, as equipes técnicas estão concluindo os estudos e projetos para intervenções estruturais em caráter permanente”, finalizou o texto.

Moradores enfrentam esgoto aberto, deslizamento de terra e morte de cão comunitário

Rua Antônio Novaes, no Bairro Monte Castelo, Zona Norte (Foto: Fernanda Castilho)

A rua amanheceu coberta por lama no Bairro Monte Castelo, na Zona Norte. Maria Aparecida de Oliveira, 42 anos, relata que a chuva agravou um problema antigo da região: a ausência de rede de esgoto, que faz com que os dejetos escorram pela encosta. Na rua de cima de onde ela mora, os moradores não têm acesso ao sistema de esgotamento sanitário, o que leva as tubulações a despejarem o esgoto em uma fossa que, segundo ela, não recebe manutenção.

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“A água vai descendo e acumula para o barranco ficar desse jeito. Até que ontem (domingo), ele começou a deslizar. Nunca tinha caído assim e eu já moro aqui há mais de 20 anos”, conta Maria Aparecida. Funcionários da PJF, incluindo a Defesa Civil, estiveram no local, ainda assim, foram os moradores quem tiveram que improvisar uma passagem com manilha para não ficarem isolados. Eles ainda não foram informados sobre uma previsão para a retirada da terra e lama do local.

Segundo a moradora, a terra que agora toma a Rua Antônio Novaes interfere na passagem dos moradores, de crianças que vão para a escola, dos adultos que vão trabalhar e a sensação é de preocupação entre os moradores. 

“O barranco continua descendo. A gente está pedindo ajuda pelo amor de deus. E se chover mais hoje, vai descer mais”, relata. A previsão é que a chuva perdure até sexta-feira (27). Com o deslizamento do barranco, um cachorro da comunidade foi atingido parcialmente pela terra e posteriormente atropelado por um carro que tentava desviar. Ele não resistiu.

(Foto: Felipe Couri)

Deslizamento também no Carlos Chagas 

Outro deslizamento de terra foi registrado na Rua Expedicionário Antônio Novaes, no Bairro Carlos Chagas, também na Zona Norte. A situação interditou a via e tem afetado moradores. Parte de um barranco cedeu, comprometendo o acesso e dificultando a circulação de veículos e pedestres.

A Tribuna esteve no local nesta segunda-feira e ouviu moradores, que relatam prejuízos e dificuldades para entrar e sair de casa. Segundo eles, além dos transtornos no deslocamento, há preocupação com novos deslizamentos caso a chuva continue.

PJF  atua na limpeza em vias afetadas

Em nota, a Prefeitura informou que, desde a madrugada desta segunda-feira, atua na limpeza das vias afetadas pela chuva. No Bairro Democrata, as ruas Feliciano Pena e Benjamim Guimarães receberam ações de limpeza. No Bairro Santa Luzia, onde houve inundação após o transbordamento do córrego, segundo o Executivo, as equipes realizaram limpeza, desobstrução e outras intervenções necessárias.

A Tribuna também questionou a PJF sobre o deslizamento de terra registrado nos bairros Carlos Chagas e Monte Castelo, incluindo se há previsão de ações emergenciais nesses locais, quais medidas serão adotadas, quando a terra será retirada da via pública e se os moradores podem contar com manutenção preventiva para reduzir o risco de novos deslizamentos.

Também foram solicitadas informações sobre possíveis ações de mitigação diante da previsão de mais chuvas para Juiz de Fora, conforme alertas do Inmet; sobre quais regiões da cidade têm sido mais afetadas segundo mapeamento municipal; e sobre a recorrência de alagamentos em áreas que já receberam intervenções, como o Santa Luzia, incluindo a existência de estudos técnicos que expliquem esses episódios.

A administração também foi questionada quanto à previsão de novas obras estruturais – como galerias pluviais, contenções, piscinões e recomposição de encostas -, ao orçamento anual destinado à drenagem urbana e à prevenção de desastres, e a eventuais mudanças recentes nesses recursos. Por fim, pediu-se esclarecimento sobre medidas específicas para reduzir alagamentos em áreas próximas a córregos e ao Rio Paraibuna, especialmente durante períodos de chuvas intensas.

Confira a íntegra da nota da PJF:

A Prefeitura de Juiz de Fora, por meio do programa Boniteza, realiza, diariamente, uma série de ações por todas as regiões do município, como limpeza e desassoreamento de córregos e do Rio Paraibuna, desobstrução de redes de drenagem, entre outros serviços. Apenas em 2025, foram retirados mais de 294 toneladas de lixo das bocas de lobo. Além disso, também em 2025, foram retirados um total de 17.500 m³ de material dos córregos, afluentes e Rio Paraibuna, um trabalho de desassoreamento realizado em mais de 10 quilômetros de extensão dos cursos d’água.

A Prefeitura informa que segue desenvolvendo o Plano Municipal de Drenagem, que realiza um diagnóstico do sistema de macrodrenagem de toda a cidade e, com base nesse estudo, irá propor intervenções para solucionar os pontos mais críticos.

Especificamente quanto à situação do Bairro Santa Luzia, para solucionar as ocorrências de alagamento na região é necessária uma grande obra de macrodrenagem. A construção do novo vertedouro do Parque da Lajinha, transformando o lago do parque em uma grande bacia de retenção de águas de chuva, foi a primeira etapa dessas obras. As demais etapas serão custeadas por meio do PAC. A segunda etapa já se encontra com edital de licitação aberto, com consulta disponível no link. A finalização do processo de licitação está prevista para março de 2026. A terceira etapa consiste em intervenções no córrego Ipiranga, nos bairros Sagrado Coração de Jesus e Santa Efigênia, e está em fase de elaboração de projeto.

Há investimento em obras estruturais relacionadas à drenagem urbana e às contenções de encosta. Entre as intervenções citadas pela Prefeitura estão as obras de macrodrenagem e esgotamento sanitário do Bairro Industrial e da bacia do córrego São Pedro, nos bairros Mariano Procópio e Democrata; contenções com recursos da Defesa Civil Nacional nas ruas João Abreu Filho, Alberto Agapito, Francisco Rodrigues Silva, Augusto Vicente Vieira, Stelina de Jesus, Maria Florice e João Luzia; contenção na Rua Francisco Altomar; contenção com recurso do PAC na Rua Margarida da Costa; contenções com recursos do PAC 2 na Avenida Antonio Miranda e nas ruas Pretestato Silva e João Francisco Monteiro; e contenções com recurso do Novo PAC nas ruas Joaquim Vicente Guedes, E (Olavo Costa), da Esperança e Geraldo Albano Fernandes.

Segundo a Prefeitura, os investimentos nessas áreas aumentam a cada ano. Para 2026, estão previstos mais de R$ 40 milhões em contratos anuais destinados a remodelações de redes de drenagem urbana, limpeza de córregos e do Rio Paraibuna, pequenas contenções e ações na Zona Rural. Além disso, o Município informa que possui mais de R$ 500 milhões em recursos para grandes obras de drenagem e contenções de encosta, provenientes do PAC e do Finisa.

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