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Chuva agrava situação do asfalto em JF

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A chegada do período chuvoso expõe a fragilidade do asfalto no município. A Tribuna percorreu todas as regiões de Juiz de Fora e encontrou carros fazendo zigue-zagues para se desviarem das crateras, e pedestres tentando evitar as poças d’água que escondem buracos e dificultam as travessias. Mesmo vias recapeadas recentemente, como as avenidas Presidente Itamar Franco (antiga Independência) e Olegário Maciel, não estão livres do problema. As obras no asfalto da Itamar Franco terminaram em setembro, mas a reportagem localizou pelo menos sete pontos críticos nos cerca de três quilômetros do corredor. Na Olegário, é possível encontrar buracos, rachaduras e depressões na pista.

Parte dos problemas na Itamar Franco já era esperada pelo secretário de Obras, Jefferson Rodrigues Júnior, mesmo após o recapeamento. Mas alguns buracos que surgiram na nova camada asfáltica surpreenderam. Com auxílio da UFJF, a Prefeitura deve iniciar um estudo para analisar por qual motivo o asfalto naquela via já está tão prejudicado e apontar soluções.

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Transtornos

Essa semana, o rompimento de uma rede de drenagem antiga abriu uma cratera na Avenida Deusdedit Salgado, na principal entrada da cidade, no Salvaterra. Na terça-feira, parte da carga de um caminhão de bebidas tombou depois de o veículo ter a roda direita traseira engolida por outro buraco, na Rua Cesário Alvim, no bairro homônimo, Zona Sudeste. Na noite de sábado, um médico de 55 anos teve os dois pneus do lado direito de seu Renault Fluence rasgados após o carro passar por uma cratera na Rua Alencar Tristão, quase em frente ao Cemitério Parque da Saudade, em Santa Terezinha, região Nordeste. "Eu estava devagar, pois ali tem um radar. Depois que passei no buraco, o carro andou cerca de dez metros com os pneus cortados e tive que parar e chamar o guincho. Ainda não sei se houve mais danos", diz o médico, que preferiu não ser identificado.

Moradores das margens da Estrada União e Indústria, na região Sudeste, também sofrem com os buracos que tomam conta da via. "Moro aqui há 42 anos. No trecho até o trevo do Retiro, a estrada nunca recebeu asfalto novo; só remendo. Com a chuva, abre um buraco atrás do outro", constata o comerciante Paulo Daniel Martins de Oliveira, 61, morador de um condomínio na região.

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Ainda na Zona Sudeste, a Avenida Francisco Valadares, na altura da Vila Ideal, coleciona buracos de diferentes profundidades, obrigando motoristas a fazerem manobras para escapar. Na Cidade Alta, uma das situações mais críticas está na Rua Octávio Malvaccini, ao lado do condomínio Spina Ville. A água acumulada esconde as crateras e exige perícia dos condutores. "Passar nessa rua é quase a mesma coisa que fazer um rali", compara o motorista Edivaldo Silva Filho, 44.

Na Zona Sul, um buraco no cruzamento das ruas São Mateus e Romualdo pega motoristas de surpresa. Além disso, há irregularidades no asfalto da Rua São Mateus, como afundamentos, rachaduras e tampas de bueiros abaixo do nível da via. Na Rua José Carlos Moraes Sarmento, no Santa Catarina, na região central, o problema está bem em frente a um ponto de ônibus. Devido ao asfalto desnivelado, os motoristas que sobem em direção à Cidade Alta precisam desviar do buraco, trafegando pela pista contrária. Já na Estrada Engenheiro Gentil Forn, é comum a trepidação do veículo causada pelos remendos na rua. Na Zona Norte, os problemas concentram-se na Rua Martins Barbosa, uma das principais de Benfica. A esquina dessa rua com a Avenida JK e com a Rua Evaristo da Veiga estão entre os pontos críticos.

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O secretário de Obras garante que não há problema na qualidade do asfalto usado na cidade. "A chuva provoca buracos porque a água penetra pelas trincas, que aparecem pelas más condições da base (camada que vem abaixo da manta asfáltica)."

Apesar da reclamação dos motoristas, o secretário ressalta que a atual administração asfaltou quase 400 ruas, onde antes não havia pavimentação. "Aumentamos em cerca de 40% as equipes de tapa-buraco. Assim, dois ou três dias depois de uma chuva, conseguimos tampar os buracos nas principais vias. Nossos funcionários trabalham inclusive sábado e domingo. Não medimos esforços para diminuir esse problema."

 

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Necessidade de alterar bases das vias

Conforme o secretário de Obras, Jefferson Rodrigues Júnior, para que as vias mantenham boas condições por um período maior seria necessário alterar toda a base, ou seja, retirar, além do asfalto antigo, uma camada logo abaixo e preencher novamente com material mais resistente, como minério, usado em ruas de Belo Horizonte, ou brita graduada, utilizada atualmente em Juiz de Fora em obras que atinjam a base do pavimento. Só depois desse processo, explica Jefferson, uma novo estrato de betume deveria ser lançado como revestimento.

"Em uma rua movimentada, é praticamente impossível fazer esse trabalho na base." O trecho de subida da Itamar Franco, próximo à Maternidade Therezinha de Jesus, recebeu essa atenção, por ser um ponto com movimento mais tranquilo. "Ficamos praticamente 45 dias só nesse trecho", diz o secretário, exemplificando a complexidade do procedimento, tanto pelo alto custo, quanto pela demora.

A maioria das obras de recapeamento atuais não atinge a base, ou seja, os problemas tendem a reaparecer. A proposta da Secretaria de Obras é intervir pontualmente na base do pavimento em ruas que já foram recapeadas recentemente e apresentaram problemas.

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