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Sonho do intercâmbio mais distante

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A decisão do Governo federal de suspender, para o próximo ano, novas bolsas do programa “Ciência sem fronteiras” (CsF) pegou de surpresa alunos das instituições federais de Juiz de Fora que tinham planos de viver uma experiência acadêmica no exterior. UFJF e IF Sudeste já preveem a redução do número de intercambistas, embora considerem que isso não afete o processo de internacionalização. A decisão foi anunciada pelo MEC diante da crise financeira, adiantando que não haveria recursos para novas bolsas no orçamento de 2016, mas apenas para a manutenção dos alunos que já estão no programa. A alta do dólar também pesou na decisão, já que o custo por aluno enviado tornou-se ainda maior. Em nota enviada à Tribuna, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou que o programa terá continuidade ao longo dos próximos anos, mas que ainda não há data para o lançamento de novos editais. “Todas as bolsas atuais estão mantidas e todos os estudantes que permanecerão no exterior com bolsa do programa também terão suas bolsas mantidas até o fim do intercâmbio”, garante. Desde o início do CsF, em 2011, a UFJF já enviou 750 alunos de graduação para o exterior, sendo que 120 continuam fora do país, com previsão de mais dez embarcarem nos próximos dias. No IF Sudeste, o número chegou a 81.

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Com a intenção de se inscrever no CsF, Lucas Henrique Vieira, 21 anos, aluno de engenharia civil da UFJF, chegou a prestar o Toefl – exame internacional procurado por quem pretende ingressar em universidades de países de língua inglesa. Ele esperava estudar em Chicago, nos Estados Unidos. “Minha nota no Toefl era suficiente para passar no último edital. Com as cem vagas que ofereciam, já era difícil, agora deve ficar mais complicado ainda”, prevê.

O aluno de medicina Diogo Santos, 25, também lamenta ter o sonho de um intercâmbio fora do país adiado. “Meus pais lutam para me manter em Juiz de Fora e dificilmente poderiam me ajudar no exterior. É uma oportunidade muito boa, por lidar com tecnologias, outras informações e aprimorar o idioma”, lamenta. Do mesmo curso, Eduardo Alvarenga Villella, 23, afirma ter desistido. “Estava quase me matriculando em um curso particular de línguas quando descobri que as novas inscrições do ‘Ciências sem fronteiras’ foram suspensas. Agora, desanimei, pois não sei se abrirão novas bolsas futuramente”, diz.

A diretora de Relações Internacionais da UFJF, Rossana Melo, garante que não é o fim do “Ciência sem fronteiras”, no entanto, afirma ser necessário repensar as ações. “A internacionalização das instituições de ensino superior é um caminho sem volta, fundamental para promover o crescimento institucional e excelência acadêmica. Na UFJF, vamos promover discussões e eventos que continuem a contribuir para a internacionalização e para o prosseguimento do CsF”, explica.

Programa interno está garantido

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Rossana Melo confirmou a realização, no ano de 2016, do Programa de Intercâmbio Internacional de Graduação (PII-Grad), no entanto, diante da situação financeira, o número de bolsas a serem ofertadas ainda é incerto. Atualmente são cem alunos no exterior somente pelo programa, sendo que a média anual é de 150. No PII-Grad, a UFJF arca com o pagamento de mensalidades nas instituições que acolhem os estudantes brasileiros.

Segundo ela, a UFJF possui convênios com universidades em todos os continentes, o que possibilita o intercâmbio acadêmico para os estudantes, professores e funcionários, independente do “Ciência sem fronteiras”. Ao todo, são 220 convênios com instituições estrangeiras que permitem à universidade prosseguir com as ações de internacionalização. Além disso, reforça a continuidade do programa “Idiomas sem fronteiras”. “Como ação complementar às atividades do CsF e de outras políticas públicas de internacionalização da educação superior, o ensino e aprendizagem de outros idiomas estrangeiros ganham mais incentivo na comunidade universitária”, destaca.

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Momento de buscar novas  fontes de recursos

Considerado referência pelo MEC na implementação e avaliação do “Ciência sem fronteiras”, o IF Sudeste também terá o número de alunos no exterior reduzido. Apesar disso, o assessor de Relações Internacionais, Wagner Belo, destaca que é um momento de desafios, de buscar novas fontes de recursos para garantir a mobilidade dentro do programa de internacionalização. “Temos que correr atrás para não permitir que o processo pare. O número de alunos que a gente consegue mandar com recursos de agências de fomento é muito menor, mas temos conseguido recursos em editais, como um recente da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), por exemplo, que nos garantiu R$ 79 mil. É preciso ficar atento a outros editais para além do Governo federal, que não é a única fonte de recursos”, analisa.

Segundo Wagner, este é o momento para se refletir a forma como o programa vinha sendo executado pelas instituições até então. “É preciso mensurar qual o real impacto para as instituições. Não dá mais para manter o modelo de ‘turismo sem fronteiras’. As instituições de ensino não se preocuparam em estabelecer os critérios mínimos de acompanhamento e controle dos alunos. Não basta apenas colocar a culpa no Governo federal. As universidades fizeram muito pouco para acompanhar esses alunos”, constata.

O IF tem hoje 34 alunos, de 11 cursos, que estão na Europa, Oceania e América do Norte pelo “Ciência sem fronteiras”, aprovados nos processos de 2014 e 2015. Um novo edital foi lançado nos últimos dias para a seleção de quatro alunos para um intercâmbio de 11 semanas na Inglaterra. O financiamento é 100% britânico, segundo o professor, para a realização de um programa piloto com cursos de tecnólogo.

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