
Parte do treinamento de direção dos candidatos é feita no simulador (Foto: Fernando Priamo-19-11-15)
O Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) publicou, na última semana, normas que regulamentam o uso obrigatório do simulador de direção veicular para os candidatos que vão tirar a primeira carteira de motorista a partir do ano que vem. As regras, que entram em vigor em 1º de janeiro, foram estabelecidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e valem para a categoria B ou para quem tiver a categoria A e for adicionar a B. Em Juiz de Fora, algumas autoescolas já estão se preparando. Dentre as empresas ouvidas pela Tribuna, metade afirmou já ter adquirido o equipamento, seja por locação ou compra. As demais aguardam a confirmação de que a regra realmente irá valer, já que, como lembram os empresários, a exigência já foi adiada outras vezes.
O equipamento é alvo de polêmica desde o início do ano passado e permite ao candidato testar várias situações de trânsito e tráfego por meio de um software de computador em um dispositivo semelhante a um carro, com volante, cinto de segurança, freio de mão, câmbio e pedais de embreagem, freio e acelerador. Três monitores substituem a visão do para-brisa e dos retrovisores. O proprietário da autoescola Saep, Sebastião Pires de Camargo, disse que, há uma semana, fechou contrato com uma empresa do Rio Grande do Sul para locar o simulador. “Vou gastar R$ 19,90 por aula e preciso pagar o mínimo de 120 aulas por mês à empresa, o que não será problema para mim, já que devo conseguir mais de 200 aulas mensais. Talvez as pequenas autoescolas sofram com isso”, comenta. Embora concorde com a cobrança do uso do simulador, ele acredita que há chances de a norma não ser cobrada a partir de janeiro. “Vai ser muito bom para o aluno e para nós também. Eles vão sair mais bem preparados para a direção. Mas caso não seja mais obrigatório, meu contrato permite que devolva o equipamento.”
A mesma situação acontece na autoescola Inicial. A proprietária Glacilene Barata conta que também já encomendou o equipamento, que será alugado, e agora aguarda a sua chegada. “Aqui em Juiz de Fora, a única autoescola que tem é porque já tinha comprado, todas as demais estão esperando chegar. Mas a gente escuta toda hora que corre o risco de a obrigatoriedade ser adiada novamente, aí ficamos sem saber”, diz. Na autoescola Andorinha, o proprietário Sebastião Luiz de Souza alugou dois simuladores, há dois meses. “Desta vez, é oficial, está todo mundo se adequando. E alugamos dois para conseguir atender à minha demanda. Caso alguma autoescola não tenha espaço ou não quiser locar, poderei atendê-los também”, comenta.
Espera
Já a autoescola Rosana ainda não adquiriu o simulador e aguarda para saber se haverá outro adiamento. “A gente está esperando porque tem deputado entrando na Justiça para tentar revogar esta lei. Ficamos sem saber o que fazer, mas está parecendo que é mais uma vez uma situação igual foi a do extintor. São três fornecedores para o Brasil inteiro, vai ser difícil atender a todo mundo. O simulador custa R$ 40 mil, a gente vai investir, e se depois não precisar?”, questiona a proprietária Rosana Alves. Na autoescola VM2, o proprietário Neimar Moura também diz estar aguardando para tomar uma decisão. “Queremos ver se o Contran não vai voltar atrás mais uma vez, então vamos esperar até o último segundo. Estamos discutindo a situação com o Sindicato dos Proprietários de Autoescolas em Belo Horizonte, e, a partir de semana que vem, acredito que teremos algo mais concreto”, diz.
Tempo de aulas otimizado, diz instrutor
Há cerca de dois anos, quando começou a possibilidade de cobrança, o instrutor Ramon Rubriale adquiriu o simulador para ser usado na autoescola Manchester. Como a obrigatoriedade do uso do equipamento na época foi adiada, o temor era pela perda do investimento, algo que, segundo Ramon, não aconteceu. “Mesmo sem ser obrigatório, os alunos têm interesse em fazer as aulas e temos 100% de adesão. É uma ferramenta importante para aquela pessoa que nunca dirigiu na vida, otimiza o processo. Por exemplo, quem começa a dirigir na rua perde muito tempo com o instrutor levando e trazendo a pessoa do local. No simulador, é ela quem dirige durante a aula inteira, e colocamos situações que nem sempre eles encontrariam normalmente, como chuva e neblina”, explica.
Segundo Ramon, outra vantagem é a realização da aula noturna. “Em dois dias, os alunos já conseguem fazer as quatro obrigatórias, enquanto na rua costuma ser mais difícil conseguir horário.” Agora, eles pensam em adquirir mais um simulador, de forma a realizar parcerias com outras autoescolas. “O equipamento também é muito bom para quem tem trauma de direção”, acrescenta.
Regras
Entre as principais regras a serem seguidas no processo de aprendizagem para a obtenção da primeira habilitação na categoria B está a determinação de que, do mínimo de 25 aulas práticas de direção, até oito poderão ser realizadas no simulador de direção, sendo cinco obrigatórias, das quais uma com conteúdo noturno. A carga horária de prática de direção no período da noite poderá incluir, facultativamente, até três aulas no simulador de direção. Para os candidatos à adição de categoria, sete aulas poderão ser realizadas no simulador. Quanto às aulas práticas de direção para adição de categoria dadas no período noturno, até duas poderão ser realizadas, facultativamente, no simulador. De acordo com a portaria, os candidatos deverão fazer as aulas em simuladores de direção depois que obtiverem a certificação do curso teórico e antes das aulas realizadas em vias públicas.

