
Na Semana do Trânsito, levantamento realizado pela Settra mostra que houve redução no número de multas aplicadas por radar em Juiz de Fora, mas o número ainda é considerado alto por especialistas. A média é de 44 carros multados por dia por excesso de velocidade, considerando o período de janeiro a julho deste ano, quando 9.402 veículos foram flagrados nos radares. O percentual registrado nos sete primeiros meses do ano representa 63% do montante dos 14.923 autuados em todo o ano passado (ver quadro). A média de autuações deste ano é quase quatro vezes menor que o índice registrado no início de operação dos equipamentos. Segundo a Settra, a média anterior era de 14 veículos autuados a cada dez mil, hoje esse número caiu para 3,71 para cada dez mil passantes. Os dados mostram que, apesar de alguns condutores ainda insistirem em abusar no dia a dia do trânsito, os equipamentos integraram-se à rotina dos motoristas.
Para o chefe do Conselho Fiscal da Comissão Municipal de Segurança e Educação no Trânsito (Comset) e especialista em trânsito Mário Jacometti, as estatísticas apontam para a necessidade de ampliação dos pontos de vigilância no município. "O radar não é um retentor de velocidade, como o quebra-molas, é apenas um inibidor. Há pontos críticos ainda na cidade e que precisam de novos equipamentos. Não podemos mais esperar acidentes para realizar a instalação. A Avenida Olegário Maciel, por exemplo, vira uma pista de corrida, principalmente em horários onde o fluxo é reduzido. Por ser uma via em linha reta, já vi carro descolar da pista. Na Rua Doutor João Pinheiro, no Jardim Glória, próximo a uma curva após a Rua Paula Lima, também há necessidade de outro equipamento."
Conforme Jacometti, os radares são fundamentais já que os "motoristas juiz-foranos são desatentos e imprudentes". "Os equipamentos inibem de fato os acidentes graves. Basta lembrarmos do aparelho que chegou a ser retirado da Avenida Brasil, em uma curva perto da antiga Embrauto. Dois jovens morreram no trecho depois de perderem o controle, e o carro em que estavam chocou-se contra o poste, partindo no meio. Após o retorno do radar, não houve outro acidente desta natureza."
Identificação
Além da ampliação do número de radares na cidade, o especialista enfatiza a necessidade de maior identificação dos equipamentos. "Em muitos pontos, a sinalização está falha, apagada ou escondida. Sou a favor de um ‘escândalo’ para que os motoristas enxerguem os radares. A intenção não deve ser que o motorista seja multado, mas que ele reduza a velocidade, pois aquele ponto é considerado negativo, já registrando acidentes graves e até fatais."
A ampliação ou remodelação do sistema de vigilância no trânsito ainda não tem data para acontecer. A previsão inicial era de que os dispositivos eletrônicos fossem trocados por outros capazes de coibir, simultaneamente, excesso de velocidade, avanço de sinal e parada sobre a faixa de pedestres. Depois a informação era de que estavam previstos mais cinco radares, além de 15 detectores de avanço de sinal. Entretanto, a licitação para nova contratação foi adiada por determinação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), sob alegação de que o município estaria repassando a responsabilidade de fiscalização para empresa privada.
Diante do impasse, a Administração Municipal tem celebrado com a Engebrás contratos emergenciais a cada seis meses, no valor de R$ 232 mil, para manutenção dos dez radares em atividade, que se revezam em 13 pontos. Durante esse período, não houve alteração do número e do tipo de equipamento.
Queda de infrações foi mais tímida na Paracatu
Levantamento solicitado à Settra mostra que, dos dez aparelhos ativos, houve baixa no número de multas em todos, se comparado o mês de instalação do equipamento e julho último (ver quadro). Em alguns radares, a redução chegou a mais de 90%, como no caso do instalado na Avenida Brasil, no Manoel Honório, e o da Avenida Rio Branco, na altura da Garganta do Dilermando. O que menos apresentou queda de autuações foi o radar da Rua Paracatu, entre os bairros Bandeirantes e o Grama, região Nordeste da cidade.
Para o chefe do Conselho Fiscal da Comissão Municipal de Segurança e Educação no Trânsito (Comset), Mário Jacometti, apesar da queda, o índice ainda é considerado alto porque retrata a falta de atenção e imprudência dos motoristas. "O número é elevado, mostra que muitos dirigem sem a devida atenção, esquecem dos radares. Deveriam ser multados duas vezes por isso." Já a subsecretária Operacional de Transporte e Trânsito, Roberta Ruhena, acredita na função educativa dos equipamentos. "O número ainda é significativo, mas a forte queda na quantidade de autuações mostra que os radares estão cumprindo sua função."
Sem prazo para instalação de aparelhos na BR-040
Na rodovia federal mais importante da região, a BR-040, ainda não há previsão de início de funcionamento dos 11 radares que devem operar entre os municípios de Ewbank da Câmara e Santos Dumont. Somente na altura do Viaduto do Túnel, que ficou conhecido como Viaduto da Morte, pelas ocorrências fatais, serão implantados dois aparelhos, um em cada sentido. No km 755,8, os motoristas não poderão ultrapassar os 30 km/h.
Segundo a assessoria do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o início de operação depende de ordem da coordenação de operação rodoviária, setor que passou por alterações recentemente.

