Uma quadrilha especializada em crimes de arrombamentos na Zona Sul de Juiz de Fora foi desarticulada pela Polícia Civil, numa ação batizada com o nome de Vitrine. Cinco ocorrências em lojas nas avenidas Itamar Franco e Paulo Japiassu Coelho, na região do Cascatinha, já foram atribuídas ao grupo, mas os integrantes são suspeitos de terem cometido cerca de 15 arrombamentos nesta área. Ontem o delegado Eduardo de Azevedo Moura, responsável pela investigação, apresentou um dos presos, um homem de 24 anos que atuava como executor dentro da quadrilha. Além dele, a polícia prendeu mais dois homens e uma mulher, esta com envolvimento ainda em um homicídio registrado em 2015.
De acordo com o delegado, do total de presos, dois foram liberados, na noite da última quinta-feira (21), por meio de habeas corpus. Os outros dois estão no Ceresp. O quarteto foi capturado na terça-feira, no Bairro Santa Efigênia. “Já vínhamos investigando a atuação da quadrilha há cerca de quatro meses, a partir da constatação de que a polícia fez a respeito do aumento de crimes contra o patrimônio, notadamente a estabelecimentos comerciais. Iniciamos a apuração e recebemos a informação de que havia um carro preto dando cobertura à ação dos arrombadores, o que culminou com a identificação deste veículo. O automóvel não está no nome dos presos, mas de terceiros, que apuramos que nada têm a ver com os fatos. Todavia isso permitiu que a polícia chegasse à identificação de um dos mentores do grupo e, em seguida, aos executores”, apontou o policial. O carro que serviu de base para a investigação é um Vectra preto, já apreendido. Diversos materiais furtados também foram recuperados.
Conforme o delegado, os presos trabalhavam em dois grupos, ora atuando em um, ora noutro. “O primeiro já foi identificado e, nos próximos dias, esperamos prender os demais”, asseverou Eduardo de Azevedo Moura. “Eles agiam geralmente na madrugada, quebrando as vitrines das lojas, e não se preocupavam em ser filmados, pois sempre estavam com blusas de capuz e encobrindo o rosto, dificultando nosso trabalho de investigação, mas, na última ação deles, o veículo foi visto, e uma testemunha anotou a placa, o que desencadeou a apuração dos fatos.” Esta ação da quadrilha que resultou na identificação da placa do automóvel trata-se do arrombamento de uma loja de móveis na Avenida Paulo Japiassu Coelho.
O delegado destacou que a atitude do cidadão em anotar a placa do Vectra suspeito foi fundamental para a identificação e prisão dos criminosos. “A participação da comunidade é importante, pois a polícia não tem condições de ficar o tempo todo em todos os lugares. Quando a sociedade está sensível ao que acontece nas imediações, como foi neste caso, no qual uma pessoa achou estranho um carro parado na rua e anotou a placa, há uma contrapartida que resulta em uma resposta mais rápida da polícia.” Segundo o delegado, os presos podem responder também por formação de quadrilha e ficarão sujeitos à pena de dois a oito anos de prisão por cada ocorrência praticada.
