
Representantes da OAB vistoriaram instalações do núcleo, na Rua José Calil Ahouagi (Fernando Priamo/21-07-15)
Representantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB visitaram ontem o Núcleo do Cidadão de Rua, na Rua José Calil Ahouagi, no Centro, que atende moradores em situação de rua para pernoite. A visita, realizada pela presidente da comissão, Cristina Guerra, e pela vice-presidente da Ordem, Cláudia Campos, aconteceu um dia depois que o atendimento a moradores de rua foi considerado precarizado pela representante do Comitê Interministerial da Política Nacional da População de Rua, ligada à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Cristina Roletti. Segundo a presidente da comissão da OAB, outros equipamentos públicos que atendem essa população serão acompanhados.
Passava das 15h quando o grupo chegou ao albergue. Acompanhada da supervisora de Atenção à População de Rua da Secretaria de Desenvolvimento Social, Denise Scoralick, e do coordenador de unidade, Cristian Alexandre da Silva, a equipe circulou pelos dois andares do imóvel alugado pela Prefeitura. Com 150 camas, todas estavam arrumadas. Os banheiros estavam limpos e, apesar da organização, havia mau cheiro. Também foi observado mofo nas paredes e vidros quebrados. “É um prédio antigo que precisa de reparos, mas, por ser um espaço alugado, não podemos fazer reformas. Apesar disso, os usuários são bem acolhidos e bem tratados”, disse Cristian, informando que cerca de 120 usuários são frequentadores assíduos, contando com camas e toalhas individualizadas. A maioria do público é masculino e tem entre 18 e 36 anos.
A supervisora de Atenção à População de Rua reforçou o que já havia sido dito pelo coordenador do Comitê Intersetorial de População de Rua, Rogério de Souza Rodrigues, sobre a dificuldade em se alugar novos imóveis e garantir núcleos reduzidos. “A ideia é trabalhar para separar o público feminino do masculino, mas há muita resistência em se alugar imóveis para esse fim”, explicou Denise Scoralick. Apesar de considerar o desafio de atendimento a esse público, Cristian disse que 18 moradores de rua foram inseridos, com a ajuda do serviço, no trabalho formal. A presidente da OAB ratificou a necessidade do cuidado com as instalações e considerou o ambiente inadequado. “Acho que o Poder Público tem meios de prestar um serviço mais efetivo.”

