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Medo afasta trabalhador de serviços noturnos

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José Geraldo viveu momentos de tensão em assalto
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José Geraldo viveu momentos de tensão em assalto

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A ação de bandidos tem causado insegurança para profissionais de Juiz de Fora que trabalham no período noturno. Taxistas, frentistas, funcionários e proprietários de estabelecimentos comerciais estão mudando de hábitos e adotando medidas de autoproteção, quando não desistem do trabalho para optar por uma atividade de menor risco. Considerados presas fáceis para ladrões pela própria categoria, taxistas que trabalham à noite lidam com o medo diariamente. José Geraldo de Oliveira, 45 anos, que trabalha na praça há três, viveu momentos de pânico nas mãos de um criminoso. Segundo ele, o assalto aconteceu em uma noite de sábado, quando pegou um passageiro no Parque Halfeld, no Centro. "Ele entrou no carro e pediu uma corrida para o Bairro São Pedro, após o posto policial. Quando chegamos ao destino, ele disse que ia me pagar com uma nota de R$ 50. Quando fui pegar o troco, ele colocou uma faca na altura do meu peito, anunciando o roubo. Eu passei o dinheiro, e ele saiu correndo para uma construção. Tentei cercá-lo, mas ele tampou uma pedra que atingiu o carro. Acionei a PM, que prendeu o rapaz", contou o taxista, lembrando que depois soube que o criminoso era usuário de crack e que havia sido solto. "Recentemente, me deparei com ele na rua. Isso mostra o quanto estamos vulneráveis." Apesar do medo, ele mantém sua atividade à noite, porque sua família precisa muito. Mas esta não é a situação de outros taxistas que não trabalham mais no período: "Não vale arriscar e perder o pouco que ganhamos. Também não vale arriscar a própria vida", disse um condutor, ressaltando que tirava entre R$ 30 e R$ 40 por noite.

A desistência do trabalho noturno é confirmada pelo presidente da Associação de Taxistas de Juiz de Fora, Luiz Gonzaga Nunes. Segundo ele, nos últimos meses, pelo menos 15 profissionais deixaram a praça por causa da insegurança. "Muitos não querem correr perigo e estão buscando outro tipo de atividade que seja durante o dia", disse Gonzaga, destacando que, na última semana, cinco taxistas foram assaltados à noite. "Antes, tínhamos medo de aceitar viagem para determinados bairros, mas, atualmente, a situação está mais complicada e não tem uma região mais perigosa, o problema está presente em toda a cidade. Temos que ter fé em Deus e pedir para voltar para casa são e salvo."

O crescimento dos crimes contra a classe despertou a atenção de representantes do Legislativo Municipal, que, no dia 10 de agosto, às 10h, irá se reunir-se com taxistas, representantes da Settra e da Polícia Militar. O encontro vai acontecer na sede da 4ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), no Nova Era, Zona Norte, com a finalidade de discutir leis para melhorar a segurança do profissional e orientações de prevenção.

 

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‘Ficamos vulneráveis, expostos à violência’

A onda de assaltos a postos de combustíveis na cidade também tem preocupado o Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Juiz de Fora e Região (Sintraposto). A categoria aguarda a aprovação da lei, em tramitação na Câmara Municipal, que proíbe o uso de capacetes no momento do abastecimento após às 22h. A ideia foi exposta pelo presidente da entidade, Paulo Guizellini. Segundo ele, muitos trabalhadores estão inseguros. Ele aponta que um dos casos que mais chocaram a categoria foi o do frentista baleado na boca durante tentativa de roubo em um estabelecimento no Vitorino Braga, região Sudeste, no início deste ano. Como afirma Guizellini, o temor é diário, principalmente, entre os profissionais que atuam nos postos 24 horas. Assim como os taxistas, frentistas estão abandonando a profissão. "Ficamos vulneráveis à noite, expostos à violência de qualquer um que entre no posto. É uma situação de medo, que contribui para a não permanência no trabalho noturno e até na mesma atividade."

Comércio

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No setor do comércio, as padarias que ficam abertas até por volta das 22h têm sido o alvo preferencial de assaltantes. De acordo com informações do Sindicato da Panificação de Juiz de Fora, este ano, pelo menos 20 estabelecimentos já foram roubados durante a noite, principalmente, por criminosos utilizando motocicletas. Conforme o presidente do sindicato, Heveraldo Lima de Castro, proprietários e funcionários têm sofrido com a criminalidade. "Como medida de prevenção, a orientação é a colocação de cartazes nas padarias, proibindo a entrada de pessoas com capacetes, haja visto que temos sido alvo da ação de bandidos com motos", afirmou o sindicalista, que é dono de uma padaria no Centro, já assaltada duas vezes. "Na última, o ladrão entrou e foi direto ao caixa, onde colocou o revólver em cima do balcão, exigindo que todo o dinheiro fosse entregue a ele. Depois de pegar a quantia, ele fugiu na moto. É uma situação que nos assusta", desabafou Heveraldo, acrescentando que também orienta os comerciantes a instalação de câmeras de segurança. Para aumentar a vigilância, ele ligou o circuito interno da padaria à internet. "Assim, de qualquer lugar que esteja, consigo monitorar o meu estabelecimento. É mais uma medida para que eu possa me sentir seguro".

 

Táxis podem ter microcâmeras

Na tentativa de melhorar a segurança dos profissionais do táxi, está em andamento, na Câmara Municipal, projeto de lei que visa a tornar obrigatória a apresentação do documento de identidade com fotografia por parte do passageiro que embarcar em um táxi, no período entre 18h e 6h do dia seguinte, de autoria do vereador Isauro Calais (PMN). A recusa do usuário em prestar as informações poderá implicar na não prestação do serviço por parte do condutor. Durante a reunião, agendada para o próximo mês, também serão discutidas a questão da proposição de uma lei que torne obrigatórias a instalação de microcâmeras no interior do veículo e a colocação de dispositivo de alerta luminoso para sinalizar eventual risco e pedido de socorro por parte do taxista, medida que atualmente é facultativa.

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A Settra, de acordo com sua assessoria de comunicação, também tem trabalhado na questão da prevenção de crimes contra taxistas. Conforme a pasta, há um constante contato com a categoria e com a Polícia Militar, que, juntos, buscam ações em favor da segurança desses profissionais. Entre elas, a operação "Para Pedro", com abordagem de táxis para apresentação de documentos de condutores e passageiros.

A Polícia Militar afirma ter uma série de medidas de autoproteção para as pessoas que trabalham no período noturno. Segundo a corporação, no caso dos frentistas, em determinado horário da noite, o ideal é manter o local bem iluminado. Suspeitar de alguns veículos e, na situação de a pessoa sair do carro para ir ao banheiro ou comprar gasolina em garrafa PET, deve-se ficar sempre em alerta. Jamais estar com grande quantia de dinheiro no bolso porque o bandido pode perceber. Quando o frentista suspeitar do veículo, o primeiro procedimento é anotar a placa e repassá-la à polícia. Para os taxistas, a PM aconselha sempre desconfiar de atitudes suspeitas, trajes, conduções de objetos e volumes na cintura, dando preferência a clientes cadastrados, cuja solicitação seja oriunda da central de rádio-táxi. O ideal é habituar-se a dirigir com os vidros fechados e portas travadas principalmente durante as paradas. Jamais deve-se parar para auxiliar outros motoristas em locais isolados, mal iluminados e/ou em horas avançadas da noite. Em todos os casos de assalto, a dica mais importante é nunca reagir.

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