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Feiras impulsionam empreendedores criativos

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Mercado Aberto, realizado na Praça Jarbas de Lery, no São Mateus
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Mercado Aberto, realizado na Praça Jarbas de Lery, no São Mateus

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Um jeito alternativo para que novos empreendedores consigam entrar no mercado e tornar seus produtos e serviços conhecidos, as feiras e bazares estão se multiplicando nas braças, bares e cafés da cidade. Com mercadorias autorais e artesanais, que carregam características de seus criadores, esses espaços também oferecem opção cultural e de lazer, além de gastronomia. Para os organizadores, servem como termômetro para firmar novos negócios e parcerias, pois grande parte dos participantes já atua em algum emprego formal e desenvolve a atividade como um plano B. Outro ponto positivo é a porta que se abre para a formalização como microempreendedor individual (MEI).

“A nossa ideia era criar um espaço para que novos criadores pudessem expor seus trabalhos, por não haver ainda um evento que reunisse essas pessoas, oferecendo uma oportunidade de contato direto com o público”, explica a integrante da equipe organizadora do Mercado Aberto, na Praça Jarbas de Lery, no São Mateus, Alice Linhares. A cada edição – que já contabiliza oito – participam, em média, 45 expositores das áreas de moda, decoração, gastronomia e música. Ao longo das edições, Alice nota que o Mercado conquistou um público fiel e variado. “São jovens, adultos, crianças e idosos que passam as tardes na praça conosco, aproveitando a música, a gastronomia e conhecendo o trabalho dos expositores. Esse público vem crescendo, e sempre tem gente que nos visitam pela primeira vez.”

Com cinco edições no currículo, o Bazaar Manufato, organizado na sede do Espaço Manufato, no Alto dos Passos, também abre oportunidade para que os talentos da cidade e da região. “Existe muita coisa boa sendo produzida, e o mercado não tem conhecimento disso. Desde o início, buscamos apresentar trabalhos bacanas feitos por designers, artesãos, artistas plásticos, dentre outros”, ressalta Vinícius Gonçalves, responsável pelo marketing e eventos do Manufato. Cada edição conta, em média, com 15 expositores, que englobam desde pessoas especializadas na gastronomia e nas demais na área de moda, papelaria, acessórios e até tatuagem.

 

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Vale à pena

De quem quer participar de feiras e bazares, os organizadores costumam cobrar uma taxa. Geralmente são calculados todos os custos para realizar o evento, que são divididos entre os expositores. Para eles, é uma forma de realizá-los sem depender de outras iniciativas ou patrocínios. “O feedback que temos dos participantes é de que o investimento vale a pena e que o retorno é bastante satisfatório”, afirma Alice. Na maioria das vezes, nas primeiras horas do evento, o expositor já consegue o retorno desse investimento”, atesta Vinícius.

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Hobbies se transformam em negócio

Depois de fazer sucesso nas redes sociais com postagens de suas criações, a designer gráfica Mariane Mendes criou, há um ano, o CasaCafé, que produz pôsteres e canecas destinadas à decoração. “Sempre gostei e apreciei muito o trabalho com tipografia. Comecei a treinar estilos de letras diferentes e harmonizações. Iniciei pela criação de pôsteres para a decoração da minha casa e fui postando, sem pretensão de venda inicialmente. Notei que aceitação foi boa, e as pessoas começaram a gostar do meu trabalho. Daí tive a ideia de transformá-lo em um negócio”, explica.

O trabalho com costura e tecidos motivou a jornalista e pesquisadora Rita Couto a criar, em 2012, a marca “Feito com Amor por Rita Couto”, que produz utilitários como bolsas, nécessaires, cases para eletrônicos e jogos americanos. Para ela, participar das feiras vai muito além da divulgação da marca, serve para estreitar o contato com o público. “São ambientes repletos de criatividade, de conversa, troca de sorrisos e afeto. Todo trabalho manual é feito com amor, pois isso é muito importante que as pessoas saibam quem está atrás daquele produto”, diz Rita, que faz questão de estar pessoalmente nas duas feiras locais que participa, assim como Mariane.

Diferente das demais entrevistadas, Heliana Queiróz, criadora da marca de roupas As Garimpeiras, encontrou no desemprego a oportunidade para colocar em prática um projeto antigo. “Sempre tive vontade de começar o negócio, mas tinha muito medo de largar um emprego formal. Quando tudo aconteceu, resolvi arriscar e percebi que existe vida fora das empresas”, comenta. Há dois anos cria peças em modelagens alternativas, utilizando tecidos importados e até estampas próprias criadas por ela. Para Heliana, estar presente nas feiras – em Juiz de Fora já participou de duas – é um momento de troca de experiências e divulgação de produtos.

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Caminho para formalização como MEI

Juiz de Fora possui hoje mais de 18 mil pessoas registradas como microeempreendedores individuais (MEI). No caso dos artesãos, o Sebrae Regional Zona da Mata explica que eles se enquadram em 16 categorias dentro da Classificação Nacional de Atividades Econômicas. Entre elas, existem duas que são mais comuns: “comércio varejista de objetos de arte” e “comércio varejista de suvenires, bijuterias e artesanatos”. Em todo 2015, ambas somaram 87 formalizações. Entretanto, nos primeiros quatro meses de 2016, o número de formalizações já chegou a 93, conforme o Sebrae.

A analista técnica do Sebrae, Daniela Mendonça, avalia que os números ainda são baixos pelo fato de os próprios artesãos não se considerarem empreendedores e por não enxergarem a sua atividade como negócio. “Eles acabam concentrando esforços no processo criativo e no desenvolvimento do produto e deixando de lado a necessidade de buscar melhorias no processo de comercialização e gestão”, afirma. Daniela diz que as feiras e os bazares presentes em Juiz de Fora são excelentes oportunidades para o artesão divulgar o seu produto para o mercado, aumentando sua rede de contatos, além de fidelizar o cliente.

A rentabilidade do negócio, no entanto, é considerada grande empecilho para a formalização. Mariane, do Casacafé, destaca que este é o principal entrave para vir a se tornar um MEI. “Penso em me tornar MEI para fornecer notas fiscais e vender aos lojistas, mas é um projeto de longo prazo, quando a Casacafé virar um negócio totalmente rentável, a ponto de eu puder dedicar 100% do meu tempo profissional à loja”, comenta. Já Rita optou pela formalização para poder participar da Feira Nacional de Artesanato em Belo Horizonte, em 2014. “A formalização é importante porque, com ela, é possível emitir notas fiscais, temos direito aos benefícios sociais, como aposentadoria, e também a financiamentos diferenciados. Além disso, é possível contratar um funcionário com custos mais baixos”, pondera.

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Se tornar uma microempreendedora individual também está nos futuros planos de Alice, criadora da marca O gato da Alice, que produz acessórios e bijuterias. “Muitos dos expositores não são formalizados e têm a criação ainda como um hobby. Mas observamos uma crescente tendência a investirem mais em suas marcas, até como uma alternativa ao mercado de trabalho formal, que vem oferecendo poucas oportunidades”, avalia. Quando pensou em abrir o negócio próprio, Heliana recorreu ao Sebrae para pedir orientações. “Os analistas me deram uma luz, pois eu não tinha ideia de onde começar. Foram importantíssimos para que eu formalizasse o negócio. Sou MEI há um ano e meio, e é uma forma de me sentir segura sobre os meus direitos , além de ficar em conformidade com as burocracias”.

Entre as vantagens de ser um MEI, o Sebrae destaca os benefícios previdenciários: direito a aposentadoria, auxílio-doença e licença maternidade. “O MEI terá seu registro no cadastro de pessoas jurídicas, o que permite que ele tenha acesso a serviços financeiros e acesso a novos mercados, pois poderão emitir notas fiscais para atender a empresas e participar de licitações, inclusive”, destaca Daniela.

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