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Juiz de Fora suspende visitas a idosos em abrigos para conter coronavírus

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No Abrigo Santa Helena, no Bairro Vila Ideal, Zona Sudeste, um dos mais tradicionais e antigos da cidade, medidas já estão sendo adotadas. De acordo com o presidente da instituição, Antônio Carlos da Silva Estevão, logo que começaram a surgir as notícias sobre o coronavírus e os primeiros casos, o abrigo, que atualmente possui 143 idosos, reuniu seus diretores e tomou uma série de decisões preventivas, como a suspensão das visitas e de novas admissões. Essas últimas, segundo ele, só serão realizadas em casos excepcionais e com apresentação de laudo médico que assegure a não contaminação do idoso. “Além disso, há higienização constante dos funcionários que precisam circular pelo ambiente e higienização dos idosos que saem para consulta e voltam para o abrigo”, ressalta.

Ainda como aponta Estevão, o Santa Helena não teve muita dificuldade em se adaptar às novas providências. “Nossa higienização sempre foi muito rigorosa. Nossos cuidados sempre foram muito bem desenvolvidos, porque um piolho aqui, por exemplo, é sinônimo de complicações. Então, antes do coronavírus, já tínhamos bastante rigor com a limpeza”, enfatiza, lembrando que em cada apartamento da instituição estão dispostas quatro camas e um banheiro.

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Na entrada do Abrigo Santa Helena, cartaz alerta para a interrupção de visitas como forma de prevenir a Covid-19 (Foto: Leonardo Costa)

Queda nas doações

Todavia, se as questões que envolvem a prevenção dentro do abrigo estão sendo encaradas de forma positiva, a instituição tem enfrentado problemas no que diz respeito às doações. Conforme Antônio Carlos Estevão, desde que a crise que o envolve o coronavírus começou a impactar a vidas das pessoas, elas diminuíram 90%. “Nossas doações chegaram a quase zero e nossa preocupação é que o abrigo não tenha condições para arcar com suas despesas daqui a quatro meses.”

Ele lembra que as doações estão sendo realizadas na portaria ou no bazar que fica ao lado da entrada do abrigo, a fim de evitar que o interessado em doar entre na instituição, como forma de garantir a segurança dele e dos abrigados e funcionários. “A situação está difícil para todos e sabemos que ninguém poderá ajudar muito, mas o pouco de todos vai nos apoiar a atravessar esse momento”. Atualmente, ele diz que não há necessidade de comprar leite e fraldas, por exemplo, mas com o passar do tempo, e com a agravamento da crise, isso pode acontecer.

Quem tiver o desejo de ajudar o Abrigo Santa Helena, as doações podem ser feitas por meio de depósito no Banco Brasil (agência 0024 e conta 124000-5) e através do telefone 3235-1048.

Desafios da terceira idade

Para o assistente social, gerontólogo e mestre em serviço social José Anísio Pitico da Silva, é um grande desafio para as instituições de Longa Permanência para Pessoas Idosas (ILPIs) evitarem as visitas, uma vez que são importantes para o convívio e a socialização dos idosos.

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“É preciso ressaltar que em tempos normais essa visitação social, comunitária, familiar é muito pequena e, para os idosos, isso já era um grande ressentimento, pois é um sentimento de abandono social e familiar e agora é somado a essa medida necessária de isolamento social”, avalia.

Ainda segundo Pitico, a aglomeração nas ILPIs é outra questão que deve ser tratada com atenção em tempos de coronavírus, posto que essas instituições, muitas vezes, contam com dormitórios coletivos com camas muito próximas umas das outras, o que precisa de cuidado redobrado no quesito higienização.

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“Também é um desafio essa dinâmica interna dessas instituições, pois elas têm capacidades diferenciadas e isso precisa de intervenções diferenciadas. Quanto à postura das pessoas que frequentam, como funcionários, devem estar protegidos e utilizando no modo de agir uma etiqueta sanitária”, afirma.

No que se refere aos visitantes, Pitico salienta que devem ter a consciência da necessidade do afeto mais represado. “É preciso saber que esse não cumprimentar, não beijar, não abraçar, é um ato de proteção. É fundamental alertar aos idosos que cumprimentá-los pode causar prejuízos para a saúde deles e para os demais. Então, é uma questão de mudança de comportamento, de ressignificação dessa nossa expressão de afeto”, pontua o gerontólogo, lembrando que os idosos têm que estar cientes também das medidas de autoproteção e das etiquetas sanitárias.

Grande volume de pessoas com mais de 60 anos circulando na região central preocupa autoridades (Foto: Leonardo Costa)

Necessidade de distanciamento social

Mais suscetíveis a pegar a Covid-19, os idosos fazem parte do grupo de risco e, apesar de todas as recomendações que têm sido feitas pelas autoridades de saúde de pública, principalmente, no que tange ao distanciamento social, ainda é possível encontrar muitas pessoas com mais de 60 anos circulando pelas ruas da região central de Juiz de Fora.
Alguns foram ouvidos pela Tribuna e relataram não acreditar na gravidade que o coronavírus representa, outros ainda contaram que, como não têm outras pessoas para fazer por eles, precisam sair para as compras do dia a dia e irem à farmácia para buscar remédios e houve ainda aqueles que alegaram que, como existe o transporte público gratuito para quem tem mais de 65 anos, alguns serviços domésticos são realizados por eles.

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O assistente social, gerontólogo e mestre em serviço social José Anísio Pitico da Silva, que também é gerente do Departamento do Idoso da Secretaria de Saúde da Prefeitura, orienta sobre a necessidade de permanência em casa em isolamento social, para a proteção da vida dos idosos, de seus familiares e das outras pessoas.

“Acreditamos que essa medida é provisória e assim se faz fundamental ficar em casa, buscar as atividades domésticas, a fim de evitar o contato social. Isso, às vezes, pode parecer difícil, uma renúncia, mas vale a pena e, assim, todos estão fazendo um ato de solidariedade e de amor a si próprio, a seus familiares e para a comunidade como um todo”, afirma Pitico, acrescentando que o sair de casa deve acontecer somente em casos de emergência e de necessidades fundamentais.

Parque Halfeld

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Para evitar aglomerações e impedir o acesso ao Parque Halfeld, a Prefeitura determinou, por tempo indeterminado, a partir deste sábado (21), o fechamento das entradas de acesso com gradis, tanto na Avenida Barão do Rio Branco como na Rua Santo Antônio. De acordo com o Executivo, o fechamento enquadra-se no Decreto 13.897/2020, publicado nesta quinta (19). Nos últimos dias, apesar da publicação de decretos para evitar concentração de gente na cidade, o Parque Halfeld continuou recebendo intenso fluxo de pessoas, sobretudo de idosos, acostumados a realizar atividades de lazer.

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