
Bonecas, DVDs, latas de tintas, sapatos, roupas, bolsas, embalagens… a lista parece ser infinita quando se trata de acumuladores. A pequena casa no Bairro Santa Rita, localizada nos fundos de um imóvel, era onde uma catadora guardava o que achava pela rua. Com ela, moravam o marido – que teria problemas de saúde -, duas filhas adolescentes (uma delas estaria grávida) e um cachorro. Ao longo dos seis anos em que residiu no local, o contato com os vizinhos era mínimo.
Segundo a proprietária do imóvel, a inquilina pagava o aluguel em dia e sempre marcava de encontrar na rua. Quando precisava de gás e outros serviços, não deixava ninguém entrar. A suspeita de que algo estava errado começou com o surgimento de vários animais. “A gente desconfiou que alguma coisa estava acontecendo porque ela não deixava ninguém passar nem no beco que levava à casa. Foi aí que um vizinho nos informou que estava aparecendo muito rato, mosquito e barata em sua residência. Decidimos então, no dia de receber o aluguel, entrar para ver o que estava acontecendo. A vizinha já tinha entrado no imóvel e nos levou até lá. O portão estava aberto e havia lixo quase até o teto em todos os cômodos.”
Depois do susto, a proprietária decidiu alugar uma caçamba e começar a limpar. O plano não durou muito, porque era um trabalho que parecia não ter fim, além do perigo de escorpiões, aranhas e outros animais peçonhentos. Decidida a restaurar o imóvel, ela entrou em contato com o Demlurb, que esquematizou uma ação conjunta com o Departamento de Vigilância Epidemiológica e a Secretaria de Atividades Urbanas. A intervenção, que faz parte das ações da Sala de Operações de Combate ao Aedes, aconteceu na manhã desta sexta-feira (21) e reuniu 25 acautelados e dois caminhões para a retirada dos despojos.
Nova intervenção
A denúncia foi feita há quase dois meses e, após a descoberta do entulho, a catadora se mudou para outra casa na mesma rua. Em conversa com alguns moradores do bairro, eles relataram que ela já estaria acumulando vários objetos na nova residência e que eles estavam se mobilizando para uma nova intervenção, já que o novo proprietário também estaria pedindo o imóvel de volta.
Sala de Operações de Combate ao Aedes
Chuva e calor formam a combinação perfeita para a proliferação do Aedes aegypti. Nesta época do ano, é necessário intensificar a fiscalização para combater as doenças transmitidas pelo mosquito, como dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana. O coordenador de agentes de endemias, Juvenal Franco, explica que as ações da Sala de Operações de Combate ao Aedes são feitas por meio de solicitações de moradores e vizinhos. Além disso, os agentes, quando passam pelos bairros fazendo vistoria, também localizam possíveis focos. Ao constatar o risco, a situação é passada para a Sala de Operações. O próximo passo é convencer o responsável pelo local a aceitar a intervenção. Com a autorização, vários setores da Prefeitura se reúnem para elaborar os aparatos necessários para eliminar os focos.
O material recolhido na ação desta quinta-feira (21) será levado para um local próprio de descarte do Demlurb, e os agentes finalizam o trabalho vistoriando para confirmar a eliminação total de todos os riscos. Para quem deseja denunciar algum local com possível foco, é necessário ligar para o Disque Dengue através do número 199. “Após a denúncia, nós enviamos um agente para fazer a avaliação e desenvolver futuras atuações de combate.”
Juvenal Franco alerta a importância da mobilização de todas as pessoas para os trabalhos preventivos na luta contra os riscos de proliferação do Aedes aegypti. “Hoje o caso foi de uma acumuladora, mas todos devem estar atentos. Quem tem vasinhos de plantas, a vistoria frequente é necessária para evitar o acúmulo de água.” A atenção também deve se voltar para as calhas e caixas d’água, pois o verão começa hoje e esta é a época do ano que há mais infestação de mosquitos.”

