
Policiais prenderam dois homens e apreenderam quatro armas e mais de 20 munições
Após a série de sete assassinatos em Igrejinha, Zona Norte, em um intervalo de três meses, a Polícia Militar realizou uma operação, na manhã desta sexta-feira (21), para retirar armamentos de circulação e reforçar a segurança na área. A manobra resultou na prisão de dois homens, um deles suspeito de homicídio, e na apreensão de quatro armas, três com numeração raspada, e mais de 20 munições. Trinta e sete militares da 3ª Companhia de Missões Especiais (CME) e da 173ª Companhia da PM cumpriram quatro mandados de busca e apreensão. "Vamos aumentar o policiamento ostensivo com a presença de policiais 24 horas por dia", garantiu o comandante da 173ª Cia, capitão Márcio Coelho.
Um dos principais alvos da investida foi um mecânico, 29, proprietário de uma oficina, revendedora de peças automotivas e ferro-velho na via paralela à BR-267. No estabelecimento, os policiais encontraram uma pistola 765 e dois revólveres de calibres 22 e 38, além de 15 projéteis. Um vigia, 40, que dormia no local, também recebeu voz de prisão em flagrante e assumiu a propriedade de uma das armas. Ele alegou ter achado o revolver 22 em um matagal. Já na casa do mecânico, a PM localizou um revólver 38 e oito munições sobre um guarda-roupa. Ainda foram apreendidos dois celulares.
Segundo a PM, o suspeito de homicídio teria alegado possuir as armas para se defender de possíveis ameaças. O crime que pode ter tido o envolvimento dele aconteceu no dia 22 de novembro, quando Leonardo Freitas da Cruz, 24, foi alvo de tiros em seu próprio bar. Ele tentou correr em direção à via pública e acabou sendo perseguido pelo bandido, que ainda atirou mais duas vezes contra ele. O pai da vítima encontrou o filho baleado e prestou socorro, mas ela não resistiu. No bar e em um outro ferro-velho, também houve cumprimento de mandado, mas nada ilícito foi encontrado nos dois endereços. Os suspeitos presos na operação foram conduzidos para prestar declarações na 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil.
Além de levar segurança à área marcada pela violência, a presença constante da PM em Igrejinha tem como objetivo aproximar a polícia da comunidade. "Esperamos receber denúncias e buscar informações para novas ações de repressão qualificada", destacou o capitão Márcio. Segundo ele, alguns dos homicídios ocorridos na região podem ter ligação com o tráfico de drogas. Conforme o comandante, o policiamento rotineiro nas 17 áreas rurais da Zona Norte é feito por meio da Patrulha Rural e das viaturas do setor de Benfica. No dia 15, cerca de 200 moradores do bairro foram para as ruas protestar contra a onda de assassinatos e pedir mais segurança. Os últimos dois homicídios aconteceram na madrugada do dia 8. Os primos Hiago Carlos Luna de Freitas, 17, e Wanderson Dias do Nascimento, 16, foram mortos a tiros quando voltavam de uma festa em uma granja, onde estariam comemorando o ingresso em um curso profissionalizante. Nesta semana, um adolescente, 17, confessou o duplo homicídio, que teria tido participação de outro jovem, 18. O caso segue em investigação na 3ª Delegacia de Polícia Civil.

