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Garoto é esfaqueado no Centro e morre no HPS

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Um adolescente de 17 anos, ferido com arma branca na noite de quinta-feira (20) na Avenida Rio Branco, na região da Praça do Riachuelo, Centro, não resistiu ao ferimento e morreu na manhã de ontem. Segundo a assessoria da Secretaria de Saúde, o óbito de Iago de Oliveira da Silva foi constatado às 8h. Ele sofreu uma perfuração no tórax após ser golpeado por um objeto durante uma briga em via pública. O suspeito, 16, foi apreendido pela Polícia Militar próximo ao Mergulhão. Em depoimento à Polícia Civil, ele alegou ter desferido uma paulada contra a vítima porque estaria sendo agredido, mas a PM obteve informações de que o jovem teria sacado uma faca da cintura e atacado Iago, após uma discussão iniciada nas redondezas da praça, motivada por rixa de bairros. O caso levanta, mais uma vez, a discussão em torno da necessidade de medidas urgentes para conter a violência entre jovens e brigas de gangues, que causaram várias mortes este ano. A violência foi tema da série "Até quando?" publicada este mês pela Tribuna.
Ao prestar declarações, o suspeito, morador do Bairro Três Moinhos, Zona Leste, disse que a vítima queria bater nele durante uma briga. Ele contou ter pego um pedaço de madeira com um prego e desferido a paulada, alegando que a perfuração no tórax teria sido causada pela peça de metal. Já um amigo da vítima, 19, morador do Progresso, Zona Leste, contou que estava na companhia de Iago, quando teriam "trombado" com o suspeito quase em frente à praça, após uma discussão anterior. Segundo o depoimento, o outro jovem teria pego a faca que portava e partido para cima do adolescente. Iago teria tentado se esquivar dos golpes, mas o suspeito estaria muito agressivo e teria "fincado" a arma no peito dele, fugindo em seguida. Mesmo ferida, a vítima teria tentado correr atrás de seu agressor, mas acabou caindo no chão.
  Durante patrulhamento, a PM recebeu informações de que havia um rapaz ensanguentado na Rio Branco. Iago foi socorrido pelo Samu e levado para o HPS, onde foi internado em estado grave no Centro de Tratamento Intensivo (CTI). Como o procedimento na delegacia foi feito anteriormente à morte do jovem, o suspeito foi autuado em flagrante por ato infracional análogo a tentativa de homicídio e encaminhado para a Vara da Infância e Juventude. A delegada Mariana Veiga, responsável pelo caso, disse que, com a morte do rapaz, vai requisitar laudo de exame de necropsia e encaminhar para a Vara, uma vez que o suspeito poderá responder por crime análogo a homicídio.

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Medo entre os lojistas da Mister Moore

O assassinato de Iago da Silva também representa medo para outras áreas da região central que, ao longo deste ano, serviu de cenário para o registro de diversos confrontos entre grupos de jovens rivais. Ontem, a Tribuna foi acionada por comerciantes da Rua Mister Moore, no Centro, onde, conforme eles, na manhã de quinta-feira, houve uma rixa entre galeras. Segundo os lojistas, um dos jovens chegou a sacar um revólver contra o outro, provocando medo a quem passava pelo local.  Não houve disparos porque os grupos teriam se dispersado. Neste dia, a PM prendeu dois homens, de 19 e 21 anos, e apreendeu um adolescente, 16, com uma arma de fogo calibre 22, na Praça Antônio Carlos, no Centro. Eles teriam sido vistos portando revólver no interior da Galeria Ítala, que liga as ruas Marechal Deodoro e Mister Moore.
De acordo com lojistas da Mister Moore, a via tem sido utilizada como ponto de encontro para acerto de conta entre as gangues. "As brigas estão frequentes, deixando trabalhadores e pedestres assustados", disse o vigia de um shopping, de 37 anos. "Teve uma vez que um rapaz ameaçou o outro com uma faca aqui dentro da loja. Sem falar da pancadaria que vemos sempre na rua", disse o vendedor de uma loja de tênis, 46, que acrescentou que os casos são mais constantes nas quintas, sextas e sábados. "Até nós vendedores somos ameaçados constantemente", completou, dizendo que trabalha há 32 anos no ramo e que nunca viu situação semelhante. "O problema se agravou com o passar dos anos." Na Mister Moore, existem muitas lojas de marcas que atraem a juventude, assim como estabelecimentos para venda de tênis. Na opinião dos vendedores, esses estabelecimentos chamam a atenção desses grupos, já que a rivalidade entre eles também aparece refletida no consumo. "Estar com um tênis de marca significa poder para eles", contou um vendedor, 28, que também foi ameaçado.
"Estamos inseguros. Já entraram no meu comércio e quebraram o vidro de um freezer. Já vi briga de gangue terminar aqui dentro", afirmou a proprietária de uma casa de frios, 50. A delegada titular da 7ª Delegacia, responsável por apurar os crimes da região central, Mariana Veiga, ressaltou que a Polícia Civil trabalha continuamente para identificar os envolvidos com essas galeras. "Quando identificamos um grupo, surge outro foco. A investigação é contínua para reconhecimento e localização de pessoas que usam o Centro para local de acertos de contas."

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